13/09/2026

Bocudo Caldas

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Apoio de Rodrigo a Tarcísio e Bolsonaro expõe contradições após embates com governo federal

(FOLHAPRESS) – “Quem ama São Paulo não vota em quem deixou São Paulo por último”, diz um dos últimos tuítes do governador Rodrigo Garcia (PSDB) antes do primeiro turno da eleição -ele terminou em terceiro lugar, numa derrota histórica para os tucanos.

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A crítica é dirigida ao ex-ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas (Republicanos), que avançou para o segundo turno junto com Fernando Haddad (PT). Apesar da acusação de que o governo federal preteriu o estado, Rodrigo declarou apoio a Tarcísio e a Jair Bolsonaro (PL) dois dias após a votação.

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Ao longo da gestão de Bolsonaro, o estado de São Paulo travou embates com Brasília, não só a respeito da pandemia, mas de obras e investimentos -casos que chegaram a ser levados por Rodrigo à campanha eleitoral para desgastar Tarcísio.

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Como secretário de Governo, posto que ocupou até assumir o Palácio dos Bandeirantes em abril passado, Rodrigo acompanhou cada imbróglio, já que ele gerenciava os empreendimentos da gestão. A construção de uma ponte entre Santos e Guarujá e de um canal na Hidrovia Tietê-Paraná são exemplos de obras que ficaram travadas à espera de aval da pasta de Tarcísio.

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As desavenças com o governo federal começaram a partir do momento em que o então governador João Doria (PSDB) adotou uma postura de oposição ao negacionismo de Bolsonaro na pandemia.

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Aliados de Rodrigo tinham a avaliação de que o presidente agiu para prejudicar o estado e que Tarcísio, que antes planejava uma candidatura ao Senado por Goiás, seria cobrado na campanha pelo tratamento dispensado a São Paulo.

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A Folha mostrou em março que o Ministério da Infraestrutura tinha entregas tímidas em São Paulo na comparação com outros estados.

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No debate da TV Globo, por exemplo, Rodrigo questionou a concessão da Dutra feita pelo governo federal, que prevê a duplicação da Rio-Santos somente no trecho do Rio de Janeiro, não no paulista. Ele ainda ressaltou que Brasília entregou 18 km de estradas no estado ante 11 mil km do governo estadual.

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A declaração sobre São Paulo em último lugar se refere ao ranking de investimentos em rodovias previstos pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) para cada estado em 2022.

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Santa Catarina lidera a lista com R$ 259,3 milhões, enquanto São Paulo ocupa a lanterna, com R$ 14,5 milhões.

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No debate, Tarcísio justificou os números, afirmando que o Dnit administra apenas 53 km de malha rodoviária em São Paulo, já que o estado privatizou as principais rodovias, e declarou que sua gestão trouxe mais de R$ 50 bilhões em investimentos privados para os paulistas.

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O mote da campanha de Rodrigo, “paulista raiz”, também foi pensado para espezinhar Tarcísio, que é nascido no Rio de Janeiro e mudou seu domicílio eleitoral para São José dos Campos (SP) somente para a eleição. Esse slogan e o “nem direita nem esquerda”, porém, ficaram ultrapassados quando o governador apoiou os bolsonaristas na terça-feira (4).

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Em encontro com o presidente no aeroporto de Congonhas, Rodrigo afirmou que dava seu apoio “incondicional” a Bolsonaro e a Tarcísio.

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O embarque imediato na campanha bolsonarista acabou gerando uma crise para o governador, que viu três secretários pedirem demissão. Tucanos reclamam que não houve consulta de Rodrigo ao PSDB, mas ele argumenta que seu apoio é pessoal e que o movimento foi individual.

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Na quinta-feira (6), questionado pela Folha se apoiar o governo federal após ter apontado o descaso da gestão Bolsonaro com São Paulo não seria uma incoerência, Rodrigo afirmou que “incoerência é apoiar o PT, que acabou com este país”.

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“Nesse segundo turno, temos dois lados. O lado do PT e esse lado. Esse é o meu lado, em que sempre estive. Total coerência na minha decisão”, disse o governador.

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“A decisão é coerente com a minha história e com aquilo que eu defendi na campanha. São Paulo vai bem porque o PT nunca governou São Paulo, e quero que continue bem”, completou.

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Segundo o Datafolha, 51% dos paulistas afirmam que Rodrigo deveria apoiar Tarcísio, índice que sobe para 57% entre eleitores do governador.

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Rodrigo afirmou ainda que o “incondicional significa sem nenhum pedido em troca”. Políticos do entorno do tucano e do presidente falam, contudo, em expectativa de manutenção de cargos no governo estadual e até ocupar um ministério caso Bolsonaro vença a eleição.

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Enquanto o apoio foi celebrado por Bolsonaro, o próprio Tarcísio torceu o nariz, afirmando que sua proposta era de mudança em relação à gestão do PSDB e que não via sentido em ter o governador e seu partido em seu palanque, já que a adesão de tucanos seria natural.

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Aliados de Rodrigo viram na fala do candidato uma indisposição de ceder espaço de um eventual governo. Ao não dividir o palanque, Tarcísio não estaria obrigado a contemplar os pleitos do atual governador ou acomodar seu grupo político.

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A união repentina dos antigos rivais foi questionada pela deputada Janaina Paschoal (PRTB), candidata derrotada ao Senado, ao comentar o fato de que Carla Zambelli (PL-SP) comemorou o embarque de Rodrigo. Janaina resgatou um vídeo publicado por Zambelli que critica Rodrigo e o associa a Doria.

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“Até ontem, tratava o homem como se fosse o cão. O que mudou? Sem nenhum demérito às partes envolvidas, como alguém muda tanto em alguns dias?”, disse a deputada.

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O embate mais conhecido entre Bolsonaro e a gestão Doria/Rodrigo envolveu a compra de vacinas e o isolamento social -ações defendidas pelos tucanos e boicotadas pelo governo federal. Além disso, ao menos oito grandes projetos do Palácio dos Bandeirantes foram atrasados ou inviabilizados pela gestão Bolsonaro.

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A lista inclui a nova fábrica do Instituto Butantan, a concessão do ginásio do Ibirapuera e a implantação da nova Ceagesp, além do monotrilho no aeroporto de Guarulhos e a construção do piscinão de Jaboticabal.

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As entregas ligadas ao Ministério da Infraestrutura, além da concessão da Dutra, eram a ponte Santos-Guarujá, que chegou a ter o projeto modificado a pedido da pasta, mas não saiu do papel -o governo federal prefere uma ligação via túnel.

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E o canal de Avanhandava, da Hidrovia Tietê-Paraná, que teve o projeto enviado ao ministério em setembro de 2020 e a aprovação veio em fevereiro de 2022. A pasta diz que a demora foi causada pelos estudos insuficientes apresentados pelo governo paulista.

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Na campanha, além da crítica à atuação no ministério, a equipe de Rodrigo criou um site que reunia reportagens negativas para Tarcísio e expôs suas gafes, como não saber em qual colégio votava em São José dos Campos.

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O tucano explorou ainda os aliados polêmicos de Tarcísio, como Fernando Collor (PTB); o prefeito Ney Santos (Republicanos), investigado por ligação com o PCC; Douglas Garcia (Republicanos) e Frederico D’Avila (PL); além dos filhos de Bolsonaro.

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Um deles, Eduardo, que é deputado federal por São Paulo, ficou atrás do pai durante o encontro em que Rodrigo selou a aliança com Tarcísio e Bolsonaro.