10/09/2026

Bocudo Caldas

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Falta de professores em SP preocupa equipe de Tarcísio

(FOLHAPRESS) – A menos de dois meses de assumir o Palácio dos Bandeirantes, a equipe do governador eleito Tarcísio de Freitas (Republicanos) está preocupada em como evitar que a falta de professores, vivida nas escolas estaduais de São Paulo durante todo o ano letivo de 2022, se repita em 2023.

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A avaliação da equipe de Tarcísio é que a área da educação é uma das mais sensíveis no início de mandato. Como o ano letivo começa em 6 de fevereiro, a nova gestão terá pouco tempo para fazer os ajustes necessários e assim evitar os problemas que hoje afetam as escolas.

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Renato Feder, secretário de Educação do Paraná, foi convidado por Tarcísio e aceitou assumir o comando da pasta em São Paulo. O nome deve ser oficializado na próxima semana.

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A gestão de Rodrigo Garcia (PSDB) deve deixar a falta de professores como herança para Tarcísio. Além de não ter conseguido solucionar o déficit na rede estadual ao longo deste ano, o tucano anunciou no início deste mês a expansão do ensino integral para mais 261 escolas.

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O modelo pressiona ainda mais a demanda por esses profissionais, já que há ampliação de aulas, sem que o atual governo tenha feito a contratação de novos docentes.

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São Paulo está há nove anos sem concurso público para professores e nos últimos quatro anos as gestões de Rodrigo e João Doria apostaram em programas que aumentaram a carga horária nas escolas estaduais. A rede tem 3,5 milhões de alunos.

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Em nota à reportagem, a Secretaria de Educação diz ter 210 mil professores e que “já está adotando os recursos e as condições para que o início do ano letivo de 2023 ocorra dentro da normalidade”.

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Também diz ter sido autorizado um concurso para a contratação de 15 mil novos docentes, mas não informou se pretende iniciar o processo ainda esse ano e quando esses profissionais começarão a ser chamados para trabalhar.

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Um levantamento feito pela Repu (Rede Escola Pública e Universidade), com dados obtidos através da Lei de Acesso à Informação, aponta que no fim de agosto 8,7% das aulas nos chamados itinerários formativos -parte do ensino médio que os estudantes podem escolher de acordo com os seus interesses- estavam sem um professor atribuído.

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Nas disciplinas de ampliação do currículo dessa etapa, 8,4% das aulas estavam sem professor – o que totaliza 4.824 turmas sem docente.

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A secretaria diz que “o número apresentado pela Repu é defasado e não reflete a realidade da rede que tem 98% das aulas atribuídas, sendo o restante ministrado por professores eventuais”.

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Em julho deste ano, a Secretaria Estadual de Educação não conseguiu preencher 500 das 2.900 vagas abertas para professores temporários -o contrato de trabalho tem duração por três anos. A legislação eleitoral impede que novas contratações sejam feitas de julho até o fim do segundo turno, o que significa que o déficit verificado em agosto deve permanecer até agora já que nos últimos 15 dias não foram abertos novos concursos.

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“O governador não conseguiu corrigir esse erro no período em que podia e, como consequência, temos uma parcela significativamente grande de alunos que vão terminar o ano sem ter tido seu direito à educação respeitado”, diz Fernando Cássio, pesquisador da Repu.

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Em junho, a própria Secretaria de Educação relacionou a falta de professores na rede estadual à maior oferta de aulas do novo ensino médio e à ampliação do PEI (Programa de Ensino Integral Integral), que era vista como uma das vitrines eleitorais do atual governador.

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Desde 2019, o número de escolas de tempo integral no programa passou de 364 para 2.050. Com a expansão anunciada neste mês por Garcia, o modelo chegará a 2.311 unidades (45% de toda a rede estadual).

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Além do problema da falta de professores, a equipe de Tarcísio também teme a possibilidade de falta de vagas em algumas regiões, como ocorreu no início desse ano letivo. Em fevereiro, o jornal Folha de S.Paulo mostrou que 14 mil crianças ficaram sem vaga para estudar no 1º ano do ensino fundamental na cidade de São Paulo.

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Eleito para governar São Paulo no último dia 30, Tarcísio deu início ao trabalho de transição nesta quinta-feira (17). Com a vitória nas urnas, ele optou por uma viagem de descanso em Miami (EUA) e, antes de retornar à capital paulista, esteve em Brasília.

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Esse tempo até a equipe de Tarcísio dar início ao trabalho de transição gerou críticas entre os servidores e comissionados lotados no Palácio dos Bandeirantes.

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A expectativa é que a transição ocorra de forma amigável, dado o apoio de Rodrigo para Tarcísio no segundo turno. A mudança de grupos políticos é rara em São Paulo, já que o PSDB comanda o estado de maneira praticamente ininterrupta desde 1995 .

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Tarcísio, ex-ministro de Infraestrutura e aliado do presidente Jair Bolsonaro (PL), fez promessas ao longo da campanha eleitoral de montar um secretariado técnico.

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No entanto, o governador eleito lida com pressões para acomodar tucanos e aliados de Rodrigo, como o vereador Milton Leite (União Brasil), além de bolsonaristas e nomes sugeridos por partidos que o apoiaram, como o PSD, de Gilberto Kassab.