11/09/2026

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PTB repassa R$ 1,6 milhão a advogado que forneceu armas a Roberto Jefferson

(FOLHAPRESS) – O PTB pagou cerca de R$ 1,6 milhão ao escritório do advogado Luiz Gustavo Pereira da Cunha, que afirmou ter vendido e doado armas ao ex-deputado Roberto Jefferson.

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O ex-deputado é presidente de honra do PTB e está preso por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

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Os valores foram repassados neste ano por meio de fundo eleitoral (R$ 850 mil) e fundo partidário (R$ 830 mil até agora), segundo dados disponibilizados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O pagamento foi o maior gasto da sigla com um fornecedor nestas eleições.

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Cunha também declarou ter vendido ao ex-deputado federal o fuzil com mira telescópica usado pelo político no ataque contra policiais federais, em Comendador Levy Gasparian (RJ) em 23 de outubro, quando ele resistiu à prisão. Na ocasião, ele fez 50 disparos.

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Jefferson também lançou granadas na direção dos agentes. Dois policiais ficaram feridos.

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Cunha disse à Folha de S.Paulo que, “em decorrência da amizade” com o político e a paixão de ambos pela prática de tiro, os dois negociam trocas de armas regularmente.

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“Já vendi algumas armas para ele, ele já me vendeu outras. Eu já dei armas para ele, ele já me deu arma de aniversário”, afirmou, sem informar datas e valores das vendas.

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O advogado alegou que é normal entre CACs (colecionadores, atiradores e caçadores) a venda, transferência e doação de armas; e acrescentou ainda que esse intercâmbio é permitido e segue parâmetros estabelecidos pelo Estatuto do Desarmamento, em vigência desde 2003.

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Cunha é instrutor de tiro e já deu aulas para Jair Renan Bolsonaro, um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro (PL).

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Nestas eleições, Cunha se candidatou a vice-governador do DF pela chapa de Coronel Moreno, do PTB. Ele declarou ao TSE ter como bem apenas um veículo do modelo Ford Ranger, no valor de R$ 250 mil. Sua chapa obteve R$ 1 milhão de recursos do fundo do partido e conseguiu apenas 94.100 votos, ficando em quarto lugar.

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Cunha disse que é advogado do PTB nacional há mais de 16 anos e responsável por mais de 100 processos em nome do partido que tramitam no STF, além de cuidar de todas as prestações de contas ordinárias do partido junto à Justiça Eleitoral.

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“O meu serviço representa a responsabilidade jurídica no montante de quase R$ 114 milhões, que foi o total que o PTB recebeu do fundo especial, o que perfaz um percentual de pouco mais de 0,5% do orçamento das eleições”, disse.

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“O que é razoável, tendo em que vista que sou o responsável e farei toda a prestação de contas do partido, que duram de quatro a cinco anos.”

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Cunha afirmou ainda que os valores repassados pelo PTB não estão relacionados à defesa que faz de Jefferson na Justiça e que tudo o que recebe “está dentro de um parâmetro legal do estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil, de acordo com a quantidade de processos que administra e cuida.”

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“É importante dizer qual a minha relação com Roberto Jefferson. Ele não é só um cliente. Ele é um amigo. Eu advogo para ele de graça, pro bono. Nunca cobrei dele e provavelmente nunca cobrarei”, afirmou.

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Na segunda-feira (7), o advogado apresentou novo recurso ao STF para tentar livrar Jefferson da cadeia. O pedido foi enviado ao ministro Alexandre de Moraes.

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O ex-deputado foi preso em flagrante em razão dos ataques aos policiais, mas a medida foi transformada em prisão preventiva na audiência de custódia. A defesa alegou que a conversão foi irregular por ter sido de ofício (sem pedido da polícia ou do Ministério Público) e por juiz federal sem prerrogativa para fazê-lo.

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Na semana passada, Moraes autorizou o Exército a marcar uma data para notificar Jefferson sobre o cancelamento de seu registro de CAC.

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Jefferson está com o registro de CAC suspenso e não poderia transportar as armas que possui para o Rio de Janeiro. As irregularidades foram detectadas por integrantes do Exército. Um processo administrativo sancionador contra ele foi aberto.

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Em seu depoimento à PF, o político afirmou que “sempre teve granada em casa”, tendo comprado as que usou há cerca de cinco anos e que tem entre 20 e 25 armas. De acordo com ele, todas foram adquiridas legalmente.

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Jefferson fez o registro de CAC no Exército em 2005, quando comprou as primeiras armas. Segundo o sistema interno da Força, o ex-deputado possui pistolas, revólveres, carabinas e fuzil em seu arsenal.

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“Em relação às armas apreendidas na casa do Roberto Jefferson, todas têm documentação, todas estão em nome do próprio Roberto Jefferson”, justificou o advogado.

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Procurado para falar sobre o tema e a relação do partido com o advogado e as armas, o PTB afirmou que Cunha já havia respondido à Folha.