30/01/2026

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O Fim de uma Era: William Bonner Encerra 29 Anos de Jornal Nacional com Aplausos e Emoção




O jornalista mais longevo da bancada se despede do posto de editor-chefe para migrar para o Globo Repórter, deixando um legado que marcou a história da televisão brasileira com sua credibilidade, a icônica parceria com a ex-esposa e o pulso firme em sabatinas políticas.

Por Léo Lib, Caldas Novas GO

A noite de ontem (31 de outubro) marcou, oficialmente, o final de um dos ciclos mais longevos e influentes do telejornalismo brasileiro. William Bonner, que ocupou a bancada e a chefia de redação do Jornal Nacional (JN) por quase 29 anos, deu seu último “boa noite” como âncora do principal noticiário do país.

A despedida, que encerra o ciclo iniciado em 1996, foi carregada de emoção e de uma salva de palmas da redação, sendo o ápice de uma transição planejada há meses. Bonner deixa o JN, que agora será comandado por César Tralli ao lado de Renata Vasconcellos, para assumir um novo desafio no Globo Repórter a partir de 2026.

 

A Força da Bancada Compartilhada

 

A trajetória de Bonner no JN é indissociável da história afetiva da televisão brasileira, em grande parte devido à sua parceria com a ex-esposa, a jornalista Fátima Bernardes.

Entre 1998 e 2011, Bonner e Fátima dividiram a bancada, transformando-se em uma espécie de “casal 20” do jornalismo nacional. O entrosamento e a sintonia, visíveis mesmo nas coberturas mais tensas, fizeram com que o público os visse como a “família da TV”. O bordão “Onde está você, Fátima Bernardes?”, utilizado por Bonner quando a colega se ausentava, tornou-se um símbolo de carinho e profissionalismo.

A capacidade do casal de manter o profissionalismo após o divórcio, com Fátima e Bonner se reencontrando em diversas ocasiões nos bastidores, demonstra a maturidade que sempre pautou a relação de ambos, servindo de exemplo no ambiente midiático.

 

O Pulso Firme nas Sabatinas Históricas

 

Como editor-chefe e âncora, Bonner não apenas narrou a história do país, mas também a confrontou. Sua atuação como mediador e entrevistador em sabatinas eleitorais, especialmente nos últimos ciclos, solidificou sua imagem de guardião da informação.

Os debates e entrevistas com o ex-presidente Jair Bolsonaro em anos eleitorais são frequentemente citados como momentos de maior tensão. Em 2022, por exemplo, Bonner não hesitou em questionar o então presidente de forma direta sobre seus ataques às instituições e sobre a disseminação de fake news durante a pandemia. A exigência do jornalista de que as “regras seriam respeitadas” e suas perguntas incisivas, como: “O senhor pretendia dar um golpe?” entraram para a história como exemplos de jornalismo de fiscalização no horário nobre.

 

Um Legado de Credibilidade e Transição

Bonner ingressou na TV Globo em 1986 e, antes do JN, passou pelo SPTV, Jornal da Globo, Jornal Hoje e Fantástico. Sua permanência recorde de 29 anos no Jornal Nacional reflete a credibilidade que ele imprimiu ao telejornal.

Em sua despedida, ao lado de Renata Vasconcellos e de seu sucessor, César Tralli, Bonner demonstrou a serenidade de quem conclui um ciclo por escolha pessoal, citando o desejo de um novo ritmo de vida e a necessidade de “equilíbrio” entre o profissional e o pessoal.

A transição para o Globo Repórter, programa de reportagens especiais, sinaliza que Bonner continuará na linha de frente do jornalismo, mas com uma nova abordagem, deixando para Tralli e Renata a pesada, mas honrosa, tarefa de conduzir a principal vitrine da informação nacional.

O último “boa noite” de Bonner foi um momento de emoção, que encerra uma era e abre as portas para a próxima geração do telejornalismo brasileiro.