MARIANNA HOLANDA E LEONARDO AUGUSTO
BRASÍLIA, DF, E DIVINÓPOLIS, MG (FOLHAPRESS) – O presidente Jair Bolsonaro (PL) falou nesta sexta-feira (23) em colocar um “ponto final” no que chamou de abusos de outro Poder, em uma referência velada ao Judiciário, alvo frequente do chefe do Executivo.
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A declaração ocorreu em um comício em Divinópolis (MG).
Em seu discurso, Bolsonaro também disse que seus apoiadores são maioria no país e atacou seu principal adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem chamou de ladrão. O primeiro turno das eleições ocorre em nove dias.
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“O Brasil é um país livre. Vocês sabem que vocês estão tendo cada dia mais a sua liberdade ameaçada por outro poder, que não é o Poder Executivo. E nós sabemos que devemos botar um ponto final nesse abuso que existe por parte de outro Poder”, disse.
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Ele repetiu também uma frase que costuma dizer, que, se reeleito, “todos, sem exceção, jogarão dentro das quatro linhas da Constituição”.
O mandatário disse ainda que, se reeleito, indicará pessoas contrárias ao aborto para as duas vagas no STF (Supremo Tribunal Federal) que ficarão disponíveis no próximo ano, com a aposentadoria de ministros.
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Pesquisa do Datafolha divulgada na noite de quinta-feira (22) mostra que o ex-presidente ampliou sua vantagem para 14 pontos, aumentando as chances de a disputa encerrar no primeiro turno. Lula tem 47% das intenções de voto, contra 33% de Bolsonaro.
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A estabilidade com oscilação positiva para o petista no cenários de uma semana para cá, aferida pela mais recente pesquisa do Datafolha, vai acirrar a queda de braço entre as duas campanhas líderes de uma corrida cuja decisão na primeira rodada pode ocorrer no olho mecânico.
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Em mais de um momento, Bolsonaro chamou seu adversário de ladrão. Ele citou ainda o caso de países vizinhos que tem criticando também, como a ditadura na Nicarágua de Daniel Ortega, chamado pelo presidente como “amigo de Luiz Inácio Lula da Silva”.
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No comício mineiro, o mandatário também disse que não há oposição no Brasil, mas sim “bandidos que querem o mal da população”, quando se referiu ao fato de parlamentares petistas terem votado contra o projeto que diminuía tributação para reduzir preço da gasolina -que era criticado por governadores.
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Como a Folha de S.Paulo mostrou, a aposta da campanha nesta reta final é investir no antipetismo para impedir que Lula liquide a fatura já no primeiro turno.
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A avaliação é que apostar no sentimento antipetista, com acusações de corrupção contra Lula, pode evitar a migração de votos de Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) para o ex-presidente.
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O ministro das Comunicações, Fábio Faria (PP), disse na quarta (21) acreditar que os votos dados a Ciro e a Tebet hoje tendem a ser transferidos principalmente para Bolsonaro.
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“Eu acho que o crescimento que o Lula teve foi o voto que ia para ele já no segundo turno do Ciro da Simone. [Agora] os votos que permaneceram com o Ciro, com a Simone, são os votos que têm mais tendência de ir para o Bolsonaro”, afirmou.
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A escalada de tom no comício em Minas Gerais revela uma mudança na estratégia do mandatário. Pressionados por pesquisas, aliados do chefe do Executivo aconselharam-no a intensificar os ataques contra o petista, o que, uma ala do entorno do presidente já defendia desde o início da campanha.
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A respeito do ataque ao Supremo, um segmento da campanha é contrário a esta postura. Mas há um entendimento de que, segundo levantamentos internos, ele pode perder votos criticando o sistema eleitoral e a urna eletrônica, mas não perde votos com críticas ao STF. Isso ocorre porque há rejeição a ministros da corte, de acordo com integrantes da campanha.
“Teremos uma grande decisão pela frente. O que vocês querem para o futuro dos seus filhos? Alguém na Presidência que desrespeite a família brasileira, que diz que vai liberar drogas para os nossos filhos?”
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“Queremos à frente da Presidência quem diz que é favorável a ideologia de gênero, que não respeite propriedade privada? Querem à frente da Presidência um ladrão da República?”, disse Bolsonaro.
A multidão, em coro, gritava “não” como resposta às perguntas do presidente.
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“Nós, mais do que queremos, desejamos o contrário. Nós somos a maioria. Nós venceremos em primeiro turno. Não existe eleição sem povo nas ruas. A gente não vê nenhum dos outros candidatos fazendo um comício sequer que se aproxime a 10% do povo que tem aqui”, disse o presidente.
Apesar de, para a militância, Bolsonaro insistir em vitória no primeiro turno, a maior parte dos seus aliados vê essa hipótese como improvável.
Eles acreditam que a disputa será acirrada e disputada voto a voto no segundo turno.
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Mas, para apoiadores, o presidente reforça a tese de “Datapovo”, quando usam fotos de manifestações nas ruas, como as do 7 de Setembro, para atacar institutos de pesquisas e, assim, manter apoiadores energizados no projeto da reeleição.
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O senador Carlos Viana (PL), que oficialmente tem o apoio de Bolsonaro na disputa pelo Governo de Minas, recebeu o presidente no aeroporto de Divinópolis, mas não discursou no ato de campanha.
Os únicos candidatos a falar, antes do presidente, foram o deputado estadual Cleitinho (PSL) e o deputado federal Domingos Sávio (PL), ambos com base eleitoral na cidade.
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Cleitinho é candidato ao Senado e tem como trecho de campanha a frase “STF com Cleitinho vai pegar rabo”. Sávio disputa a reeleição.
Apesar de ter lançado Viana como seu candidato em Minas, Bolsonaro só fez isso depois de não conseguir o apoio do governador do estado, Romeu Zema (Novo) no primeiro turno.
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Existe a possibilidade, no entanto, de Zema apoiar Bolsonaro no segundo turno, caso ocorra. O governador lidera as pesquisas de intenção de votos no estado.

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