11/09/2026

Bocudo Caldas

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QR Codes são odiados como cardápio, mas amados para pagar

(FOLHAPRESS) – Os QR Codes tomaram a cidade. É difícil andar uma quadra sequer sem se deparar com os quadradinhos. Lojas, bares, postes e até catracas aderiram à tecnologia.

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São práticos e simpáticos. Apontar a câmera do celular para executar uma ação até parece um presente do futuro, mas os códigos de resposta rápida não são uma invenção nova.

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Foram criados em 1994, mas, até poucos anos atrás, só cumpriam papéis pontuais, como campanhas de marketing. Não parecia que tomariam conta do cotidiano.

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A pandemia mudou o cenário. O medo da transmissão da Covid-19 por superfícies fez com que o dinheiro em espécie fosse evitado, e mudou a forma como bares e restaurantes operam.

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Mesmo depois que se descobriu que a contaminação por superfícies é desprezível quando comparada ao ar, eles seguem fazendo parte da paisagem da cidade.

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A estreia do Pix, sistema de pagamentos do Banco Central, e a digitalização que acompanhou os benefícios do governo impulsionaram o uso dos QR Codes como meio de pagamento, afirma Willer Marcondes, sócio da consultoria e auditoria PwC Brasil.

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Adorados ou não, eles devem ficar e se espalhar mais. Segundo estudo da PwC, os pagamentos digitais -como aproximação do celular e QR Codes- devem crescer 80% no mundo até 2025. Até 2030, o número de transações per capita sem dinheiro em espécie será quase o triplo do nível atual.

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No Brasil, o número de transações por Pix usando QR Codes em agosto deste ano representou 17% do total, somando as categorias Dinâmico e Estático. Em 2021, era 7%. Tornaram-se tão populares que já são usados até para furtar dinheiro e dados.

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“Essa simplicidade que a tecnologia traz, de conseguir com qualquer celular identificar um destinatário e fazer um pagamento, explica esse crescimento”, diz Marcondes.

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Mas, enquanto os QR Codes como meio de pagamento são bem aceitos, o mesmo não ocorre para o sumiço dos cardápios de bares e restaurantes -agora substituídos pelos quadradinhos, adevivados em mesas ou em estandes plastificados.

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Nas redes sociais, é comum ver postagens sobre esse tipo de uso da tecnologia. Poucas são elogiosas.

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“O inventor do QR Code deve sentir a mesma coisa que Santos Dumont sentiu ao ver o avião ser utilizado como arma na guerra. Deve ser triste ver sua invenção sendo usada para o mal, como, por exemplo, substituir o cardápio físico nos restaurantes”, brincou um usuário no Twitter.

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A insatisfação vem do incômodo de pegar o celular durante uma refeição, centralizar o código na câmera como um tiro ao alvo e procurar pratos e bebidas como numa compra da Amazon. Além disso, quando são ofertados, muitos cardápios digitais são pouco intuitivos.

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A Goomer, empresa que oferece soluções digitais para estabelecimentos, diz que a adoção de QR Codes estagnou há quase um ano.

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“A demanda cresceu muito durante a pandemia devido à necessidade de não transitar cardápio físico entre os clientes. Porém, a experiência ficou comprometida e um pouco desacreditada, já que nem sempre era oferecida uma experiência boa”, disse Breno Nogueira, diretor de marketing da Goomer.

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“Agora, observamos outros produtos substituindo o código, como o tablet na mesa. Com o objetivo não mais de distanciamento, mas de melhoria do atendimento, aumento do ticket médio dos pedidos, e maior eficiência operacional, liberando os garçons para outras funções”.

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Para Paulo Solmucci, presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), é importante que os estabelecimentos ofereçam um bom cardápio digital –em oposição a um arquivo PDF ou foto– e cardápio físico para quem preferir.

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“Foi muito positiva a introdução do QR Code, da automação e da digitalização no setor. Mas, quando o restaurante insiste em ter só a tecnologia, ele gera um desconforto grande para vários clientes. Principalmente para aqueles que não gostam ou têm dificuldade”, disse.

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Hoje, a vantagem de usar os cardápios digitais está ligada à economia com custos de impressão e à possibilidade de alteração imediata de preços e produtos, importante em um cenário de alta nos preços dos alimentos.

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Acessibilidade também é uma questão-chave para a indisposição com os cardápios digitais. Enquanto restaurantes cujo público-alvo é mais jovem têm maior chance de sucesso com a introdução, aqueles que abrangem muitas faixas etárias correm risco de só afastar novos clientes.

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Isso porque acessar um QR Code requer, além de boa vontade, familiaridade com a tecnologia, celular compatível e internet estável. Uma série de pré-requisitos que tornam mais burocrático comer fora de casa.

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“É uma tendência em lugares despretensiosos e que cobram barato. Em lugares mais sofisticados, que têm um ticket médio mais alto, soa mais como rasgueiragem [besteira]. Isso pode afastar o cliente, que quer pegar mais caro por uma experiência completa”, diz Ian Olivier, do perfil O Crítico Antigourmet, no Instagram.

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“Uma das coisas que mais se reclama em restaurante é o fato das pessoas ficarem muito no celular e não convivendo, conversando. O QR Code acaba sendo um incentivo a esse tipo de situação. Você abre o cardápio no celular e aparece um monte de notificações. Então, em vez de se desprender um pouco da sua vida cotidiana e curtir aquele momento, você acaba voltando ao mundo real”.