11/09/2026

Bocudo Caldas

Magazine Digital

Como deepfakes assombram eleições e pavimentam o futuro da arte

GUSTAVO ZEITEL
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Letras garrafais na tela anunciam um “encontro de dois bandidos”. Ao primeiro estrondo da vinheta do Jornal Nacional, se segue a voz de William Bonner, repetindo o dizer do vídeo. Nesse momento, o candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, cumprimenta o vice, Geraldo Alckmin, do PSB. “Perdão, imagem errada. A imagem seria de outro ladrão, digo, de um ladrão de verdade”, disse Bonner, como se constrangido por uma gafe.

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Publicado no TikTok há dois meses, o vídeo de 14 segundos se alastrou por todas as mídias sociais, compartilhando o conteúdo falso. O jornalista nunca enunciou aquelas palavras e tampouco existiu uma edição do telejornal com a mesma montagem. Se há quatro anos os eleitores descobriram o perigo das fake news, a manipulação em imagem e som do Jornal Nacional prenunciou o uso dos deepfakes nestas eleições.

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Forma mais engenhosa de falsear notícias e enganar pessoas, “deepfake” significa em português “mentira profunda”. A palavra surgiu há cinco anos, num fórum da rede social Reddit. Nela, um usuário de nome Deepfakes produziu montagens em que atrizes de Hollywood, como Gal Gadot, a Mulher-Maravilha, surgiam em cenas de sexo explícito.

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Em linhas gerais, inteligência artificial é usada para mostrar pessoas fazendo coisas que jamais fizeram. A técnica empregada pelo usuário anônimo consistia em criar um algoritmo –um conjunto de regras e padrões lógicos– para treinar uma rede neural –isto é, modelos computacionais inspirados no cérebro humano– a sobrepôr voz e imagem da vítima escolhida ao rosto da pessoa do vídeo original.

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Nos programas que executam as montagens, as redes neurais mapeiam o rosto a ser copiado, ajustando a movimentação de lábios e olhos. O escaneamento do modelo se repete, até que a sobreposição se torne a mais realista possível. A pornografia ainda responde por boa parte das edições, mas os deepfakes têm uma estética particular. Com os anos, a técnica se tornou a um só tempo fonte de desinformação, debates políticos e inspiração artística.

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Diretor do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp, Anderson de Rezende Rocha afirma que os deepfakes mais realistas são feitos com poderosas GPUs –as unidades de processamento gráfico do computador.

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Além de investir dias na elaboração dos vídeos, a produção de um deepfake demanda uma boa quantidade de dados da vítima. Por isso, é tão mais comum encontrar montagens de pessoas famosas. Afinal, William Bonner tem muito mais imagens na internet do que um anônimo.

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“Estamos acompanhando o surgimento das realidades sintéticas”, diz Rocha. Alguns aplicativos para telefone geram deepfakes em alguns minutos, mas a qualidade da manipulação é bem inferior aos vídeos feitos com poderosas placas de vídeo.

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Segundo Rocha, as montagens podem ser detectadas na qualidade da imagem, em sua borda e textura, ou na fluidez do vídeo, se é trêmulo ou tem arroubos entre os quadros. Nas eleições, as redes sofrem com uma enxurrada de vídeos manipulados, mas nem todos são deepfakes.
“Às vezes o autor combina inteligência artificial com programas de edição, então fica difícil identificar o deepfake”, ele afirma. “Está uma confusão muito grande.”

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Quando faltavam duas semanas para o primeiro turno, o Jornal Nacional voltou a ser alvo de edições audiovisuais. Num vídeo compartilhado no Twitter, no WhatsApp e no YouTube, a apresentadora Renata Vasconcellos mostrava uma pesquisa do Ipec em que o candidato Jair Bolsonaro, do PL, aparecia liderando a corrida eleitoral, com 44% dos votos contra 32% de Lula.

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No dia 19 de setembro, os apresentadores do telejornal tiveram de rebater as informações falsas. Bolsonaro nunca esteve à frente nas pesquisas, e a realidade indicava justamente o oposto –o petista com 44%, seguido por Bolsonaro, com 32%.

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Na ocasião, os apresentadores classificaram o vídeo como mais um deepfake, mas especialistas esclareceram que a montagem havia sido feita em programas de edição tradicionais. Do mesmo modo, outro vídeo falso surgiu pouco tempo depois. Nele, a dupla de apresentadores mostrava uma suposta pesquisa que indicava a liderança do atual presidente por 51% contra 43% de Lula.

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Segundo Ester Borges, coordenadora da área de informação e política do InternetLab, um centro de pesquisa independente, pouco importa se o vídeo é um deepfake ou não. As montagens enganam os eleitores, num contexto de guerra informacional em que os vídeos têm primazia entre as formas de comunicação.

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A adulteração de imagem e áudio, porém, representa um desafio ainda maior no combate à desinformação. “É mais difícil que as pessoas busquem a checagem de fatos, com técnicas mais aprumadas de manipulação dos vídeos”, diz ela.

