11/09/2026

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Iranianos em SP protestam contra morte de Mahsa Amini e pedem fim de regime islâmico

FLÁVIA MANTOVANI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – “Oi, pessoas do mundo. Podem me ouvir? Eu sou do Irã!”

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O cartaz escrito em português, empunhado por uma imigrante iraniana na sexta-feira (23) na avenida Paulista, tentava chamar a atenção de quem passava para uma causa que vem levando milhares de pessoas às ruas no Irã e em outros países.

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A morte de Mahsa Amini, uma mulher de 22 anos que foi detida na capital iraniana supostamente por deixar parte do cabelo à mostra sob o véu islâmico, gerou uma convulsão social, com protestos acontecendo desde o último sábado em várias cidades do país.

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Acusada de usar trajes inadequados pela polícia moral, Amini foi detida sob argumento de que deveria ser “convencida e educada”, mas saiu da prisão diretamente para o hospital, onde morreu três dias depois. A diáspora iraniana, muito numerosa nos EUA e na Europa, também vem organizando manifestações pedindo respeito aos direitos das mulheres em seu lugar de origem.

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No Brasil, são poucos os imigrantes vindos do Irã, mas um grupo de cerca de 30 pessoas quis expor sua insatisfação com o regime fundamentalista que comanda o país há mais de 40 anos. Reunidos no vão-livre do Masp, eles seguravam cartazes com fotos de Mahsa Amini e mensagens como “Revolta contra o véu islâmico”, “abaixo a ditadura” e “freedom in Iran” (liberdade no Irã, em inglês).

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Também levaram uma grande foto do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do regime, com os dizeres “abaixo Khamenei assassino!”.

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Três mulheres iranianas se revezavam ao microfone, contando a história de Mahsa e pedindo liberdade e direitos femininos. Elas gritavam, principalmente, uma sequência de três palavras: “Mulher. Vida. Liberdade”. Em alguns momentos, se emocionaram.

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“Meu pai, minha mãe, meu irmão estão nas ruas [no Irã]. Não posso ficar quieta aqui”, gritava uma delas, a cantora Mahmonir Nadim. “Cortaram a internet no Irã. Nós somos as vozes dessas mulheres”, dizia a irã de Mahmonir, Mahsima.

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A iraniana Marjan, que pediu para não ter o sobrenome divulgado, foi à manifestação acompanhada dos pais, também imigrantes. “A situação no Irã está muito ruim. Estão matando mulheres e meninas. Temos que levantar nossas vozes para todo mundo ajudar.”

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Muitos pedestres pararam para observar, curiosos em relação ao protesto. Quem não conhecia a história de Mahsa Amini ficou sabendo dela naquele momento.
Um casal que atravessava a avenida tentava explicar às filhas pequenas o que acontece no país do outro lado do mundo. “Elas precisam usar véu no casamento?”, perguntou uma das crianças. “Não, elas precisam usar véu o tempo todo”, respondeu o pai, diante da expressão incrédula da menina.

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Alguns brasileiros também participaram do protesto. “Não tem como não se solidarizar com o que está acontecendo”, disse Marina Reinoldes, diretora pedagógica da ONG Educação sem Fronteiras, que tem alunos iranianos nos cursos de português. “Nós, brasileiros, não estamos lá, mas podemos ajudar a amplificar as vozes dessas pessoas, que são potentes e têm muito a dizer.”