RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Após os impactos econômicos da pandemia, o Brasil teve um salto no número de trabalhadores com renda mais baixa, de até um salário mínimo.
É o que indica um levantamento do economista Bruno Imaizumi, da LCA Consultores, a partir de microdados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).
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No segundo trimestre deste ano, o mais recente com estatísticas disponíveis, cerca de 35,6 milhões de trabalhadores (formais e informais) tinham renda de até um salário mínimo por mês (R$ 1.212). Em termos absolutos, o número representa um recorde na série histórica, iniciada em 2012.
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Os 35,6 milhões correspondiam a 36,6% da população ocupada com algum tipo de trabalho e com o rendimento detalhado nos microdados da Pnad (97,1 milhões).
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No segundo trimestre de 2019, antes da pandemia, o número de profissionais com renda de até um salário mínimo estava em 27,6 milhões (7,9 milhões a menos), o equivalente a 29,9% dos ocupados à época (92,5 milhões). O salário mínimo era de R$ 998 naquele ano.
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“Fica claro como ocorreu a recuperação do mercado de trabalho após o impacto da pandemia. O trabalho ficou mais barato”, diz Imaizumi.
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“A inflação incomodou o bolso das pessoas. Em um período de incerteza elevada, muitas aceitaram empregos com menor remuneração. E a recuperação veio primeiro via informalidade”, acrescenta.
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O levantamento aponta que o percentual de trabalhadores com renda de até um salário mínimo permaneceu acima de 30% da população ocupada ao longo de toda a crise sanitária -e ainda não mostrou grandes sinais de alívio.
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A maior porcentagem da série histórica foi registrada no segundo trimestre de 2020, na fase inicial da pandemia: 36,9%. À época, 30,6 milhões de um total de 82,9 milhões ganhavam até o mínimo.
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A Pnad é uma pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que retrata tanto o mercado de trabalho formal quanto o informal.
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Em outras palavras, abrange desde os empregos com carteira assinada e CNPJ até os populares bicos. Os microdados analisados por Imaizumi passaram por ajuste sazonal.
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Os informais não têm renda fixa, tampouco reajustes assegurados pela inflação. Porém, uma parte deles até pode se balizar pelo mínimo na hora de ofertar trabalho, segundo Imaizumi.
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“O salário mínimo atinge mais o trabalhador formal. Aquele informal que tem mais qualificação até pode se balizar pelo mínimo. Mas o menos qualificado não está pensando nisso. Há níveis diferentes de informalidade.”
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O salário mínimo virou ponto central de debates às vésperas do segundo turno das eleições. O motivo foi a revelação por reportagem da Folha de um plano do ministro Paulo Guedes (Economia) que poderia resultar em mudanças na forma de correção do mínimo e de aposentadorias.
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Na prática, a medida abriria possibilidade de o reajuste anual dos benefícios não levar mais em conta a inflação passada, regra em vigor atualmente.
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Após a repercussão, Guedes negou mudar a regra “durante o jogo”, mas sinalizou ser favorável à desindexação. O plano gerou uma enxurrada de críticas de adversários e foi usado como munição contra o governo Jair Bolsonaro (PL) na fase final da campanha.
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Guedes chegou a associar a divulgação da proposta a militantes petistas que estariam infiltrados no Ministério da Economia.
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Faixas com renda maior encolhem Enquanto o número de trabalhadores com renda de até um salário mínimo aumentou no país, os grupos de profissionais com rendimentos mais altos encolheram durante a pandemia, indica o levantamento de Imaizumi.
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No segundo trimestre deste ano, o contingente que recebia entre um e dois salários mínimos foi estimado em 31,2 milhões, o equivalente a 32,1% da população ocupada com trabalho formal ou informal.
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Em igual intervalo de 2019, antes do coronavírus, estava em 32,3 milhões (1,1 milhão a mais). A parcela representava 34,9% da população ocupada à época.
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Já o grupo que recebia mais de dois salários mínimos ficou em quase 30,4 milhões no segundo trimestre deste ano, cerca de 2,2 milhões abaixo dos 32,5 milhões de 2019.
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A participação na população ocupada atingiu 31,3% entre abril e junho de 2022, inferior ao percentual de 35,2% verificado em igual trimestre de 2019.
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“Não dá para comemorar tanto a situação do mercado de trabalho. Em termos de aumento da ocupação, ok. Mas o fato é que o trabalho ficou mais barato na pandemia”, analisa Imaizumi.

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