03/07/2026

Bocudo Caldas

Magazine Digital

Hangar 18: O mundo já sabia, mas você achou que era ficção



 

Imagino que não seja segredo a nenhum de vocês que os Estados Unidos liberaram alguns de seus famigerados “arquivos extraterrestres”. Também imagino que todos sejamos inteligentes e perspicazes o suficiente para saber que essa assim chamada liberação é muito mais uma cortina de fumaça para o caso Epstein do que um atendimento ao clamor público sobre estarmos ou não sozinhos no universo (e nesse planeta). Aproveitando que o assunto está em pauta, hoje trouxemos de volta um filme que explora essa paranoia e ainda de brinde nos traz uma estética bastante diferenciada sobre o que encontraríamos em uma nave alienígena.

 

Trazido ao planeta Terra em 1980, Hangar 18 foi dirigido por James L. Conway e escrito por Ken Pettus, a partir de uma história de Thomas C. Chapman e Conway. A premissa é curiosa: um acidente aéreo entre um satélite e um OVNI, acobertado pelo governo americano.

Começamos nossa aventura conspiracionista fora da atmosfera terrena, observando um ônibus espacial e seus controladores em terra, que se esforçam para manter tudo em ordem e completar o lançamento de um satélite, apesar do poder computacional bastante discreto da época (sim, o seu celular é muito mais poderoso que a tecnologia avançadíssima daqueles dias tão distantes).

A equipe enfrenta algumas dificuldades, mas o maior problema é um OVNI que se aproxima do ônibus espacial no exato momento de dispararem o satélite. Mesmo com a presença do objeto desconhecido, a equipe mantém o plano de lançamento, o que causa um acidente entre o satélite e o objeto não identificado (estranhamente, da forma como o observamos nesse momento, tal objeto ficcional lembra muito o design em “V” dos modernos jatos atuais…). O acidente gera uma explosão enorme, que acaba decapitando um dos astronautas, responsável pela solução de problemas com o módulo de lançamento. Os outros dois astronautas não sofrem danos e são trazidos de volta à Terra a bordo do ônibus espacial.

Tudo o que os astronautas veem é a explosão e seu colega decapitado, mas em terra, as equipes militares são mobilizadas com a invasão do espaço aéreo norte-americano. Também existe uma testemunha ocular, um civil que segue o pouso do objeto e consegue observá-lo por alguns segundos. Militares também observam um objeto circular e repleto de luzes.

No centro de comando, o responsável pela supervisão da operação à nível militar informa Washington sobre o ocorrido, mas o oficial não consegue falar diretamente com o presidente, ficando restrito ao secretário de defesa e ao chefe de gabinete do presidente.

A única testemunha ocular civil, um homem chamado Sam, procura a polícia para informar o que viu, mas ao chegarem no local, horas mais tarde, ele e o policial não encontram nenhum sinal do objeto avistado durante a madrugada. Já de volta à Terra, os dois astronautas são orientados a não falarem nada a respeito, e que as informações serão reveladas posteriormente em um relatório oficial. O objeto não identificado já está em uma instalação militar no Texas, conhecida como Hangar 18. Como ninguém ainda sabe do que se trata, a equipe do governo pretende abrir a aeronave antes de qualquer outro movimento, sendo que é fundamental que nenhum dos envolvidos fale a esse respeito. O silêncio também tem uma relação estreita com um problema bastante terreno: a aproximação das eleições presidenciais. Gordon Cain, chefe de gabinete do presidente, é o homem que está por trás da estratégia de manter tudo longe da imprensa e do público até o final das eleições presidenciais, que ocorrerá em duas semanas.

A fim de se blindarem, a força aérea e o governo soltam uma nota incriminatória na imprensa, onde os dois astronautas da NASA, Steve Bancroft e Lew Price são responsabilizados pela destruição do satélite e morte do colega astronauta. Steve e Lew recebem a ajuda da jornalista Flo Matson, relações públicas. Os astronautas descobrem na investigação que iniciam que boa parte dos dados do lançamento foram alterados e apagados, a fim de mantê-los como causadores da fatalidade. Eles também descobrem que alguns oficiais da base foram transferidos e substituídos, entre eles o vice-presidente da NASA, Harry Forbes.

No Hangar, diferentes profissionais (inclusive um perito em linguística, médicos e engenheiros de diferentes áreas) aguardam o momento para abrirem a aeronave alienígena e descobrir a natureza de seus tripulantes. Aparentemente, a nave escapou intacta da explosão, e foi conduzida de alguma forma para a Terra.

A tensão escalona muito bem quando chegamos perto desse OVINI e começamos a especular que tipo de seres estarão em seu interior. Os efeitos especiais até esse momento são bastante dignos, e para quem se aventurou em Independence Day e Prometheus, algumas coincidências de enredo certamente serão identificadas.

A nave se abre espontaneamente e parte da equipe começa a visitar seu interior, liderados pelo vice-diretor da NASA, Harry Forbes. A estética alienígena é levada bastante à sério, a linguagem escrita em caracteres diferenciados, até mesmo a estrutura interna e os trajes espaciais, encontrados vazios. Mas não fiquem desapontados, afinal, a nave ainda está tripulada.

Nas subtramas, temos Steve Bancroft e Few Price, os dois astronautas, tentando restaurar a verdade e se livrar das acusações que acabaram com suas carreiras, enquanto as equipes do governo fazem o oposto, descobrindo tudo o que podem sobre possíveis testemunhas e cuidando para que fiquem caladas. Bancroft e Price estão a caminho do local do pouso da aeronave, e consequentemente a caminho de um encontro com a principal testemunha, Sam Tate.

O mistério se aprofunda ainda mais na base, porque agora conhecemos os tripulantes da nave, e também algumas de suas intenções. Ao que tudo indica, eles estão coletando espécimes terrenas, e talvez fazendo testes e experiências com essas espécies. Na nave, os peritos encontram uma mulher em coma profundo, e a equipe médica procura reanimá-la para obter novas informações.

Com as principais cartas na mesa, infelizmente precisamos parar por aqui, mas não antes de falar sobre alguns detalhes técnicos desse filme. Hangar 18 não é um filme tolo, mas uma produção visionária, que leva a sério o fenômeno alien e os desdobramentos de uma possível captura de um desses equipamentos ou seres. A estética de tudo o que se refere ao OVNI é muito interessante, e isso inclui linguagem, aparência e objetivos. Apesar de não ser tão conhecido como deveria, Hangar 18 inegavelmente fez uma minuciosa pesquisa sobre o tema e influenciou uma enciclopédia de filmes modernos a seguir suas premissas. De uma maneira um pouco assustadora, esse filme de 1980 ainda consegue dialogar com o mundo atual, sobretudo quando os assuntos em destaque são a distorção da verdade, cortinas de fumaça, engenharia reversa, especulações genéticas, panspermia e queima de arquivos.

Para aumentar seu interesse, vamos deixar o trailer e as melhores imagens, mas vocês encontram o filme completo no Youtube.

Vale muito conhecer esse filme! Hangar 18 é um dos grandes!