11/09/2026

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Direita vence na Itália e abre caminho para Giorgia Meloni, indica projeção

(FOLHAPRESS) – A coligação de direita liderada pela sigla Irmãos da Itália deve ser a mais votada nas eleições parlamentares da Itália neste domingo (25), indica projeção com votos já apurados para o Senado.

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Segundo o Consorzio Opinio Italia para a emissora RAI, a chapa dos partidos Irmãos da Itália, de Giorgia Meloni, Liga, de Matteo Salvini, e Força, Itália, de Silvio Berlusconi, deve reunir 43,2% dos votos. Assim, a aliança pode obter a maioria nas duas Casas, sem precisar negociar com outras forças.

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Se confirmada a projeção, o Irmãos da Itália, com 25,4%, indicará o nome do premiê, conforme pacto entre os líderes, e Meloni, 45, se tornará a primeira mulher chefe de governo da Itália e a primeira política da ultradireita no poder desde o ditador Benito Mussolini, no posto entre 1922 e 1943.

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Em segundo lugar, a chapa de centro-esquerda, liderada pelo Partido Democrático, aparece com 26,5%, seguida pelo populista Movimento Cinco Estrelas (MS5), com 15,9%.

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Com apenas 8,8%, a Liga aparece como o quarto partido, seguido pela Força, Itália (7,9%). Os números mostram que o partido de Meloni teve desempenho muito superior ao dos aliados, o que pode ser fonte de atritos dentro da coligação, a começar pela disputa para a nomeação de cargos importantes.

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Em entrevista coletiva na madrugada desta segunda, noite de domingo no Brasil, Meloni disse que esta é uma “noite de orgulho para o Irmãos da Itália, mas é um ponto de partida, não o fim da linha”. “Se formos chamados a governar esta nação, governaremos para todos os italianos, para unir as pessoas, exaltando o que nos une em vez do que nos divide. Não vamos trair a confiança de vocês.”

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A taxa de abstenção foi de 36,2%, a maior da história. Neste domingo, o comparecimento foi menor em algumas regiões do sul do país, afetado por fortes temporais.

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Pouco antes das 10h, Salvini foi um dos primeiros líderes a votar, em Milão. Também na capital da Lombardia, Berlusconi registrou seu voto, junto à namorada. Já Meloni adiou sua ida às urnas, para que o grande número de fotógrafos na sua seção, em Roma, não atrapalhasse os demais eleitores.

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Os 50,8 milhões de eleitores italianos, incluindo os 4,7 milhões fora do país, vão definir os 400 deputados da Câmara e os 200 ocupantes do Senado. No sistema misto, majoritário e proporcional, um terço das cadeiras é ocupado pelos mais votados, e o restante, por distribuição proporcional.

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A formação do próximo governo, com a confirmação do futuro primeiro-ministro, pode demorar semanas ou meses -em 2018, foram quase 90 dias. Antes de o presidente Sergio Mattarella iniciar o processo de consultas aos partidos, é preciso que os eleitos tomem posse e que os presidentes das Casas sejam escolhidos, assim como os grupos parlamentares. Previsões otimistas falam em, no mínimo, 25 dias.

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Programadas para o primeiro semestre de 2023, as eleições foram antecipadas devido à queda de Mario Draghi, que perdeu o apoio de três partidos de sua base -MS5, Liga e Força, Itália- e renunciou em julho.

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Nascida em Roma, no bairro popular de Garbatella, Meloni entrou na política aos 15 anos, quando a Itália vivia os meses mais conturbados da Operação Mãos Limpas, que revelou, em 1992, o envolvimento do sistema político em esquemas de corrupção e que teve como efeito o fim das siglas tradicionais.

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Sua escolha foi pela seção juvenil do Movimento Social Italiano (MSI), fundado em 1946 por integrantes dos últimos anos do regime fascista de Mussolini. Por isso, analistas a identificam ora como pós-fascista, termo usado para definir o movimento derivado do fascismo e que buscou diálogo com forças da direita conservadora moderada, ora como neofascista, em que o período segue como ideologia inspiradora.

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“É um debate em curso, com a maioria se inclinando para o pós-fascismo”, diz o analista político Valerio Alfonso Bruno, membro do Centro de Análise da Direita Radical, no Reino Unido.

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Após anos como militante do movimento estudantil, no qual aperfeiçoou a retórica de palavras claras e contundentes de seus discursos, Meloni foi eleita, aos 29, deputada federal pelo partido Aliança Nacional, formado por membros do MSI. Logo, assumiu uma das vice-presidências da Câmara.

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Dois anos depois, tornou-se a ministra mais jovem do país, ao assumir a pasta da Juventude sob o quarto governo Silvio Berlusconi (2008-2011). No período, seu partido se fundiu com o Força, Itália, do então premiê, sob o nome de Povo da Liberdade. Em 2012, motivada pelo declínio de Berlusconi, criou a própria agremiação. Com cerca de 130 mil filiados, o Irmãos da Itália obteve apenas 4,3% dos votos em 2018.

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Seu programa é nacionalista, o que pode gerar conflitos com a União Europeia, e inclui propostas como bloqueio naval para conter a imigração. É contra a “islamização da Europa” e a adoção por homossexuais.

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Apesar de declarar não ter intenção de mudar a lei que descriminaliza o aborto, de 1978, afirma querer dar ênfase à prevenção, o que pode resultar em obstáculos no acesso ao procedimento pelas mulheres.

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Sua agenda é considerada distante do movimento feminista e, durante a campanha, viu um movimento do tipo “Ela, não” surgir entre celebridades italianas. Um de seus slogans é “Deus, pátria e família”.

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No âmbito internacional, seu partido é próximo dos líderes da Hungria, Viktor Orbán, e da Polônia, Mateusz Morawiecki, e do partido espanhol Vox, todos da ultradireita conservadora. Em relação à Guerra da Ucrânia, defende a linha Draghi, condenando a ação russa e apoiando o envio de armas a Kiev.

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Meloni vai comandar um país fundador da União Europeia, a terceira maior economia do bloco e membro do G7, mas em um cenário de guerra, crise energética e inflação.