Fonte: Agências, Redação
O Rio de Janeiro amanheceu sob tensão nesta quarta-feira (29), após a megaoperação policial deflagrada na terça-feira (28) nos Complexos do Alemão e da Penha. A ação é marcada pelo luto e pelo caos, sendo considerada a mais letal da história do estado, com um balanço preliminar de 64 mortos — 60 suspeitos e 4 policiais.
A operação, que mobilizou mais de 2.500 agentes das Polícias Civil e Militar, teve como alvo principal a facção criminosa Comando Vermelho (CV).

Números Devastadores e Cenário de Guerra
A ação superou o número de vítimas da operação de 2021, no Jacarezinho, e imediatamente gerou repercussão internacional. Os principais dados da operação, segundo as autoridades, são:
- Mortes: 64 (incluindo 2 policiais civis e 2 militares do BOPE).
- Presos: 81, incluindo figuras ligadas ao setor financeiro do CV.
- Armamento: Pelo menos 75 fuzis apreendidos.
- Logística: Uso de drones, helicópteros e 32 blindados.
Imagens circuladas nas redes sociais mostram um cenário de “guerra urbana”, com intensa troca de tiros. Em retaliação, bandidos do CV sequestraram caminhões e ônibus, forçando o fechamento de importantes vias como a Linha Amarela e a Avenida Brasil, paralisando parte da cidade.
O Embate Político e a Falta de Apoio Federal
A tragédia das mortes rapidamente se transformou em um novo embate político entre o Governo do Rio e o Governo Federal.
O governador Cláudio Castro (PL) reconheceu que a ação excedeu as competências de segurança pública do estado, classificando-a como uma “operação de defesa” em uma guerra que exige apoio federal. Castro cobrou publicamente a falta de colaboração, alegando que pedidos anteriores de apoio de blindados militares foram negados.
O Ministério da Justiça, por sua vez, rebateu as críticas. Embora tenha se manifestado sobre o apoio em inteligência e o oferecimento de vagas em presídios federais, o Ministro Ricardo Lewandowski afirmou que não recebeu pedido formal para auxiliar a operação específica de ontem. A polarização do debate, que antecipa o ciclo eleitoral de 2026, continua a dominar os discursos de deputados no Congresso.

Cobranças por Direitos Humanos
A letalidade da megaoperação gerou imediatas reações de entidades de direitos humanos, Defensoria Pública e ONGs.
A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro emitiu uma Nota Pública manifestando preocupação com a grave tensão e o cenário de luto, prometendo continuar a defesa dos cidadãos fluminenses em situação de vulnerabilidade. Parlamentares criticaram a “naturalização da morte” e a exposição da população civil à linha de tiro, ressaltando que “segurança não se faz com sangue”.
O caso deverá ter novos desdobramentos hoje, com o STF e o Ministério Público cobrando explicações detalhadas sobre os protocolos e a justificativa para o alto número de mortes. A cidade segue em alerta máximo para novos atos de retaliação.

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