
A ação militar dos Estados Unidos na Venezuela neste dia 3 de janeiro de 2026 colocou o Brasil em uma posição extremamente delicada. Além da proximidade geográfica, o governo brasileiro agora enfrenta uma pressão direta da Casa Branca que pode mudar os rumos da segurança e da economia nacional.
Crise na Fronteira e Refugiados
O impacto mais imediato ocorre no estado de Roraima. Com o ataque em Caracas e a captura de Nicolás Maduro, o Exército Brasileiro já registrou um aumento na movimentação de pessoas na fronteira em Pacaraima. O governo Lula teme que o conflito gere uma onda migratória sem precedentes, muito maior do que as vistas nos últimos anos, o que pode colapsar os serviços públicos na região Norte.
A Justificativa do Narcotráfico
Donald Trump justificou o ataque à Venezuela como uma operação de “combate ao narcotráfico internacional”, acusando o governo de Maduro de ser um cartel de drogas a céu aberto. Essa narrativa não para na Venezuela. Trump enviou uma solicitação formal ao Brasil exigindo que o governo declare as maiores facções criminosas brasileiras (como o PCC e o Comando Vermelho) como grupos terroristas.
O Impasse entre Lula e Trump
O presidente Lula, até o momento, mantém uma negativa firme a esse pedido. A análise do governo brasileiro é que:
-
Soberania: Aceitar essa classificação daria aos Estados Unidos uma base legal para, futuramente, realizar intervenções ou ataques em solo brasileiro sob a desculpa de “combater o terrorismo”.
-
Justiça Comum: O Brasil trata essas facções como crime organizado, sob a lei penal comum, e não como grupos políticos terroristas.
O Que Isso Pode Gerar para o Brasil?
A recusa de Lula em seguir o comando de Trump coloca o Brasil na mira de Washington. As consequências podem ser graves:
-
Sanções Econômicas: Trump já deu sinais de que países que não colaborarem na “guerra contra o terrorismo e as drogas” podem sofrer barreiras comerciais. Isso afetaria diretamente as exportações brasileiras (carne, soja e minério).
-
Isolamento Diplomático: O Brasil corre o risco de ser visto como um “porto seguro” ou conivente com o crime organizado aos olhos dos aliados dos EUA.
-
Pressão nas Forças Armadas: O Exército Brasileiro está em prontidão. Se o conflito na Venezuela se prolongar, o Brasil pode ser forçado a tomar um lado para evitar que a guerra civil vizinha transborde para dentro de nossas fronteiras.
Conclusão do Cenário: O Brasil tenta se equilibrar entre a defesa de sua soberania e a necessidade de manter relações com a maior potência do mundo. No entanto, com Maduro fora do jogo, o foco de Trump na América Latina parece estar se voltando para o controle das rotas de tráfico que passam pelo território brasileiro, o que promete um ano de 2026 de muitas tensões políticas.

Veja também
Imagens do ataque americano à Venezuela (vídeo)
EUA Atacam a Venezuela e Afirmam Ter Capturado Nicolás Maduro
Ex-presidente do Peru, Pedro Castillo, recebe sentença por tentativa de golpe