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Monitorando as redes, Borges percebeu que, no primeiro turno, a maior parte das fake news lançava dúvidas sobre a lisura das urnas. No segundo turno, ela conta que o debate se voltou às pautas de costumes –os apoiadores de Bolsonaro afirmam que Lula tem pacto com o Diabo, enquanto surgem informações falsas sobre maçonaria, tentando atingir o candidato à reeleição.

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Se em 2018 o disparo de mensagens em massa no WhatsApp foi uma das táticas mais usadas entre os bolsonaristas, agora os eleitores parecem evitar grupos com muitos integrantes. O estudo “Os Vetores da Comunicação Política em Aplicativos de Mensagens: Hábitos e Percepções do Brasileiro”, realizado pelo InternetLab em parceria com a Rede Conhecimento Social, aponta um crescimento de 12 pontos percentuais para o Telegram, usado por 43% dos entrevistados. Já o TikTok, segundo Borges, também é bastante acessado, mas sobretudo pelos jovens.

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Camilo Aggio, que dá aulas de comunicação social na Universidade Federal de Minas Gerais, a UFMG, pensa que os deepfakes ainda não causaram danos à democracia, tal como alardeado há cinco anos.
“O deepfake causa um desnorteio em muitas pessoas, aumentando a cacofonia nas redes”, ele diz. “Mas um vídeo não vai mudar o voto de um bolsonarista ou de um lulista, as pessoas tendem a repassar as fake news que ativam suas convicções.”

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Segundo Aggio, atribuir exclusivamente à imprensa a responsabilidade de controlar a massa de desinformação nas redes é uma injustiça. “Não que o jornalismo não deva cumprir seu papel, mas as redes sociais precisam ser responsabilizadas pelo conteúdo que gerenciam”, afirma.

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Na tarde do dia 14 de outubro, Bruno Sartori, de 33 anos, passou horas a fio em seu quarto, cumprindo a agenda de reuniões com seus novos clientes. Usando dois monitores e um potente computador, ele se transformou num “deepfaker” profissional, conciliando as demandas do mercado publicitário e os deveres de influenciador digital.

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Nascido em Unaí, no interior de Minas Gerais, Sartori primeiro trabalhou como chargista do jornal da cidade, onde publicava sátiras dos políticos locais. Pouco a pouco, fundiu o desenho com a tecnologia, publicando vídeos humorísticos em que trocava o rosto dos personagens. Descobriu o deepfake quando a tecnologia surgiu e, na pandemia, seus vídeos se espalharam pela internet, chamando a atenção do mercado.

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Agora empresário, Sartori tem pouco tempo para brincar nas redes sociais. Apesar de ter sofrido ameaças de morte, o autointitulado “bruxo dos vídeos” fez questão de se mostrar engajado. Só de cuequinha, ele exibiu o dorso nu e, rebolativo, anunciou que seu desejo de votar em Lula é tamanho, que parece o desespero dos bolsonaristas.
Segundo Sartori, a tecnologia em si não é nociva. Ele mesmo a usa para criar peças de entretenimento nas redes sociais, como o vídeo em que Silvio Santos apresenta o Jornal Nacional. Na Holanda, ele lembra, a ferramenta ajudou até a investigação de um caso de assassinato sem solução há quase 20 anos.

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Em maio, a polícia de Roterdã criou um comercial para televisão e internet, usando o deepfake de Sedar Soares, jovem de 13 anos morto em 2003. A polícia pedia informações que pudessem elucidar o crime.
Sartori afirma, contudo, que o perigo da manipulação de vídeos vai aumentar, tanto mais com o aprimoramento dos aplicativos. “Temos que nos preparar com campanhas educacionais para a população, o que não vai acontecer se a extrema direita for reeleita”, diz.

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Enquanto isso, os deepfakes provocam dores de cabeça nos artistas. Em julho deste ano, por exemplo, correu no WhatsApp um vídeo de Anitta praticando uma inesperada felação. A assessoria da cantora logo classificou a montagem como uma ação criminosa.

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No exterior, uma onda de deepfakes atormenta Hollywood. O ator Nicolas Cage aparece no TikTok em produções que jamais atuou, como o seriado de comédia “Friends” e os filmes “Os Vingadores” e “Matrix”.
Na mesma rede social, Robert Pattinson, o vampirinho da saga “Crepúsculo”, soma 660 mil seguidores. O conteúdo ali publicado é todo falso. Só o primeiro vídeo da página alcançou 20 milhões de visualizações.

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Já a conta falsa de Tom Cruise, com 3,6 milhões de seguidores, mostra o suposto cotidiano do ator. Cruise cortando o cabelo, se arrumando para uma festa ou descansando no parque. Como as montagens são feitas sem o consentimento das pessoas, os deepfakes levantam dúvidas sobre a legalidade de alguns dos usos desse tipo de tecnologia. Segundo a legislação brasileira, os crimes variam conforme o conteúdo do vídeo.

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No atual contexto político, montagens que ofendam a honra de candidatos devem ser discutidas no âmbito da Justiça Eleitoral, responsável por avaliar a existência de crimes previstos em seu respectivo código. É o caso do deepfake intitulado “encontro de bandidos”, sobre Lula e Alckmin, que poderia ser enquadrado como calúnia ou difamação.

