(FOLHAPRESS) – Pelo menos 16 alvos do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes no inquérito que investiga o financiamento e apoio a atos antidemocráticos doaram dinheiro para a campanha de Jair Bolsonaro (PL).
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Em decisão do sábado (12), Moraes mandou bloquear contas bancárias ligadas a 43 pessoas e empresas suspeitas de envolvimento com os protestos que questionam o resultado das eleições.
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Ao todo, as doações feitas por esses investigados atingiram R$ 1,04 milhão. Bolsonaro foi o campeão de doações privadas neste ano, com R$ 88,2 milhões recebidos de pessoas físicas. Muitos desses repasses vieram do agronegócio, setor do qual vem parte significativa dos alvos de Moraes.
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As manifestações pedem um golpe das Forças Armadas para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que venceu as eleições deste ano com 50,9% dos votos válidos no primeiro turno, contra 49,1% de Bolsonaro.
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A maior doação entre os atingidos pela decisão de Moraes foi feita por Atilio Rovaris, sócio da Transportadora Rovaris. Ele repassou sozinho R$ 500 mil para a campanha de Bolsonaro. A reportagem tentou contato com o empresário por meio da sua empresa, mas não houve resposta.
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Rovaris chegou a se encontrar com Bolsonaro em 21 de maio, quando participou de um almoço de empresários do agronegócio com o presidente. A doação para a campanha presidencial foi feita em 11 de outubro, no segundo turno das eleições.
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A investigação identificou seis caminhões da sua empresa na manifestação que ocorre em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília. Há pessoas acampadas no local desde pouco depois do segundo turno e há uma grande área reservada para caminhões estacionarem.
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A segunda maior doação foi feita por Ilo Pozzobon, sócio da Fermap Transportes, outro alvo de Moraes no inquérito que investiga os financiadores dos atos antidemocráticos.
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Ele doou R$ 122 mil para Bolsonaro em três remessas diferentes. A primeira, em 13 de setembro, foi de R$ 2,2 mil. Depois, em 11 de outubro, foram mais R$ 22,2 mil. A maior doação aconteceu nas vésperas do segundo turno, em 26 de outubro, quando o empresário transferiu R$ 97,8 mil para a campanha.
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Procurado, Pozzobon não quis se pronunciar. A Fermap Transportes tinha dois de seus caminhões na manifestação em frente ao QG do Exército.
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A terceira maior doação foi de R$ 100 mil, feita por Sergio Bedin em duas transferências de R$ 50 mil –uma para o primeiro turno e outra para o segundo. Bedin é um alvo direto da operação, ao contrário dos dois primeiros casos nos quais as empresas foram citadas.
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Um veículo de Bedin é mencionado na investigação. O empresário não respondeu a questionamentos feitos pela reportagem.
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Ao todo, 234 caminhões são listados pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal. Eles foram identificados a partir do “monitoramento preventivo da segurança pública e não relacionadas a infrações de trânsito cometidas”.
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Na decisão de Moraes, o ministro aponta que as manifestações nas quais caminhoneiros bloquearam diversas rodovias “não podem obstar o exercício, por parte do restante da sociedade, dos demais direitos fundamentais, configurando-se claramente abusivo o exercício desses direitos que impeçam o livre acesso das demais pessoas aos aeroportos, rodovias hospitais, por exemplo”.
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Em 2 de novembro, três dias depois de o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sacramentar Lula como o vencedor das eleições, a PRF (Polícia Rodoviária Federal) já tinha desfeito 631 pontos de bloqueio.
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No mesmo dia, Bolsonaro fez um pronunciamento em vídeo no qual pediu para que as interdições em estradas fossem desfeitas. Ele não condenou, entretanto, o tom antidemocrático dos atos e chegou a dizer que “os protestos, as manifestações são muito bem-vindas. Fazem parte do jogo democrático”.
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A PRF foi acusada de leniência em lidar com os bloqueios. Parte das acusações se deve ao fato de, no dia do segundo turno, a PRF organizar operações sobretudo no Nordeste –bastião eleitoral de Lula– vistas como tentativas de supressão do direito a voto.
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O diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, que no dia do segundo turno fez uma postagem em favor de Bolsonaro, é investigado pela possibilidade de ter usado a corporação para o benefício de um candidato.

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