20/03/2026

Bocudo Caldas

Magazine Digital

Emily Carroll: “As histórias assustadoras em geral sempre me fascinaram”



Floresta dos Medos é um compilado delicado e sombrio de histórias para ler no escuro. Ao passearmos por essa floresta, nos deparamos com monstros, fantasmas e outras coisas mais que nos espreitam por entre as árvores. A autora, Emily Carroll, é conhecida no mundo dos quadrinhos e, em entrevista para o That Shelf, contou sobre a obra.

TS: Você pode descrever seu processo de montar Floresta dos Medos e como/se houve variação de seus outros quadrinhos? 

EC: Trabalhei no livro história por história, embora tivesse planos vagos para cada um dos quadrinhos quando comecei (embora “planos” possa ser uma palavra muito grandiosa, pois eram literalmente resumos de 1-3 frases). De certa forma, não variou muito de como eu costumo fazer meus quadrinhos da web, além do fato de que passei mais tempo com eles e que, é claro, estava lidando com páginas em vez da expansão (potencialmente) infinita de um site. E mesmo isso não foi uma mudança muito grande, foi apenas outro formato a ser explorado.

Em termos de processo, começo com scripts e esboços em miniatura, que são feitos simultaneamente, e a partir daí vou direto para a arte final. Isso realmente me ajuda a imaginar como todo o quadrinho vai ser sentido o mais rápido possível, só para que eu saiba do que sou capaz, em termos de habilidade e o que preciso ajustar. Então eu geralmente fazia uma página ou duas de arte finalizada (exceto edições) antes mesmo de terminar de organizar todo o roteiro. As coisas realmente se firmam enquanto eu trabalho; se eu esperasse até que meu roteiro estivesse absolutamente perfeito antes de começar, eu nunca começaria.

TS: O que te inspirou a escrever uma coleção de histórias assustadoras usando a floresta como tema?

EC: O tema da floresta só se revelou em retrospecto, na verdade — lidando com tantos contos de fadas como inspiração, acabo ambientando a maioria das minhas histórias em uma floresta misteriosa ou outra coisa parecida sem nem pensar nisso. Quando terminei o livro e olhando para trás em todas as histórias, foi o primeiro título que me veio à mente, até então a coleção tinha apenas um título muito temporário e genérico.

As histórias assustadoras em geral sempre me fascinaram e, embora eu leia todos os tipos e gêneros, quando se trata de criar minhas próprias histórias, tenho uma satisfação especial em obter uma assustadora [história] da maneira certa. Eu tenho feito tirinhas de web assustadoras há alguns anos, e acho que só queria enfrentar o desafio de capturar uma estranheza semelhante na página impressa também.

TS: Você escreve o que te assusta, o que você acha que vai assustar os outros, ou ambos? Alguma história em particular foi assustadora o suficiente para dificultar sua conclusão?

EC: Minhas próprias histórias geralmente não me assustam, só porque eu as conheço tão bem que perco aquela qualidade desconhecida da qual o horror tanto depende. Eu geralmente coloco tudo em torno de uma emoção central com a qual luto, algo que é facilmente acessível para a maioria das pessoas (como culpa, inveja, solidão) e depois uso isso como a espinha dorsal de qualquer horror que eu crie. Houve histórias que me deixaram bastante melancólica para trabalhar, mais do que realmente me assustaram.

TS: Você tem uma faixa etária específica em mente ao escrever?

EC: Na verdade, não penso muito em idade quando estou criando minhas próprias histórias — a menos que, no caso de algumas antologias em que participei, o trabalho seja especificamente voltado para crianças (e os editores geralmente procuram algo que não é deprimente ou excessivamente mortal). Minhas tirinhas e as histórias em Floresta dos Medos são histórias que criei apenas porque eram histórias que eu queria criar, e não pensei na idade do público durante essa criação. Acho que as crianças podem lê-las e tirar algo delas, e os adultos a mesma coisa, mas talvez coisas diferentes dependendo da pessoa. Pessoalmente, quando se trata do livro, é algo que eu teria lido quando criança, com certeza, mas cada criança é diferente. Acho que se eu pensei em uma faixa etária ao fazê-lo, mesmo inconscientemente, foi especificamente para a minha infância.

TS: As histórias de Floresta dos Medos parecem se passar em épocas diferentes, mas há uma atemporalidade geral em todas elas. Foi uma escolha consciente ou simplesmente se juntaram?

EC: Eu escolhi eras diferentes principalmente para que cada história tivesse um estilo distinto e não houvesse nenhuma confusão sobre se elas eram histórias ligadas/continuadas ou não. Isso, e — esta é a resposta idiota — porque eu gosto de desenhar trajes de época.

TS: Você tem uma história ou painel favorito nesta coleção?

EC: Na verdade, sim! Minha história favorita é “As Mãos de uma Moça são Frias“, em parte porque foi muito divertido trabalhar nesse estilo, e em parte porque ficou exatamente como eu queria que ficasse (o que é raro). Meus painéis favoritos no livro também são dessa história — a página sem palavras onde a personagem principal se senta para comer com seu novo marido pela primeira vez tem um lugar especial no meu coração.

fonte: DarkBlog | DarkSide Books.



Função "copiar" desabilitada