29/01/2026

Bocudo Caldas

Magazine Digital

Trump Critica Brasil, mas Acena a Lula na ONU




Nova York, EUA — A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), tradicionalmente palco de debates globais, se transformou em um cenário de tensão diplomática e imprevisibilidade ontem (23) com o discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que mirou o Brasil com duras críticas, mas surpreendentemente abriu a porta para um diálogo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A fala de Trump se deu logo após o discurso de Lula, que, sem citar o líder americano, havia feito ataques velados ao que chamou de “medidas unilaterais e arbitrárias contra a nossa economia e instituições”, em uma clara referência às recentes tarifas impostas pelos EUA e às sanções contra autoridades brasileiras em retaliação à condenação de seu aliado, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente brasileiro defendeu a robustez da democracia e do Judiciário do país, afirmando que a soberania nacional é “inegociável”.

 

Duras Críticas e Alerta de Fracasso

 

Donald Trump não hesitou em elevar o tom contra o Brasil, acusando o país de usar “censura, repressão, instrumentalização judicial, corrupção e ataques a críticos políticos nos Estados Unidos” em “esforços sem precedentes” para interferir nas liberdades de cidadãos americanos e de outros.

Em uma advertência que soou como um ultimato, Trump afirmou que o Brasil tem imposto “tarifas injustas” e que, por conta de suas ações, está fadado ao fracasso. Ele enfatizou que, como presidente, defenderá a soberania e os direitos dos americanos.

“Sem a gente, eles vão falhar como outros falharam,” alertou o presidente dos EUA.

 

Encontro Inesperado e “Química Excelente”

No entanto, em um dos momentos mais inusitados do dia, o líder americano quebrou o protocolo para relatar um encontro breve, de cerca de 30 segundos, com Lula nos bastidores da Assembleia.

“Eu vi ele, ele me viu e nos abraçamos,” disse Trump, descrevendo o momento como “cordial, com uma química positiva”. O presidente americano até elogiou o homólogo brasileiro.

“O líder do Brasil… parece ser um homem muito agradável. Eu gosto dele e ele gosta de mim. E eu gosto de fazer negócios com pessoas de quem eu gosto. Tivemos, ali, esses 30 segundos. Foi uma coisa muito rápida, mas foi uma química excelente. Isso foi um bom sinal,” revelou Trump.

Apesar das tensões, os dois líderes concordaram em realizar uma reunião formal na próxima semana. A data e o formato (presencial ou virtual) ainda serão definidos pelas equipes diplomáticas, mas o Palácio do Planalto já confirmou a aceitação do convite feito por Trump.

O aceno do presidente americano em meio a uma das piores crises diplomáticas recentes entre os dois países sugere uma complexa jogada política, misturando a pressão pública com uma busca por um canal de negociação direta com o líder brasileiro. Resta saber se esse “bom sinal” nos bastidores da ONU será suficiente para desarmar a escalada de hostilidade entre Washington e Brasília.