11/09/2026

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Pesquisa aponta sensação de falta de reconhecimento e burnout entre enfermeiros

(FOLHAPRESS) – Uma pesquisa realizada pelo Instituto Qualisa de Gestão (IQG) mostrou que sensações de sobrecarga mental, de falta de reconhecimento e de fadiga aumentaram entre os profissionais da área de enfermagem durante a pandemia da Covid-19.

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Foram entrevistados 1.484 colaboradores de seis instituições de saúde, públicas e privadas, de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Amazonas, entre dezembro de 2020 e junho de 2021.

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O levantamento revela que o sentimento de baixa realização profissional chega a 69,1% dos entrevistados. Esse quadro, somado à pressão da atividade, aumenta também a incidência de risco de burnout relacionado à exaustão emocional e despersonalização no ambiente de trabalho, aspectos que atingem em torno de 18% dos profissionais. A despersonalização é um tipo de distúrbio mental que gera um sentimento de desconexão entre o corpo e os pensamentos.

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O objetivo do estudo era demonstrar as percepções do ambiente da prática profissional dos enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem por meio da aplicação da pesquisa de ambiente da prática profissional (Practice Environment Scale of the Nursing Work Index – PES/NWI) e da Maslash Burnout Inventory (MBI), bem como compará-las.

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Os dados obtidos resultaram no texto “Análise do ambiente de trabalho e burnout entre enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem em instituições brasileiras”, de autoria dos avaliadores do IQG, Lucianna Reis Novaes, Michel Mattos de Barros e Fabrício dos Santos Cirino. O documento foi publicado no Asploro Journal of Biomedical and Clilnical Case Reports.

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“Qualquer erro na área de saúde pode ser traumático ou irreversível, não só para o paciente como para o profissional da saúde. Todo esse nível de desgaste emocional dos profissionais de enfermagem aumenta uma preocupação cada dia maior com o adoecimento mental dos trabalhadores”, afirma Mara Machado, CEO e sócia-fundadora do IQG.

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A pesquisa identificou contextos de frequente aparecimento de medo, insegurança, ansiedade, temor de contaminação e de novas formas de trabalho, levando ao aumento da probabilidade a erros na assistência.

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“O ambiente de enfermagem no país está repleto de características que interferem negativamente no trabalho, como alta rotatividade, absenteísmo, duplo emprego, alta carga de trabalho, riscos ocupacionais, elevada carga mental e sofrimento pela morte de pacientes”, observa Machado.

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Para enfrentar o cenário de desgaste para os profissionais, a CEO do IQG destaca a necessidade de mudanças importantes no ambiente de trabalho, que passam por melhor divisão das definições sobre a disponibilidade dos recursos, além da assertividade das lideranças na definição das entregas que a equipe precisa fazer, voltadas à qualidade e à segurança no cuidado.

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“Como em qualquer outra profissão, o reconhecimento e o desenvolvimento profissional são medidas essenciais para envolver os profissionais nessas entregas. É essencial a compreensão, frente a uma crise epidemiológica, sobre a importância do protagonismo da enfermagem, não apenas para um maior reconhecimento da categoria, mas para posicionar sua importância no âmago da gestão dos serviços de saúde”, aponta.

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Atualmente, os profissionais da área lutam pelo piso salarial da categoria. A implantação do piso nacional da enfermagem foi suspensa em todo o país após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal). Por 7 votos a 4, a maioria dos ministros referendou liminar de Luís Roberto Barroso em favor da suspensão até que sejam apresentadas informações sobre o impacto econômico da medida.

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Aprovada em julho e sancionada em agosto, a lei 14.434/2022 fixou piso salarial mínimo de R$ 4.750 para os enfermeiros. Técnicos em enfermagem devem receber 70% desse valor (R$ 3.325), e auxiliares de enfermagem e parteiros, 50% (R$ 2.375).