12/09/2026

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Bolsonaro apela a ex-presidenciável classificado por Carlos como ‘coach malandrão’

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados promoveram nesta quinta-feira (13) uma live ao lado do ex-presidenciável Pablo Marçal, que prometeu um treinamento para que influenciadores digitais do bolsonarismo consigam votos de indecisos nessa reta final da eleição.

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Na live, Marçal passa missões para os apoiadores, pede a eles para “deixar a reputação de lado”, fala em necessidade da reeleição do presidente para que não seja preciso “pegar em armas” e convoca um “arrastão digital” tendo como alvo os principais veículos de comunicação do país.

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O evento, realizado no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, foi anunciado previamente por Marçal e pelo próprio Bolsonaro como sendo fechado, mas foi transmitido pelo canal oficial do presidente no Facebook. Depois, o vídeo foi apagado.

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Também nesta quinta, o vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente e responsável pela estratégia digital da campanha do pai, foi às redes sociais dizer, sem citar o nome do ex-presidenciável, que Marçal está na verdade atrás de dinheiro.

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“Se tem gente pra somar é sempre muito bom, entretanto tem malandro de última hora se colocando como o tal do digital, mentindo para ganhar outras coi$a$”, escreveu o filho do presidente no Twitter.

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“Quem tem boca fala o que quer, você acreditar é outra coisa! Estava quieto, mas não há limites para a malandragem destes! Pode mentir em entrevista, se promover, dar uma de Coach malandrão, só que aqui não!”

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Pablo Marçal se notabilizou anteriormente por ter liderado uma expedição de 32 pessoas por uma área montanhosa em São Paulo como parte de seu programa de coaching motivacional.

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Tendo ignorado regras de segurança e advertências de guias especializados, ele acabou colocando em risco a vida das pessoas, que enfrentaram péssimas condições climáticas e acabaram tendo que ser resgatadas pelo Corpo de Bombeiros.

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Neste ano, ele se lançou candidato à Presidência da República pelo Pros, bancado pela antiga direção do partido que, como mostrou a Folha em reportagens, é suspeita de ter tentando comprar decisões judiciais favoráveis.

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Em um dos áudios obtidos pela Folha, o então presidente do Pros, Marcus Holanda, diz que Pablo lhe havia prometido R$ 200 milhões vindos de uma “vacona” de R$ 100 ou R$ 200 que iria realizar com alunos de cursos motivacionais e com seus mais de 2 milhões de seguidores no Instagram. Pablo nega ter feito a proposta.

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A direção do partido acabou sendo afastada e o Pros, sob novo comando, aderiu formalmente à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Pablo viu inviabilizada a candidatura à Presidência e se lançou a deputado federal, tendo obtido 243 mil votos. Ele teve a candidatura deferida somente depois do pleito e deve assumir uma cadeira na Câmara dos Deputados.

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Na live ao lado de Bolsonaro, o coach afirma que está havendo um “jogo sujo” e diz que ele dará o treinamento e as orientações sobre como os influenciadores, micro, pequenos e médios, devem agir.

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“Nós vamos treinar o batalhão. Por mais que o presidente, ele é um militar, ele não gosta que se fale dessa forma, mas eu quero te falar: vocês estão sendo convocados por mim. Ele vai falar ‘convidados’. Mas eu vou falar: é convocação! Para a gente um dia não precisar pegar em armas, para um dia a gente não ficar louco querendo o país de volta”, afirma o coach.

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Pablo Marçal diz ainda que os apoiadores devem “colocar a sua reputação um pouquinho de lado”. “Deixa eu te explicar por que. Esse homem aqui [aponta para Bolsonaro], ele tem colocado há muitos anos a a reputação dele [de lado] para a gente viver livre desse esquerdismo, desse socialismo enrustido, desse comunismo que tem atrapalhado o avanço desse país”, diz.

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Ao longo do vídeo, que teve a participação também de vários apoiadores, entre eles a deputada federal reeleita Carla Zambelli (PL-SP), são passadas missões, entre elas a de que os apoiadores participem de um “arrastão digital” nos 20 principais meios de comunicação -não cita nomes- que ficam “denegrindo a imagem do capitão Bolsonaro com mentiras”.

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A missão, prossegue o texto, é defender o presidente nesses canais, incluindo a tarefa de curtir comentários de outros influenciadores nessas plataformas.

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A Folha de S.Paulo enviou perguntas a Marçal, por meio de sua assessoria, sobre o que ele quis dizer exatamente com a afirmação de que as pessoas devem colocar de lado a reputação, se está recebendo remuneração para participar da campanha e também sobre as críticas de Carlos.

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Não houve resposta até a publicação deste texto. Na quinta, ele havia divulgado nota elogiosa a Carlos, após o filho de Bolsonaro tê-lo chamado de “coach malandrão” no Twitter.

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Afirmou que Carlos “é o escudeiro número 1 do presidente” e que esse é o método dos Bolsonaro para “validar as pessoas que chegam perto do presidente” e de “colocar pra correr pessoas que não são de verdade”.

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Só o tempo prova as relações, acrescentou, dizendo que as declarações do filho do presidente o deixam mais animado a participar da campanha.

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A campanha de Bolsonaro e o Palácio do Planalto não quiseram se manifestar.

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A nova direção do Pros, que apoia Lula, disse que não tem relação política com Pablo e que espera que ele deixe o partido o mais brevemente possível.

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“Pablo está perdido politicamente. Tentou a todo custo se aproximar da campanha do Lula quando ainda se colocava candidato a presidente pelo grupo que deu o golpe no Pros. Como não conseguiu, agora busca holofote no palanque bolsonarista. Desespero define”, afirmou Felipe Espirito Santo, presidente da fundação do Pros e membro da coordenação da campanha Lula.