11/09/2026

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Atirador ataca creche na Tailândia e mata 37, incluindo 22 crianças

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em um dos massacres mais mortais da história da Tailândia, um ex-policial matou 37 pessoas, incluindo 22 crianças de dois e três anos -a maioria, a facadas- ao invadir uma creche no nordeste do país.

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O episódio ocorreu no início da tarde desta quinta-feira (6) na cidade de Uthai Sawan, a 500 quilômetros à nordeste de Bancoc, capital do país, e terminou com o agressor matando a própria esposa e o filho de quatro anos antes de se suicidar.

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A polícia identificou o autor dos crimes como Panya Kamrab, um ex-policial de 34 anos afastado do cargo de tenente-coronel no ano passado por problemas relacionados a drogas. Ele enfrentava um julgamento por posse de metanfetamina e havia estado na corte horas antes do ataque, segundo disse o porta-voz da polícia, Paisan Luesomboon, à emissora Thai PBS.

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Paisan afirmou que o ex-policial tinha ido à creche buscar o próprio filho, mas não o encontrou. “Ele já estava nervoso, e quando não viu o filho, ficou ainda mais estressado e começou a atirar.”

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O agressor invadiu a creche por volta das 12h30 (3h30 no horário de Brasília), e estava armado com uma faca, um fuzil e uma pistola de nove milímetros, a última adquirida legalmente, segundo a polícia.

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Cerca de 30 crianças estavam no local àquela altura -menos do que o usual, em razão de uma forte chuva, segundo a funcionária pública Jidapa Boonsom, que trabalhava em um local próximo no momento do ataque.

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Ela relatou que o ex-policial de início atacou quatro ou cinco funcionários da creche. Um deles era uma professora que estava grávida de oito meses, esfaqueada até a morte. A princípio, as pessoas confundiram o som dos tiros com fogos de artifício.

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O ex-policial então forçou a entrada em uma sala trancada onde as crianças dormiam, disse Boonsom, e as esfaqueou. Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram lençóis cobrindo o que parecem ser corpos de crianças deitados sobre poças de sangue. A veracidade dos vídeos não pôde ser imediatamente comprovada.

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Segundo as autoridades, o agressor ainda atropelou várias pessoas ao fugir do local do crime. Além dos mortos, o ataque deixou 12 feridos, três deles em estado grave.

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O primeiro-ministro tailandês, Prayuth Chan-Ocha, afirmou em postagem em rede social que ordenou a ida imediata do chefe de polícia à cena do crime e que pediu aos órgãos responsáveis que socorressem os afetados. Seu vice, Prawit Wongsuwan, anunciou que viajará à cidade em que ocorreu o ataque ainda nesta quinta para se reunir com as famílias das vítimas.

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O governo ainda garantiu que providenciará assistência financeira para ajudar as famílias a cobrir gastos funerários e tratamentos médicos.

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No final da tarde, a polícia ainda vigiava a entrada principal da creche, um prédio rosa de um só andar cercado por um gramado e pequenas palmeiras. Em um gazebo perto dali, pessoas esperavam por novas notícias ansiosamente.

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O episódio é um dos piores ataques solo envolvendo crianças da história. Em 2011, na Noruega, o militante da ultradireita Anders Brevik matou 69 pessoas, adolescentes em sua maioria, em uma colônia de férias organizado pela juventude trabalhista. Outros casos incluem o massacre de Dunblane, na Escócia, em 1996, em que morreram 16 crianças; e o de Uvalde, no Texas, este ano, em que 19 crianças foram mortas.

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Apesar de a Tailândia ser um dos países com o maior número de armas em circulação do mundo, ataques como o desta quinta são raros. Nos últimos anos, no entanto, aconteceram ao menos dois casos de homens ligados às forças armadas que executaram ataques semelhantes.

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No mês passado, um sargento matou dois colegas em um tiroteio em um centro de treinamento militar em Bancoc. Dois anos antes, em 2020, um soldado matou 29 pessoas e feriu outras 57 ao se desentender com um superior durante a venda de um imóvel.

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Os militares têm grande influência em muitos setores do cotidiano da Tailândia, da política aos negócios, e tomaram o poder em várias ocasiões nas últimas décadas, a mais recente delas em 2014.