14/09/2026

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Rússia acusa Ucrânia por explosão em ponte na Crimeia; Putin fala em ato terrorista

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Comitê de Investigação da Rússia, órgão que lida com crimes graves no país, afirmou neste domingo (9), em um relatório preliminar, que a explosão na ponte sobre o estreito de Kertch foi preparada pelo serviço secreto da Ucrânia. A estrutura liga o território russo à península da Crimeia, anexada em 2014.

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O presidente Vladimir Putin classificou o episódio como um ato terrorista. “Os autores, executores e patrocinadores [da ação] são o serviço secreto ucraniano”, disse o político em reunião com Alexander Bastrikin, chefe do comitê. “Não há dúvida. Trata-se de um ataque terrorista destinado a destruir estruturas civis criticamente importantes da Rússia.”

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De acordo com a agência RIA, o líder do órgão de investigação anunciou que vai abrir um processo criminal sob a acusação de terrorismo. Segundo ele, os suspeitos envolvidos na preparação da explosão já foram identificados por agentes do FSB (Serviço Federal de Segurança, uma das sucessoras da KGB).

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Embora ainda haja especulações sobre a origem da explosão, com especialistas citando a possibilidade de ela ter sido obra de algum tipo de embarcação não tripulada, a Rússia trabalha com a hipótese oficial de um caminhão-bomba. Bastrikin reportou a Putin que o veículo circulou por Bulgária, Geórgia e Armênia, além dos territórios russos de Ossétia do Norte e Krasnodar -era nesta última que vivia o dono do veículo.

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O caso ocorreu na manhã deste sábado (8) e foi considerado simbólico do momento negativo de Moscou na guerra, após uma série de reveses -a estrutura é vista como uma rota crucial de abastecimento para as tropas de Putin no sul do país vizinho.

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A explosão provocou um incêndio em um trem que transportava combustível e ao menos três pessoas morreram. No próprio sábado o presidente russo determinou a criação de uma comissão para esclarecer a explosão, destacando o FSB para reforçar medidas de proteção na ponte e na estrutura de eletricidade e gás que abastece a Crimeia.

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Neste domingo, mergulhadores avaliaram os danos no local, e o Ministério dos Transportes disse que trens de carga e de passageiros estavam funcionando normalmente, com o tráfego rodoviário permanecendo limitado -veículos pesados precisam usar um serviço de balsas.

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O caso desencadeou nova guerra de versões, seguindo o padrão do conflito, ainda que uma parte só tenha culpado a outra no dia seguinte, com a acusação de Putin.

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Um assessor de Volodimir Zelenski chegou, pouco após a explosão, a insinuar responsabilidade de Moscou. “O caminhão foi detonado entrando na ponte pelo lado russo, então respostas devem ser buscadas na Rússia”, escreveu Mikhailo Podoliak. Como outras autoridades ucranianas que citavam a ponte como alvo potencial, ele não escondeu a satisfação, dizendo que a ação era “só o começo”.

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Do outro lado, alas radicais em Moscou haviam definido a explosão como declaração de guerra de Kiev. Um membro do Parlamento da Crimeia disse que qualquer coisa menos do que uma resposta “extremamente dura” mostraria fraqueza, o que poderia ser a senha para uma ação nuclear tática -como já defendido por figuras como o ex-presidente Dmitri Medvedev, que citou “a destruição de terroristas” como resposta para a crise atual.

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O governador da Crimeia indicado por Moscou, Serguei Aksionov, também havia falado em “saudável desejo de vingança”. Neste domingo, porém, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, relativizou o risco de Moscou fazer uso de sua doutrina nuclear agora. “Você está fazendo a pergunta errada”, disse, segundo a agência Sputnik, quando questionado sobre o tema.

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A resposta mais concreta, porém, virá nesta segunda (10), na reunião de Putin com seu Conselho de Segurança. Peskov não quis confirmar se a explosão em Kertch será um tema do encontro.

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Segundo o jornal The New York Times, uma autoridade de Kiev confirmou, sob a condição de anonimato, que o serviço de inteligência da Ucrânia planejou a explosão, mas não soube dizer o que aconteceu com o motorista do caminhão ou se ele tinha conhecimento de que transportava bombas.

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A ponte de Kertch é simbólica da anexação, em 2014, da península da Crimeia pela Rússia, após a queda do governo pró-Kremlin na Ucrânia. Quatro anos depois, a gigantesca estrutura de 19 km de extensão foi inaugurada de forma pomposa, com Putin presente e definindo a conexão sobre o estreito que separa os mares Negro e de Azov como um milagre.

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Para além do simbolismo, a ponte hoje representa uma importante rota de abastecimento para as forças do Kremlin nas áreas de Kherson e Zaporíjia e no porto de Sebastopol, principal cidade da Crimeia. Ao buscar garantir que o episódio “não vai afetar muito” o abastecimento militar na região de Kherson, o vice nomeado pela Rússia, Kirill Stremousov, ponderou que sim, “haverá problemas de logística na Crimeia”.

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Ainda na seara da guerra de versões, o domingo teve acusações de terrorismo também pela parte de Kiev, depois que um ataque matou ao menos 13 pessoas e feriu 89 em uma área residencial de Zaporíjia, no sul da Ucrânia. A cidade integra uma das províncias recém-anexadas pela Rússia em referendos de fachada.

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“Zaporíjia novamente. Ataques impiedosos contra pessoas pacíficas novamente. Em prédios residenciais, bem no meio da noite”, escreveu Zelenski. “Mesquinharia absoluta. Mal absoluto. Selvagens e terroristas. Daquele que deu essa ordem a todos que a cumpriram. Eles vão assumir a responsabilidade.”

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O governador do lado ucraniano, Oleksandr Starukh, afirmou que pelo menos 12 mísseis foram disparados de aviões, danificando casas, blocos de apartamentos e centros educacionais. Dos 89 feridos, entre os quais dez crianças, 60 tiveram de ser hospitalizados.

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Foi o terceiro ataque em poucos dias à região considerada estratégica na guerra. Na quinta (6), um míssil destruiu um prédio residencial de cinco andares, matando ao menos três pessoas. Antes, a Ucrânia chamou de “cínico” um ataque também atribuído à Rússia contra um comboio de carros civis, que deixou ao menos 30 mortos no final de setembro.
Moscou nega reiteradamente ter civis como alvos.

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A crise deste fim de semana se dá num momento delicado da guerra, em que êxitos da contraofensiva ucraniana aumentaram a pressão sobre Putin, que determinou no mês passado a mobilização de 300 mil reservistas e acenou com treinamentos nucleares -após a decisão, o russo registrou a primeira queda de sua popularidade desde a invasão do vizinho, de 83% para 77%, segundo o instituto independente Levada.

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No front diplomático, os EUA informaram que continuarão a fornecer armas à Ucrânia. “Putin começou essa guerra, e Putin pode encerrá-la hoje, simplesmente retirando suas tropas da Ucrânia”, disse o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, John Kirby.

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Segundo ele, Washington não tem indicação de que a Rússia tenha tomado a decisão de usar armas nucleares e não há razão para mudar a postura americana a esse respeito. Em telefonema ao premiê alemão Olaf Scholz, o presidente Joe Biden chamou as ameaças do Kremlin de irresponsáveis.