13/09/2026

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Sonda da Nasa atinge asteroide para tentar mudar sua trajetória

(FOLHAPRESS) – A sonda Dart (sigla inglesa para Teste de Redirecionamento de Asteroide Duplo) se tornou nesta segunda-feira (26) o primeiro artefato a impactar contra um objeto espacial com o objetivo deliberado de alterar sua órbita. A colisão ocorreu às 20h14 (de Brasília). O que quer dizer que, do ponto de vista do experimento, deu tudo certo. Resta saber agora qual foi o real efeito da intervenção, o que só se conhecerá ao certo nos próximos dias e semanas.

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A pioneira missão de defesa planetária da Nasa foi lançada em 24 de novembro do ano passado, a um custo de US$ 324 milhões.

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Durante sua aproximação final, nas últimas quatro horas antes de colidir com o asteroide Dimorfo, a espaçonave se conduziu de forma automática, guiada pelas imagens da câmera Draco, o único instrumento embarcado.

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O Dimorfo é um asteroide-lua com cerca de 160 metros de diâmetro que orbita outro asteroide maior, o Dídimo, de 780 metros. O conjunto gira ao redor do Sol num percurso que se aproxima bastante dos trajetos que Terra e Marte fazem em suas órbitas solares.

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Embora seja classificado como um “asteroide potencialmente perigoso” em razão dessa proximidade ocasional, Dídimo não tem um encontro marcado com nosso planeta por pelo menos alguns séculos, o que dá conforto à Nasa em escolhê-lo como alvo do teste.

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A estratégia de deflexão adotada na missão é conhecida como “impacto cinético”. Resume-se em colidir contra o objeto e, com isso, alterar sutilmente sua velocidade orbital.

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O impacto ocorreu como previsto, a 21.600 km/h, acompanhado “ao vivo” (na verdade um atraso de cerca de 50 segundos, para contemplar captura, processamento e transmissão da imagem ao longo dos pouco mais de 11 milhões de km que separam a Terra do asteroide no momento) com transmissão de imagens pela própria sonda até seu beijo fatal na superfície do objeto.

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O grau de alteração da órbita do asteroide, contudo, ainda precisará de dias e semanas para ser medido. Isso porque é um trabalho para os astrônomos em solo. Usando telescópios na Terra e no espaço, eles medirão o período orbital do Dimorfo. Antes da colisão, ele completava uma volta em torno do Dídimo a cada 11h55 min. Depois, a expectativa é que esse período tenha aumentado (como consequência da alteração de velocidade imposta pelo impacto), mas é algo que ainda precisará ser medido.

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Acompanhando a Dart em seu voo havia um pequeno satélite desenvolvido pela Agência Espacial Italiana, o LICIACube. Ele registrou o que pode bem ter sido o momento do impacto com o asteroide, mas essas imagens são transmitidas para a Terra a um ritmo bem mais lento (em razão da comunicação limitada pela capacidade da antena da pequena espaçonave) e não estiveram imediatamente disponíveis.

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Diversos telescópios espaciais também foram apontados para o astro durante o impacto. Dentre eles, os famosos Hubble e James Webb, além da sonda Lucy. Assim, os astrônomos esperam ter um quadro bastante completo do que aconteceu por lá na colisão, em termos de quantidade de poeira erguida e magnitude do efeito obtido pelo teste.

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Detalhes da transformação da superfície do asteroide, contudo, terão de esperar a missão europeia Hera, que será lançada em 2024 para revisitar o astro e ver o tamanho do estrago deixado por essa valente tentativa de testar uma estratégia que pode vir a ser crucial para a defesa do planeta.

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Pela primeira vez em 4,5 bilhões de anos, a Terra tem essa capacidade que os dinossauros bem gostariam de ter tido à disposição. Eles foram extintos há 65,5 milhões de anos pelo impacto de um bólido celeste de cerca de 10 km de diâmetro contra o nosso planeta.