12/09/2026

Bocudo Caldas

Magazine Digital

PF busca financiadores de jovem apontado como hacker que atacou ConecteSus

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A Polícia Federal analisa as transações financeiras e os valores encontrados em criptomoedas com Thiago Nathan, 24, para avançar nas investigações sobre possíveis financiadores ou compradores de informações que a corporação diz terem sido roubadas por ele.

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O rapaz foi preso no último dia 19 pela PF na cidade de Feira de Santana (BA), pela suspeita de que ele seja o principal hacker do Lapsus$ no Brasil. O grupo é apontado como responsável pela invasão e derrubada de sistemas de órgãos públicos e de empresas no Brasil e no exterior.

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A reportagem não localizou a defesa de Nathan.

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Antes de ser preso, Nathan havia sido alvo de busca e apreensão em 16 de agosto. Durante a ação em sua casa na Paraíba, a PF apreendeu dezenas de terabytes de arquivos armazenados por ele e encontrou os registros de suas transações com criptomoedas.

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Também foram cumpridos mandados de buscas em Minas Gerais, no Paraná e em Santa Catarina para apurar os crimes de organização criminosa, invasão de dispositivo informático e lavagem de capitais.

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Até o momento, foram encontrados os registros de cerca de R$ 15 milhões em criptoativos de Nathan. A PF também descobriu que ele possui uma propriedade rural avaliada em R$ 2 milhões.

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A Folha de S.Paulo apurou que parte dos valores em posse dele é proveniente da venda de banco de dados de instituições que, segundo a polícia, foram roubados por ele.

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A partir de agora, o objetivo é descobrir se o restante tem origem em financiadores dos ataques aos sistemas de órgãos públicos e empresas ou em compradores do conteúdo roubado dos alvos.
A investigação tramita na DIP (Diretoria de Inteligência Policial) da PF e conta com o apoio de peritos especializados em crimes cibernéticos e em informática para analisar o material coletado com Nathan.

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Segundo relato de investigadores ouvidos pela reportagem, o material aprendido mostra como o rapaz era o principal nome do Lapsus$ no Brasil e a abrangência dos alvos dele.

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Além dos já conhecidos, a PF mapeia agora no material apreendido a existência de outras empresas e pessoas vítimas do grupo.

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No Brasil, o grupo promoveu ataques contra sistemas do Ministério da Saúde, da CGU (Controladoria-Geral da União), do Ministério da Economia, da Enap (Escola Nacional de Administração Pública), da ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre), da PRF (Polícia Rodoviária Federal), dos Correios, entre outros.

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Um desses ataques, em dezembro do ano passado, tirou do ar o ConecteSUS, responsável pelo certificado nacional de vacinação. À época, os usuários que acessavam a plataforma eram informados da cópia e roubo dos dados pelo grupo. “Nos contate caso queiram o retorno dos dados”, dizia a mensagem.

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O grupo também é suspeito por ataques às empresas Microsoft, Samsung, Nvidia, Localiza, Sociedade Independente de Comunicação, canal televisivo privado em Portugal, e Electronic Arts.

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Nos EUA, o FBI emitiu um comunicado pedindo ao público ajuda para obter informações sobre o Lapsus$.

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No fim de março, sete jovens com idades entre 16 e 21 anos foram presos no Reino Unido sob suspeita de fazerem parte do Lapsus$. Dois deles, de 16 e de 17 anos, foram acusados no dia 1º de abril, mas acabaram liberados após o pagamento de fiança.

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No Brasil, a PF afirmou à época da operação contra Thiago Nathan que o grupo é “uma organização criminosa transnacional dedicada à prática de crimes, visando entidades públicas e privados no Brasil, Estados Unidos, Portugal e Colômbia”.

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Como mostrou a Folha de S.Paulo, o método de atuação do Lapsus$ para invasão dos sistemas se caracteriza por trancar as equipes para fora desses serviços, roubar dados e códigos-fonte e extorquir valores dos alvos.

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Na extorsão, eles oferecem em troca de pagamento a restauração do sistema e a preservação das informações sem vazamento dos dados.

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Isso os diferencia de outros grupos especializados em crimes cibernéticos que utilizam “ransomware” (programas maliciosos que bloqueiam o acesso a dados por meio de criptografia) para praticar extorsões contra os alvos com a promessa de liberar o acesso após o pagamento.

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Dessa forma, em vez dos programas maliciosos, o grupo se vale da engenharia social para os ataques. Usam, por exemplo, mensagens falsas e contato com o suporte técnico da empresa alvo se passando por um funcionário.

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O grupo também se vale da compra de credenciais de acesso na “dark web” e da cooptação de funcionários para facilitar a entrada nos sistemas.

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A busca por funcionários das empresas é feita em fóruns da internet em que chegam a oferecer US$ 20 mil (R$ 100 mil) para funcionários de empresas de telefonia no exterior e R$ 50 mil no Brasil.