11/09/2026

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Rússia eleva ameaça e diz que pode usar armas nucleares contra a Ucrânia

IGOR GIELOW (FOLHAPRESS) – A Rússia elevou ainda mais o grau de ameaça nuclear na Guerra da Ucrânia, afirmando pela primeira vez com todas as letras que pode atacar o país vizinho com a bomba atômica, “se for forçada”.

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As palavras, como sempre, partiram de um aliado linha-dura do presidente de Vladimir Putin, Dmitri Medvedev, ex-presidente (2008-12) e protegido do chefe que agora é número 2 dele no Conselho de Segurança da Rússia.

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Em seu canal Telegram, ele foi explícito sobre o emprego de artefatos nucleares contra a Ucrânia, algo antes apenas sugerido por ele e pelo próprio Putin não contra o vizinho, mas contra forças externas que interviessem de forma mais decisiva na guerra iniciada por Moscou em fevereiro.

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“Vamos imaginar que a Rússia seja forçada a usar a mais assustadora arma contra o regime ucraniano, que cometeu atos de agressão de larga escala que são perigosos para a própria existência do nosso Estado”, afirmou.

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“Eu acredito que a Otan [aliança militar ocidental] não vai interferir diretamente no conflito mesmo nesse cenário. Os demagogos do outro lado do oceano e na Europa não irão morrer num apocalipse nuclear”, completou.

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O cenário descrito por Medvedev é exposto após os Estados Unidos fazerem suas próprias ameaças em resposta à fala da semana passada de Putin, quando anunciou a mobilização de 300 mil reservistas enquanto promove a anexação de território ocupado na Ucrânia. O movimento visou conter a crise na campanha russa, após a perda de áreas no nordeste do vizinho para Kiev.

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O presidente sugeriu que um ataque às novas terras que considera sua será considerado uma ação contra a soberania russa, o que dentro da doutrina nuclear do país enseja a defesa com armas nucleares, mesmo que seja vítima de armamento convencional. Putin já vinha fazendo ameaças atômicas desde o início da guerra.

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O que Medvedev fez nesta terça (27) foi dar nome aos bois, repetindo que “certamente isso não é um blefe”, como Putin já havia dito. No domingo (25), o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, havia dito ter deixado explícito ao Kremlin que o emprego da bomba teria consequências “horríveis” –ou seja, retaliação nuclear.

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Na segunda (26), o Ministério da Defesa da Rússia fez sua parte no show e divulgou um exercício com parte da frota de bombardeiros estratégicos Tu-160, que podem empregar armas nucleares, com reabastecimento aéreo e testes de prontidão.

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Por óbvio, tanto Medvedev quanto Putin blefam um tanto ao falar de apocalipse, já que na origem do conceito de um ataque nuclear está a ideia de que você não o anuncia, justamente para ter alguma janela de tempo e evitar um contra-ataque letal.

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Mas suas falas abrem a possibilidade preocupante de preparar terreno para o emprego de armas nucleares táticas, aquelas de menor poder destrutivo e capacidade de contaminar o ambiente, para vencer batalhas contra alvos militares. As especulações apocalípticas são para as bombas estratégicas, aquelas que obliteram cidades inteiras, visando acabar com guerras.

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O problema apontado por especialistas é a fronteira entre o uso de uma e de outra arma, algo que não está na doutrina militar russa ou americana. Uma escalada imprevisível é a primeira opção na mesa.

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Mesmo o uso de bombas táticas é controverso, pois depende muito do terreno para ter eficácia sem exigir muitas detonações –aí sim amplificando o risco de um desastre ambiental. As bombas táticas têm capacidade destrutiva variável, usualmente em torno de 5 quilotons, um terço da potência da ogiva lançada sobre Hiroshima em 1945.

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Mas há modelos com um décimo disso, acomodáveis em maletas. Pensando num conflito centrado na Europa na Guerra Fria, a União Soviética acumulou um arsenal que especialistas creem ser de até 2.000 bombas táticas, ante 200 americanas. Só que isso não é controlado por acordos, então ninguém sabe exatamente.

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Já as armas estratégicas são reguladas, com cerca de 1.600 para cada lado signatário do tratado Novo Start, ironicamente assinado pelos russos por Medvedev em 2009. EUA e Rússia controlam 90% do arsenal nuclear do mundo.