12/09/2026

Bocudo Caldas

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Advogado comprou carro para matar ex no PR; crime teria relação com neto

CURITIBA, PR (UOL/FOLHAPRESS) – O advogado Jaminus Quedaros Aquino, 59, preso nesta quinta (3), em Curitiba (PR), comprou um carro novo para usar numa espécie de armadilha contra a ex-companheira Suellen Helena Rodrigues, 29, morta quando tentava deixar os dois filhos, de 7 e 10 anos, na escola.

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Ele ficou esperando por cerca de 40 minutos dentro do veículo, que a vítima desconhecia, até que ela se aproximou o bastante com as crianças para ser surpreendida e abordada. Segundo familiar, o crime teria sido motivado por uma vingança envolvendo o neto de Aquino.

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De acordo com fontes da reportagem, cujas informações foram confirmadas pelos advogados do investigado e da família da vítima, no dia 29 do mês passado, Jaminus saiu de Prudentópolis e foi até o município de Guarapuava. Lá ele comprou o carro usado na ação criminosa, um Cruze branco. No dia 31, ele seguiu para a capital paranaense e foi até à escola onde os filhos começariam a estudar. No local, ele matou Suellen com cinco tiros na frente dos filhos do casal.

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“Assim que saiu a notícia do carro que ele usou para matar a Suellen, nós recebemos uma informação de uma pessoa que afirmou que ele comprou esse carro na sexta-feira, em uma revendedora de veículos que fica no centro de Guarapuava. Outras informações sobre a localização dele também chegaram pra gente”, afirmou o advogado da família de Suellen, Jackson Bahls.

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O ex-policial civil fugiu após o crime para a casa de um cliente que tem em Curitiba. Ele ficou na casa desse homem – que ainda não foi identificado pela Polícia Civil – até a madrugada de terça-feira. Pela manhã, ele chegou a cidade de Guamiranga, onde buscou abrigo em uma comunidade de ciganos. Com ajuda de algumas pessoas ligadas a esse grupo, abandonou o carro em uma estrada e ficou isolado até a polícia descobrir onde ele estava.

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Jaminus escapou antes de ser preso e, usando outro carro, foi até um hotel de Ponta Grossa, onde ficou escondido. Ele fez contato com uma colega advogada que o ajudou a contratar outros dois profissionais que passaram a atuar em sua defesa.

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De acordo com o advogado Tainan Felix Laskos, encarregado da defesa de Aquino, ele foi orientado a permanecer calado e só deve falar diante de um juiz e se limitou a dizer que o caso será acompanhado pela equipe. “Vamos acompanhar todo o processo dele. Nós não sabemos por onde ele andou esses dias”, disse.

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CRIME MOTIVADO POR VINGANÇA

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De acordo com familiares, Jaminus agiu por mais de uma motivação. Entre as questões estavam o fato da mulher querer distância dele e ele não aceitar desfazer o casamento e a questão que ele tem a guarda de um dos netos, que morava com o casal, situação que não seria aceita por Suellen. O casal estaria brigando muito porque os cuidados com a criança estariam sendo feitos apenas pelo advogado e policial civil aposentado.

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“Ele disse que um dos motivos de tantas brigas era por causa do neto dele, de 1 ano e 9 meses, que ele tinha a guarda. O menino tem síndrome de dowm e recentemente passou por uma cirurgia no coração. Ele disse que Suellen não aceitava muito bem a criança”, afirmou um primo de Jaminus, que não quis ser identificado.

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O advogado da família da vítima, no entanto, diz que Suellen sempre tratou a criança como um filho. “Essa informação não é verdadeira. Suellen, assim como os familiares dela, sempre trataram o menino bem, como filho”, afirmou Jackson Bahls à reportagem.

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“ELE VAI FAZER ALGO PRA MIM, EU SINTO”

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Dias antes de morrer, a autônoma da área de estética procurou uma advogada na cidade para ajudar a se proteger do ex. Em uma conversa, ela chegou a dizer que sentia que algo de ruim estaria bem próximo de acontecer. “Ele não tem medo de nada e não vai parar, não adianta. Ele tá muito transtornado. Ele vai fazer algo pra mim, eu sinto isso, dra”, contou a jovem em uma troca de mensagens de texto.

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Jaminus começou a perseguir Suellen na região depois que ela saiu de casa, no último dia 17. Em várias mensagens, ela dizia que precisava fugir da cidade e implorou por socorro.

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“A Suellen vivia em um relacionamento abusivo há muito tempo. Quando ela decidiu pôr fim nisso, ele não aceitava. Perseguia ela sempre. Até que ela conseguiu a medida protetiva e foi embora da cidade. Ele, como um ex-policial experiente, não teve muita dificuldade para achar ela e cometeu essa covardia”, disse o advogado da família Jackson Bahls.

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O irmão de Jaminus, Apgaua de Aquino, afirmou que espera que ele pague pelo crime que cometeu. “A gente ficou surpreso com o que ele fez. Não aceitamos isso e ele errou. Agora ele tem que ser responsabilizar pelo erro dele. Nós estamos muito tristes com isso tudo”.