12/09/2026

Bocudo Caldas

Magazine Digital

Ficar pendurado foi um ato de defesa, diz ‘patriota do caminhão’

(FOLHAPRESS) – O empresário Junior Peixoto, 41, ganhou uma fama inesperada na semana passada. Participante de um ato antidemocrático que rejeita a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Jair Bolsonaro (PL), sua imagem agarrado a um caminhão em movimento viralizou nas redes sociais.

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Desde então, Peixoto ficou conhecido como “patriota do caminhão”. E virou meme.

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Em entrevista à reportagem nesta segunda (7), ele afirma que se sente exposto com a repercussão das imagens.

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No vídeo, gravado em uma rodovia em Pernambuco, mostra o empresário vestindo uma camiseta amarela e boné na mesma cor e uma manifestação em Caruaru na última quarta-feira (2).

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Questionado, disse que prefere não comentar temas como o resultado das eleições 2022, que resultaram na vitória de Lula.

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“Acho um tema muito delicado para um cidadão comum, que não tem nenhum tipo de imunidade, tocar nesse assunto. Sou eleitor de Bolsonaro, se houver a oportunidade de ele pleitear uma campanha novamente, eu votarei nele, farei campanha, farei o que for possível, porque ele me representa. Mas o movimento, em si, deixou de ser por Bolsonaro. O movimento em si é pelo Brasil”, afirma.

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Morador de Caruaru, localizada no agreste pernambucano, Peixoto afirma que se pendurou no caminhão como uma forma de defesa, e não para tentar impedir a passagem do veículo em um bloqueio na BR-232.

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Ele afirmou que havia chegado ao local pouco tempo antes e que foi até lá levar refeições e água para os participantes.

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Ainda segundo Peixoto, ao chegar ao bloqueio, os manifestantes estavam conversando sobre a desobstrução de uma das duas faixas da rodovia. Pneus e pedras começaram a ser retirados, para permitir a passagem dos veículos.

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“Então, quando começaram a liberar eu escutei quando o motorista colocou a marcha no caminhão. Virei para ele e acenei. Eu estava a uma distância de 2 metros do caminhão e gesticulei pedindo um pouco de paciência. Não sei se ele interpretou isso errado, pensou que iria fechar a BR novamente, e aí ele acelerou”, conta o empresário.

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Segundo Peixoto, como ele já estava com as mãos levantadas e gesticulando, a reação imediata foi segurar o limpador do para-brisas.

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“Graças a Deus que eu tive essa reação, porque hoje eu poderia estar morto. Ele acelerou a máquina para o meu lado e veio com tudo”, afirmou.

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No entanto, no vídeo que relata o caso nas redes sociais, o motorista do caminhão afirma que “o cara subiu aí e disse que não vai descer”.

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De acordo com o empresário, o material que foi retirado para desobstruir a via começou a ser jogado pelos manifestantes embaixo dos pneus do caminhão, em uma tentativa de pará-lo. E, aparentemente, o motorista se assustou e acabou acelerando mais.

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Segundo Peixoto, ele percorreu cerca de 6 quilômetros agarrado ao caminhão, trajeto que teria durado cerca de oito minutos. Ele disse acreditar que, em algum momento, o veículo tenha passado dos 100 km/h, o que o deixou bastante assustado.

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“Quando o caminhão começou a desenvolver velocidade, eu estava certo que iria morrer. Estava convicto que aquele era o meu último dia de vida”, disse.

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Conforme ele, em nenhum momento houve diálogo com o motorista. “Fixei o olhar, por umas duas ou três vezes, e perguntei: ‘você vai me matar, não é?’ Aí, acho que começou a pesar na consciência dele e ele começou a parar.”

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Após descer do veículo, em um trecho mais afastado do centro, Peixoto afirmou ter conseguido carona para voltar à cidade e, posteriormente, chegar em casa.

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O empresário diz que, mesmo após descer do caminhão, não houve diálogo com o motorista, que afirmou apenas que não tinha interesse em se envolver em confusão.

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Somente no dia seguinte, pela manhã, a família tomou conhecimento do ocorrido, quando uma pessoa compartilhou o vídeo com a mulher do empresário que, em choque, teria tentado entender exatamente o que aconteceu.

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“Eu iria falar [com a família], mas gradativamente. Não iria dizer tudo de uma vez. Mas a internet não perdoa.”

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Sobre a repercussão, disse que não tem acompanhado os desdobramentos do caso nas mídias sociais e que um dos motivos é a falta de habilidade.

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“Mas confesso que estou bastante assustado, porque este não é meu universo [redes sociais]. Me senti exposto. Inclusive, teve um site que divulgou meu nome e minhas mídias sociais.”