11/09/2026

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Bispo ganhador do Nobel da Paz é acusado de abuso sexual de adolescentes, diz revista

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Ganhador do prêmio Nobel da Paz em 1996, o bispo Carlos Filipe Ximenes Belo foi acusado de ter abusado sexualmente de rapazes menores de idade. Em uma reportagem publicada nesta quarta-feira (28) na revista holandesa “De Groene Amsterdammer”, resultado de uma investigação do periódico, Paulo (nome fictício) relata que o religioso tirou suas calças e fez sexo oral nele. Um outro homem, identificado como Roberto, afirma ter sido estuprado.

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Os episódios teriam ocorrido na casa do bispo em Dili, no Timor Leste, nas décadas de 1980 e 1990, segundo a reportagem. Paulo tinha por volta de 15 anos e Roberto, 14. As supostas vítimas, que viviam na pobreza extrema, relatam ainda terem recebido dinheiro de Belo depois dos atos sexuais.

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A reportagem afirma ter conversado também com outras vítimas que teriam sido abusadas pelo religioso e com pessoas com conhecimento do caso: oficiais do governo, políticos, funcionários de ONGs e representantes da Igreja Católica.

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Quando procurado pela revista para comentar as acusações, o bispo chegou a pegar o telefone mas desligou imediatamente, segundo a reportagem. Depois da publicação, o Vaticano afirmou que vai investigar as acusações.

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“Estávamos com medo de falar sobre isso. Tínhamos medo de passar a informação”, disse Paulo, acrescentando que o líder católico abusava de sua posição de poder. Segundo Roberto, o dinheiro que o religioso lhe dava era para que ele ficasse de boca calada.

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Bispo da congregação salesiana, Carlos Filipe Ximenes Belo ganhou o Nobel quando tinha 48 anos e defendia há mais de dez os direitos humanos no Timor Leste, uma ex-colônia portuguesa ocupada pela Indonésia depois de sua independência, em 1975. Ele foi agraciado “por seu trabalho por uma solução justa e pacífica para o conflito do Timor”, segundo o comitê do prêmio na Noruega. À época da premiação, o bispo era “não apenas o poderoso chefe da Igreja Católica Romana de Timor Leste, mas também um herói nacional e um farol de esperança para o povo”, afirma a reportagem.

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Belo dividiu o Nobel com José Ramos-Horta, outro líder da resistência do Timor Leste à época e atual presidente do país.

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Roberto, uma das vítimas, afirmou à reportagem ter perdido diversos parentes devido à violenta ocupação da Indonésia, que se estendeu de 1975 a 1999 -naqueles anos, cerca de 183 mil timorenses morreram de fome, doenças e exaustão. Neste contexto, a Igreja Católica era muito respeitada no Timor Leste tanto pelo seu papel religioso quanto como uma instituição que ajudava o povo e oferecia proteção.

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Belo tem hoje 74 anos e mora em Portugal. Ele renunciou à sua posição de bispo no início dos anos 2000, afirmando que sofria de fadiga mental e física, e anos mais tarde assumiu o cargo de padre-assistente em Maputo, no Moçambique, um trabalho de menos prestígio na hierarquia da igreja.

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O religioso precisa de uma autorização para viajar, segundo a reportagem. A restrição é uma medida tomada pelas autoridades da igreja durante a investigação de um caso para proteger as vítimas, a investigação e o suspeito. A igreja também pode aplicar restrições do tipo após um veredito de culpa.

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Esta é a segunda polêmica envolvendo o Nobel da Paz nos últimos anos. O prêmio que dá grande prestígio moral aos agraciados sofreu críticas no ano passado, depois de o ganhador de 2019, o premiê da Etiópia Abiy Ahmed, ordenar um ataque a rebeldes da região de Tigré, no norte do país. O conflito, um dos maiores do continente africano, provocou mais de 2 milhões de desabrigados e um número incerto de mortos, na casa dos milhares.