WINDSOR, REINO UNIDO (FOLHAPRESS) – Windsor está acostumada a multidões. A cidade a 40 km de Londres é inundada por turistas principalmente no verão, quando suas ruas e pubs ficam cheios. E uma das grandes atrações é justamente o seu castelo, residência oficial da rainha Elizabeth 2ª.
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O local foi palco de grandes eventos da família real nos últimos anos, como o casamento do príncipe Harry com Meghan Markle, em 2018, e o funeral do príncipe Phillip, marido de Elizabeth, em 2021. Mas nada se compara ao que vai acontecer na segunda-feira (19), quando o corpo da rainha chegará do funeral de Estado, na Abadia de Westminster, em Londres, para o enterro na Capela Memorial Rei George 6º, no interior do castelo, em um cortejo.
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Um enorme esquema logístico e de segurança idealizado há anos já foi posto em prática. A área por onde o cortejo vai passar está cercada por grades, e banheiros químicos foram instalados. Há muito policiamento e ambulâncias estão de prontidão. Policiais a cavalo, drones e cães farejadores também compõem a operação.
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Quem pretende ir a Windsor e não se planejou com antecedência pode não ter onde passar a noite. A maioria dos hotéis está com vagas esgotadas até depois do funeral da rainha.
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Com o aumento das vendas por causa das centenas de milhares de visitantes, as lojas de lembrancinhas já se adaptaram. Em uma delas, uma bolsa com os dizeres “descanse em paz” e uma foto de Elizabeth está à venda por seis libras (R$ 36).
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“Não estamos fazendo isso pelo lucro”, diz um vendedor à Folha. “Turistas vêm aqui e nos pedem produtos relacionados a ela. Fizemos isso para que as pessoas tenham uma recordação deste momento.”
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O pub Two Brewers, ao lado do Castelo de Windsor, não vai abrir no dia do enterro em decorrência do feriado nacional decretado pelo rei Charles 3º. “Vamos fechar por respeito e para que nós possamos prestar nossas homenagens, para que os funcionários fiquem com suas famílias”, explica o gerente Stuart O’Brien.
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Ele conta que viu a soberana passar perto do pub inúmeras vezes e que o movimento aumentou muito nos últimos dias. Durante a visita da Folha, todas as mesas estavam ocupadas, mas a casa cheia não o fez mudar de ideia. “Estamos tão perto de onde tudo vai acontecer que não tivemos dúvidas de que deveríamos fechar as portas.”
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A poucos metros de distância do pub, turistas e locais deixavam flores na grade do castelo. Uma equipe, parte da organização do funeral, ajudava a tirar as dúvidas do público e pedia que retirassem o plástico ao redor dos buquês para facilitar a compostagem quando as flores murcharem. Também é uma questão de segurança, já que todas as noites as flores passam por um raio-x e são levadas para o jardim interno do castelo.
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Até esta sexta-feira, ainda era possível chegar e sair da região com alguma tranquilidade. Na segunda-feira, porém, o número de passageiros deve ser tão alto que a empresa responsável pelas operadoras de trem pediu que o público não tente fazer o trajeto Londres-Windsor e escolha apenas um dos dois locais para acompanhar as cerimônias de despedida da rainha.
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O casal Gillian e James Henderson mora há 35 anos em Windsor e via Elizabeth 2ª com frequência –muitas vezes dirigindo o próprio carro, ainda que ela não tivesse carteira de habilitação.
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“Era uma honra para nós, ela fazia Windsor ser especial. Vai ser triste dar adeus à rainha. Ela vinha aos fins de semana, não acho que o rei Charles virá”, conta Gillian. “Ela trabalhou duro e foi muito dedicada, era uma mulher adorável. Quero crer que ela e o príncipe Philip agora estarão unidos”, completou. Elizabeth será enterrada ao lado do marido, em uma cerimônia reservada apenas para a família real.
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Sentado no banco de uma praça no centro da cidade, o casal Henderson observava o movimento de visitantes. “Nos meus 82 anos de vida, nunca vi Windsor tão cheia, nem no casamento de Harry e Meghan”, diz James. Na segunda-feira, eles estarão perto do castelo mas, para evitar a multidão e possíveis tumultos, decidiram que o melhor lugar para dar o último adeus à rainha é em casa, pela televisão.

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