14/09/2026

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Após críticas em todo o mundo, família Bolsonaro ‘esconde’ Cloroquina

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Postagens com menções às palavras cloroquina e hidroxicloroquina tornaram-se raras nas redes sociais do presidente Bolsonaro (PL) e dos seus filhos Flávio, Eduardo e Carlos. Citadas 323 vezes só no primeiro semestre de 2020, quando a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou a pandemia de Covid-19, as drogas foram mencionadas uma única vez desde o segundo semestre do ano passado. E esse comentário nem era em defesa do medicamento.

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Os dois remédios são recomendados principalmente no tratamento de malária. A ideia de que seriam eficientes contra o Sars-CoV-2 partiu do médico infectologista francês Didier Raoult. No entanto, diversos estudos mostraram que os fármacos não apresentam eficácia contra o Sars-CoV-2. Além disso, ainda representam riscos para o surgimento de doenças cardiovasculares.

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Mesmo sem contar com evidências, a família Bolsonaro defendeu as drogas por meses. A situação fez com que o presidente tivesse atritos com ministros da Saúde. Nelson Teich, por exemplo, pediu demissão após não concordar com a vontade do presidente de recomendar a cloroquina para pacientes com casos leves e moderados de Covid.

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Há mais de um ano, porém, a posição favorável aos remédios passou a ser menos divulgada pelos Bolsonaros, segundo levantamento da plataforma Metamemo, que armazena informações públicas postadas em redes sociais.

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O estudo revisou as postagens no Twitter, Facebook, Instagram e YouTube do presidente e de seus três filhos. Grande parte das publicações se concentrou em 2020, sendo a queda mais evidente a partir do segundo semestre do ano passado. Desde então, não houve menção à hidroxicloroquina. No caso da cloroquina, só apareceu em uma postagem de lá para cá.

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Essa única publicação foi feita pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro em 24 de setembro de 2022, dia de um debate presidencial. O comentário nem foi de defesa ao remédio como acontecia anteriormente. “Debate está tipo séria A contra série B. ‘O que é o que é’, florentina x cloroquina, não cutuque a onça… meu Deus!”, escreveu.

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A diminuição das postagens com referências positivas aos fármacos destoa da forma como a família abordava as redes sociais antes. Entre 2020 e o primeiro trimestre de 2021, foram 472 postagens mencionando alguma das duas drogas.

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O primeiro post do clã Bolsonaro sobre os remédios ocorreu em 25 março de 2020, quando a OMS já havia declarado pandemia. Até junho daquele ano, foram 323 publicações sobre os medicamentos.

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Nesse período, os membros da família já defendiam o uso dos remédios no Brasil para tratamento da infecção, mesmo que ainda não existissem evidências científicas acerca da eficácia delas no tratamento de pacientes com Covid.

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Em meio à pandemia, a cloroquina teve isenções de impostos a fim de facilitar sua circulação. O presidente ainda mobilizou o Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército para produzir cápsulas do fármaco. A Aeronáutica, por sua vez, colaborou com o transporte de cargas do remédio para regiões do país.

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O posicionamento a favor dos dois medicamentos se manteve no segundo semestre de 2020, mas o volume de posts foi menor, alcançando 117 no total. Um deles partiu do senador Flávio Bolsonaro, diagnosticado com Covid.

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“Estou curado da Covid-19, gracas a deus! Tratei desde os primeiros sintomas com hidroxicloroquina e azitromicina [outro remédio do kit Covid, mas que não conta com comprovação científica], com acompanhamento medico!”, escreveu o senador.
A partir do primeiro semestre de 2021, os posts com menções aos medicamentos declinaram ainda mais -foram somente 32. Parte deles fazia referência à CPI da Covid, investigação dos congressistas a respeito da atuação do governo federal.

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Fora das redes sociais, Bolsonaro chamou a CPI de “xaropada” e caracterizou como “canalhas” aqueles contrários a prescrição de hidroxicloroquina para em casos de Covid.