11/09/2026

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Óvni? Satélite? Bat-sinal? O que são as luzes estranhas no céu de Porto Alegre

(FOLHAPRESS) – Por cinco dias consecutivos o céu de Porto Alegre tem intrigado pilotos, especialistas e curiosos em geral. Desde o último dia 4, uma noite de sexta-feira, circulam relatos e filmagens de luzes sobre a cidade, inclusive de pilotos de diferentes aeronaves que presenciaram o fenômeno ao mesmo tempo.

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No Twitter, a busca pelo termo OVNI (sigla para Objeto Voador Não Identificado, ou óvni) já resulta em um banquete de imagens do Rio Grande do Sul nos últimos dias.

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As hipóteses apontadas por especialistas consultados pela reportagem passam longe de afirmar que extraterrestres estejam pairando sobre terras gaúchas. Para físicos e engenheiros, o diagnóstico mais provável é de muitas pessoas prestando atenção ao mesmo tempo em fenômenos celestes corriqueiros.

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Até aqui o episódio mais controverso é o do dia 4, quando por volta das 23h30 o comandante Daniel Medina Guimarães aterrissava em Porto Alegre de um voo da Gol vindo de Brasília. Ao conversar com a torre, Guimarães soube que o piloto anterior, de um voo da TAM, havia comunicado o mesmo fenômeno.

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Em entrevista ao site GZH, Guimarães relatou ter presenciado luzes intensas e com cores “em determinados momentos, um branco muito vívido, e em determinados momentos, umas luzes em uma cor misturada entre o vermelho e o verde”, aparecendo em intervalos de poucos minutos.

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No primeiro momento o próprio comandante pensou se tratar de um satélite, mas os movimentos circulares seriam diferentes da trajetória desse tipo de equipamento. Por voar a 11 mil metros e perceber a luz um pouco acima, calculou que o facho estivesse a cerca de 13 ou 14 mil metros do solo.

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A Fraport, concessionária responsável pelo Aeroporto Salgado Filho, e a Força Aérea Brasileira não relatam nada fora do usual no céu da cidade nem na data nem posteriormente.

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Responsável por um observatório espacial em Taquara (RS), a 80 km de Porto Alegre, o engenheiro Carlos Fernando Jung tem registros de uma luz circulando no céu próximo àquele horário.

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Ele não sabe dizer se o que os pilotos testemunharam é o mesmo fenômeno, mas está convencido de que o seu registro é o de um efeito causado por um canhão de luz apontado para o céu -produtoras de eventos chamam esses equipamentos luminosos de sky light, que emitem feixes para o alto de até 7 km. São uma espécie de “bat-sinal” em movimento.

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Conforme Jung, a luz de um desses equipamentos pode “rebater” nas nuvens, subir e causar a ilusão de ótica de um ponto de luz se movimentando acima dos pilotos. A hipótese explicaria os movimentos circulares e a variação de cores, que ocorre em contato com diferentes pontos da atmosfera.

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A fonte do canhão poderia ser algum evento ocorrido à margem do lago Guaíba. No dia seguinte, por exemplo, o show de inauguração de um empreendimento imobiliário na região usou diversos deles.

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A partir do relato do dia 4, outros vieram e muitos vídeos surgiram. Todavia, nenhum particularmente intrigante para os cientistas. Convidado a analisar alguns deles, Luiz Fernando Macedo Morescki Junior, físico e professor de astronomia do IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina), em Jaraguá do Sul (SC), não descartou a hipótese de um satélite em órbita para nenhum deles.

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“Os satélites não são fontes de luz, são iluminados pelo sol. Dependendo da posição em que um deles está, fica mais forte ou mais fraco, dando a impressão de que é uma luz que se apaga e se acende”, explica o professor.

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Disposto a colocar ordem no que está ocorrendo no céu de Porto Alegre, Jung montou uma linha do tempo com relatos, vídeos e outras imagens dos fenômenos. O que apareceu até aqui são imagens de pessoas impressionadas com o que ele observa diariamente -e algumas armadilhas.

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Sobre uma filmagem de pilotos na terça-feira à noite, por exemplo, de uma esfera iluminada, o engenheiro afirma com quase 100% de certeza ser Marte. Já um vídeo de Torres (RS), no litoral norte, na mesma noite, aparenta ser alguém tentando pregar uma peça com um drone.

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Para Marcelo Girardi Schappo, físico, autor do livro “Armadilhas Camufladas de Ciência” e piloto, é difícil o relato do comandante da Gol permitir uma conclusão segura porque os referenciais quando se está voando são pouco confiáveis.

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Assim, algo que parece estar acima pode na verdade estar embaixo, algo que some pode ter sido apenas encoberto e algo que muda de cor pode ser um efeito da interação da luz com os elementos químicos que estão na atmosfera naquele momento, como em uma aurora boreal.

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“Vejo muito na argumentação ufológica: ‘se ninguém sabe explicar, então são aliens’. Todas as outras possibilidades convencionais são muito mais prováveis, como meteoros, planetas brilhantes com nuvens em movimento em frente a eles, descargas elétricas, reflexos de holofotes, drones etc.”, ressalta Schappo.

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“Todas são bem conhecidas e documentadas, e por isso falamos sobre elas, mesmo que as imagens não nos permitam concluir com precisão em favor de qualquer uma delas”, diz o professor.