11/09/2026

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Morte de mulheres por doença cardíaca precisa cair 30% até 2030, dizem médicos

(FOLHAPRESS) – A mortalidade feminina por doenças cardíacas precisa ser reduzida em um terço até 2030 no Brasil, segundo entidade médica.

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Para isso, medidas de prevenção de fatores de risco, bem como campanhas de conscientização para o público leigo e treinamento de profissionais de saúde, especialmente de atenção primária, devem ser implementadas com urgência.

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Essas são as principais conclusões de um posicionamento publicado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) sobre a saúde cardiovascular nas mulheres. 

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As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em homens e mulheres por enfermidade no Brasil, segundo dados do DataSUS. No caso das mulheres, as doenças cardíacas possuem maior mortalidade do que todos os tipos de câncer.

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Entre os principais tipos de doenças cardiovasculares nas mulheres estão a doença isquêmica do coração (infarto) e o acidente vascular cerebral (AVC), cuja mortalidade é maior em mulheres do que em homens.

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Apesar de a prevalência de doenças cardíacas ter aumentado nos últimos anos tanto em homens quanto mulheres, até 2011 ela era maior nas mulheres do que nos homens. Porém, nos últimos anos, aumentou o número de infartos em mulheres jovens, de 35 a 54 anos, com crescimento de fatores de risco também nessa população, como obesidade, hipertensão e diabetes.

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Ainda de acordo com a SBC, há fatores específicos do sexo feminino, como a menopausa e as doenças relacionadas à gestação, especialmente da gravidez na adolescência, com aumento dos riscos de complicações maternas e do bebê.

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Segundo Celi Santos Marques, uma das organizadoras do texto e membro do Departamento de Cardiologia da Mulher da sociedade, os riscos de morte nas mulheres são mais elevados do que nos homens quando apresentam doença cardiovascular.

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“A mulher não deve adoecer. Se ela adoece, a literatura científica nos diz que ela vai ter uma doença com maior risco de morbimortalidade [agravamento das condições com risco à morte], por isso é preciso tratar e prevenir os fatores de risco”, diz.

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Além disso, um fator adicional que foi incluído nesta edição do guia diz respeito à síndrome do burnout (esgotamento), que teve maior incidência nas mulheres durante a pandemia do que nos homens.

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De acordo com a nota, as mulheres se sentem mais sobrecarregadas com a jornada dupla de trabalho, o que contribui para as altas taxas de burnout nesta população. Uma das medidas para prevenção seria melhorar a assistência à saúde mental das mulheres, com a identificação dos sintomas de ansiedade e depressão, que podem melhorar a qualidade de vida e diminuir os riscos de doenças cardiovasculares.

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Fatores hormonais, como a maior presença nas mulheres da chamada síndrome de Takotsubo, causada pela deficiência de estrogênio e que pode levar a infartos pós-menopausa, também geram uma maior preocupação de doenças cardíacas nesta faixa etária, embora não haja evidências que a reposição hormonal tenha impacto na redução desse risco.

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O diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, o excesso de sobrepeso e a maior taxa de hipertensão nas mulheres, especialmente nas mulheres negras e mais vulneráveis socialmente, mostra ainda a desigualdade social da doença cardíaca no Brasil.

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No novo documento apresentado pela SBC, os especialistas recomendam como principal forma de prevenção melhorar a atenção primária à saúde, com orientação para os agentes comunitários de saúde para abordar os aspectos da saúde da mulher que podem levar ao risco elevado de doença cardiovascular, como pré-natal, controle de colesterol, obesidade e diabetes e hipertensão.

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Regina Coeli Marques de Carvalho, cardiologista membro, a saúde da mulher deve ser entendida na singularidade do sexo feminino. “É preciso levar em consideração os fatores que são de qualidade de vida, sobrecarga e de psicologia da mulher para diminuir o risco de doença cardiovascular”, disse.