11/09/2026

Bocudo Caldas

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Contra ômicron, estudos sugerem reforço de Pfizer ou Astrazeneca após Coronavac

(FOLHAPRESS) – Duas novas pesquisas trazem mais evidências a favor da chamada mistura vacinal (esquema heterólogo) na vacinação contra Covid.

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Os estudos, conduzidos no Brasil, avaliaram a eficácia em vida real (ou efetividade) das vacinas para proteger contra a Covid sintomática (ter ou não sintomas da Covid), hospitalização e óbito, e a proteção conferida por anticorpos neutralizantes (capazes de barrar a entrada do vírus nas células) no período da ômicron.

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Apesar de serem dois estudos independentes, os achados foram semelhantes: duas doses de Coronavac seguidas de uma terceira dose do mesmo imunizante (esquema chamado homólogo) conferem uma baixa proteção, enquanto uma dose adicional de Pfizer ou Astrazeneca é mais eficaz contra casos sintomáticos, hospitalização e óbitos, além de conferir uma alta produção de anticorpos neutralizantes.

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A primeira pesquisa, publicada na última quinta (6) na revista científica Nature Communications, avaliou indivíduos com resultado de teste do tipo RT-PCR ou antígeno positivo para o coronavírus e com aqueles com resultado negativo de um total de 1,24 milhão de testes, no período de setembro de 2021 a abril de 2022. Os dados deste estudo já haviam sido divulgados em abril.

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Os cientistas encontraram uma queda significativa na eficácia das vacinas contra a ômicron tanto para Covid sintomática quanto para hospitalização e óbito, em todas as vacinas. Essa queda, no entanto, era maior para indivíduos que receberam três doses da Coronavac em comparação com aqueles que receberam duas doses de Coronavac e o reforço com Pfizer ou Astrazeneca.

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Já o segundo estudo, divulgado também na quinta (6) na plataforma medRxiv na forma de pré-print (ainda sem revisão por pares) comparou os níveis de anticorpos produzidos contra a proteína S do Spike (ou espícula, usado pelo vírus para entrar nas células), contra a região de ligação do receptor (conhecida pela sigla RBD, em inglês) e de anticorpos neutralizantes até 28 dias após uma dose de reforço em indivíduos que receberam duas doses de Coronavac de novembro de 2021 a fevereiro de 2022.

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Os resultados indicam que naqueles com o esquema homólogo a produção de anticorpos neutralizantes contra a variante ômicron era muito reduzida.

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Por outro lado, nas pessoas que receberam duas doses de Coronavac e uma terceira dose de Pfizer ou Astrazeneca houve aumento na taxa de anticorpos dos três tipos (anti-Spike, anti-RBD e neutralizantes), incluindo daqueles específicos contra a ômicron.

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Quando separadas por faixa etária (maiores ou menores de 50 anos), a produção de anticorpos após três doses de Coronavac era mais acentuada nos mais jovens, embora também fosse menor do que nos indivíduos com esquema vacinal heterólogo.

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O infectologista e pesquisador da Fiocruz Julio Croda, que participou dos dois estudos, explicou que ambos fornecem evidências para o melhor aproveitamento das vacinas atualmente em uso no país.

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“Enquanto os dados de eficácia em vida real indicam que a terceira dose, especialmente para as pessoas mais velhas, deve ser de um esquema heterólogo, os dados laboratoriais dão os primeiros resultados sobre a proteção humoral [de anticorpos] contra a ômicron, indicando uma redução significativa de anticorpos da Coronavac frente à ômicron mesmo com três doses”, afirma.

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Com a ômicron, as vacinas em todo o mundo tiveram suas eficácias reduzidas, especialmente na proteção para infecção. No entanto, algumas vacinas possuem uma redução muito mais acentuada do que outras, quando comparadas às respostas protetoras de anticorpos.

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Já a resposta celular, mecanismo importante de defesa do nosso corpo, não foi avaliada e deve manter bons índices de proteção, especialmente contra hospitalização e óbito, afirmam os especialistas.

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“Existe uma proteção de anticorpo anti-Spike e anti-RBD, mas ela é mais acentuada para a variante ancestral, enquanto para as VOCs [variantes de preocupação] importam mais os anticorpos neutralizantes. Nesse contexto, um reforço heterólogo é mais eficaz em indivíduos vacinados com Coronavac”, explica.

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Para ele, esses dados são importantes, pois podem ajudar a coordenar as estratégias de vacinação. “É claro que qualquer vacina é melhor do que nenhuma vacina, então em grupos que ainda não foram vacinados, como as crianças de 3 a 4 anos, é melhor um esquema primário com Coronavac do que nenhum. Mas nos adultos que já receberam duas doses é mais eficiente que a terceira dose seja diferente”, diz.