12/09/2026

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Decisão de Mendonça beneficia ‘ombro amigo’ evangélico acusado de ‘rachadinha’

(FOLHAPRESS) – André Mendonça tinha acabado de ser aprovado como ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), em dezembro de 2021, quando chamou o ex-presidente da bancada evangélica Silas Câmara (Republicanos-AM) de “ombro amigo que Deus enviou”. Alguém “essencial” para que ele pudesse vestir a toga suprema.

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Quase um ano depois, Mendonça decidiu fazer um pedido de vista (mais tempo para analisar o caso) com potencial de livrar o deputado de uma acusação de promover “rachadinha” em seu gabinete.

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A solicitação para examinar por mais tempo a ação penal, feita na quinta (10) em parceria com o ministro Dias Toffoli, interrompeu o julgamento que decidirá se Câmara é culpado de desviar o salário de servidores em proveito próprio. Cinco ministros já votaram por sua condenação -Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Rosa Weber. Só Kassio Nunes Marques foi contra.

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Barroso, o relator, propôs uma pena de cinco anos e três meses, em regime semiaberto, pelo crime de peculato. No dia 2 de dezembro, essa proposta punitiva prescreve.

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Ainda faltam votar Mendonça, Toffoli, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Ricardo Lewandowski.

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No dia 13 de dezembro de 2021, uma segunda-feira, Silas Câmara compartilhou com contatos de seu WhatsApp o convite para um culto na Assembleia de Deus do Amazonas com participação de Mendonça, a indicação “terrivelmente evangélica” que o presidente Jair Bolsonaro (PL) havia prometido para a corte.

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A fala de Mendonça, um pastor presbiteriano, foi transmitida pelas Boas Novas, rede de comunicação da família Câmara, poderosa no norte do país. Em Amazonas, quem comanda é Jonatas Câmara, irmão de Silas. O primogênito do trio, Samuel Câmara, lidera em Belém (PA) a chamada Igreja Mãe, a primeira das Assembleias de Deus no Brasil.

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Na igreja, o ministro recém-eleito chamou Silas Câmara de um “ombro amigo que Deus enviou através de vocês [o público de fiéis] para que eu pudesse chegar aonde cheguei”.

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Mendonça demorou mais de quatro meses para ser ratificado pelo Senado. O lobby evangélico foi fundamental para pressionar pela marcação da sabatina no Congresso. O senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), que presidia a Comissão de Constituição e Justiça na Casa, resistia a agendar o dia.

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Os três irmãos Câmara estavam em Brasília na data da sabatina. Samuel, inclusive, foi o pregador do dia no culto semanal que a bancada evangélica promove às quartas numa sala da Câmara dos Deputados.

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O pastor destacou o papel que evangélicos ganharam no governo Bolsonaro (“nunca fomos tão convidados a vir para Brasília”) e também o simbolismo de emplacar um par evangélico na mais alta corte do país. “Esperamos que hoje à noite possamos sentir exatamente isso, que um grãozinho [nosso] chegou ao Supremo. Vamos trabalhar para que esta semente não seja morta.”

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Duas semanas depois, Mendonça contou no púlpito que conheceu Silas Câmara cerca de três anos antes. “Ele se tornou essencial durante a minha caminhada, previamente à indicação, e pós-indicação até a sabatina.” Câmara assumiu a liderança da bancada evangélica em 2019 e ficou dois anos no posto.

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A aprovação de Mendonça rendeu post comemorativo de Câmara. “São vitórias como essas fazem do Brasil um lugar melhor para todos”, escreveu num perfil virtual.

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A assessoria de imprensa do STF informou que o ministro não vai comentar o pedido de vista que pode beneficiar o deputado.