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Fora das eleições, deepfakes podem percorrer todo o espectro do Código Penal. No caso de Anitta, o artigo 218C dispõe sobre o crime de divulgação de material pornográfico sem o consentimento da vítima.
“As leis atuam de maneira genérica, não podemos criar um artigo para cada tecnologia que surge”, diz Márcio Stival, especialista em direito da internet. “Para casos como o de Anitta, devemos endurecer as penas, porque está fácil cometer crime.”

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Do lado das redes sociais, são incipientes os esforços para combater a desinformação. As plataformas da Meta, como Facebook ou Instagram, adotam a política de remoção das fake news. Já o Twitter acrescenta um rótulo às postagens com conteúdos falsos. O TikTok permite paródias, caso sejam identificadas ao público.

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Para Christian Perrone, do Instituto de Tecnologia e Sociedade, a situação não é tão fácil para a atuação proativa das mídias. “O caminho é descobrir quem financia as campanhas de desinformação, mas precisamos decidir o que desejamos que as redes façam”, diz. “Uma atuação rigorosa pode restringir deepfakes positivos.”

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Nesse jogo entre criador e criatura, a arte dita as novas utilizações dos deepfakes. A inteligência artificial estabelece uma nova verdade, negando aquela da metafísica ou da realidade factual. Ao contrário, a verdade do deepfake se apoia na crença da semelhança das imagens, despertando uma controvérsia que só aguça o interesse artístico.

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“Toda tecnologia pode ter um uso funcional ou criativo. O artista é aquele que subverte a ferramenta, inventando outras formas para sua utilização”, afirma a pesquisadora Giselle Beiguelman, autora do livro “Políticas da Imagem: Vigilância e Resistência na Dadosfera”.

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No ano passado, o artista plástico Guilherme Bretas usou deepfakes para criar o “Álbum Afirmativo da Cidade de São Paulo”. O projeto partiu do compêndio de imagens feito pelo fotógrafo carioca Militão Augusto de Azevedo que, no século 19, documentou a participação de negros no processo de formação da metópole.

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Bretas pediu que integrantes do coletivo Malungo, da escola de arquitetura da USP, reagissem às imagens de Azevedo, sendo filmados pela equipe do Preta Lab, plataforma que conecta mulheres negras à internet. Como resultado, o artista fundiu as emoções dos jovens aos registros do século 19, propondo uma nova interpretação da história do país.

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A intervenção em imagens, portanto, se insere no espírito revisionista que a arte contemporânea decidiu encarnar. Em 2019, os artistas Francesca Panetta e Halsey Burgung alertaram que os deepfakes podem reescrever o passado de maneira enganosa. A videoinstalação “In the Event of the Moon” traz um discurso do presidente americano Richard Nixon, feito no Salão Oval, na Casa Branca, em 1969.

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Escrito por William Safire, o texto seria lido em caso de acidente envolvendo o Apolo 11 em sua missão lunar. Os artistas usaram vários discursos presidenciais, fundindo as expressões de Nixon a um clone, até fazer um vídeo inédito e hiper-realista.

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No cinema, o impacto dos deepfakes será ainda maior. Três anos atrás, o filme “Projeto Gemini” usou a técnica para gerar um clone do ator Will Smith. Naquele ano, a técnica também foi usada em “O Irlandês”, filme de Martin Scorsese, para rejuvenescer o ator Robert De Niro. A inteligência artificial poupará faustas quantias de Hollywood, um mercado que anda combalido.

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Segundo a pesquisadora Giselle Beiguelman, a arte não sofre um processo de desumanização, mas a inteligência artificial indaga que tipo de historicidade as imagens podem sugerir. “Se a visão é um atributo biológico, o olhar é cultural”, ela diz.

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As redes neurais também buscam reconstituir a história da música. Em 2019, a empresa chinesa Huawei usou princípios similares aos dos vídeos para completar a sinfonia inacabada de Franz Schubert. Cientistas se serviram de um algoritmo para analisar 90 peças do compositor austríaco. Após descobrirem um padrão, sugeriram o que seria os terceiro e quarto movimentos da obra.

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Já o Instituto Karajan, de Salzburgo, na Áustria, desenvolveu um modelo computacional para descobrir o que teria sido a décima sinfonia de Ludwig van Beethoven. A obra estreou no festival BeethovenFest, em Bonn, na Alemanha, em 2021. O trabalho foi realizado a partir de alguns rascunhos da partitura.

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No futuro, Sartori, o influenciador, acredita que a tecnologia nos levará à customização do conteúdo. O assinante de uma plataforma de streaming escolherá quem deve atuar nos filmes ou ouviremos um disco na voz de quem desejarmos –outros artistas, a sogra, o melhor amigo.

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No plano político, Sartori diz temer um novo governo de Jair Bolsonaro, pensando também nas eleições de 2026. “Se Bolsonaro vencer, será só ladeira abaixo. Seu governo beneficia a desinformação. Nós ainda não vimos 5% do que os deepfakes são capazes de fazer.”