11/09/2026

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Homenagens à rainha lotam Londres de flores, e ursinhos não são bem-vindos

MARINA IZIDRO
LONDRES, INGLATERRA (FOLHAPRESS) – Quem chega ao Green Park, no centro de Londres, percebe na hora como a exímia organização britânica está em tudo que cerca o funeral da rainha Elizabeth 2ª, morta no último dia 8.

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Colocar homenagens na porta do palácio de Buckingham agora está proibido -o volume foi grande demais- e o parque, que fica ao lado, virou um dos pontos oficiais da cidade para prestar tributos à monarca.

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Aquilo que pode parecer detalhe -o que fazer, afinal, com flores e cartões deixados pelo público?- é, na verdade, uma operação cuidadosamente planejada, e há uma série de regras a seguir.

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Os visitantes são recepcionados em uma tenda onde organizadores, com tesoura em mãos, ajudam a retirar as embalagens plásticas dos arranjos. O público entra em uma grande área cercada por grades, com entrada e saída em locais diferentes, para facilitar o fluxo. No gramado, buquês e cartões estão empilhados, e as pessoas conseguem passear entre eles. Percorrer todo o trajeto, com calma, pode levar horas.

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O Royal Parks, organização que cuida dos oito parques de Londres que pertencem oficialmente à família real, incluindo o Green Park, criou um manual em seu site oficial com orientações para quem deseja levar tributos. Eles pedem que as pessoas respeitem a área demarcada, deem preferência para material orgânico e compostável, não levem balões ou ursinhos de pelúcia.

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Cartões e cartas são bem-vindos -eles serão recolhidos e encaminhados à família. Velas são permitidas em um local à parte, coberto por areia para evitar incêndios. Há mapas de como chegar e informações sobre as estações de metrô mais próximas.

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Segundo o Royal Parks, remover o plástico dos buquês ajuda na longevidade das flores e a agilizar o processo de compostagem das plantas que vai começar entre sete e 14 dias depois do funeral marcado para segunda-feira (19). As flores vão virar adubo que será usado nos próprios parques.

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Em Windsor, a operação é parecida. Visitantes ainda podem deixar flores nas grades do castelo que foi uma das residências oficiais de Elizabeth 2ª e onde ela será enterrada. Lá, o pedido para a retirada da embalagem também é por questão de segurança. Todas as noites, as flores passam por um raio-x e são levadas para o jardim interno.

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No início da semana, o grande volume de lixo plástico chamou a atenção de alguns moradores de Londres que, de forma voluntária, começaram a retirar embrulhos e separá-los para reciclagem, o que agora já é feito automaticamente pela maioria dos visitantes.

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A britânica Meghan Naylor, que trabalha para o sistema de saúde publico, o NHS, foi ao parque com uma amiga e levou um buquê de girassóis. Questionada pela reportagem se havia pensado na quantidade de lixo gerado pelas homenagens, disse: “Eu não havia pensado nisso, mas agora estou pensando. Quero acreditar que estão fazendo o descarte responsável de todo esse plástico.”

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Em uma conversa informal com a reportagem, um funcionário do parque mostrou um caminhão que estava sendo abastecido com os embrulhos e garantiu que tudo seria reciclado.

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Não há números oficiais sobre a quantidade de flores deixadas. Como elas estão sendo removidas com frequência, não serão vistas imagens como à época da morte da princesa Diana, quando buquês cobriram a entrada do palácio de Kensington, então sua residência. Estima-se que sessenta milhões de flores foram deixadas em memoriais.

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De qualquer forma, a demanda dos últimos dias está tão alta que foi preciso pedir ajuda aos produtores da Turquia, que estão enviando estoques de avião para que a remessa chegue em um dia, comparado à demora de uma semana se o trajeto fosse feito em caminhões. A expectativa é o envio de mais de 1,5 milhão de flores ao Reino Unido.

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De fato, há arranjos de sobra nas prateleiras dos supermercados ao redor do palácio de Buckingham, produto que deve estar entre os mais vendidos até depois do funeral.