11/09/2026

Bocudo Caldas

Magazine Digital

Erdogan se autoelogia como mediador na guerra e cobra mais ação da ONU

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente turco Recep Tayyip Erdogan deixou de lado a modéstia ao destacar suas tentativas de buscar a paz na Guerra da Ucrânia na Assembleia-Geral da ONU nesta terça (20).

n

n

Em seu discurso, ele afirmou que o acordo de exportação de grãos ucranianos que ele ajudou a mediar, citado pelo secretário-geral António Guterres na abertura do evento, foi um dos momentos de maior relevância das Nações Unidas nos últimos anos e reviveu a confiança da comunidade internacional nela. Ele ainda lançou um apelo para que os demais países apoiem futuras iniciativas da Turquia de construir a paz na região, reforçando sua busca por se projetar como moderador entre Ocidente e Oriente.

n

O autoelogio foi seguido por uma crítica à própria ONU, que segundo Erdogan não tem sido efetiva e precisa investir mais esforços para solucionar os problemas globais. Ele insinuou que um dos problemas nesse sentido é a falta da representatividade do atual Conselho de Segurança, o mais importante do organismo multilateral. “O mundo é maior do que cinco”, disse ele, em referência ao número de países que tem poder de veto dentro do colegiado.

n

Além da guerra, Erdogan também pincelou a posição da Turquia em vários dos conflitos que ocorrem em sua área de influência. Um dos momentos mais enfáticos do seu pronunciamento foi quando discorreu sobre a crise de refugiados, uma de suas maiores dores de cabeça hoje – a Turquia abriga 3,6 milhões de imigrantes sírios que, na visão de parte da população, competem por vagas de empregos.

n

Exibindo uma imagem que mostrava uma paisagem desértica com fileiras de casas até onde a vista alcançava, ele afirmou que seu governo ergueu na Síria 100 mill casas, e está construindo outras 200 mil, para que um milhão de refugiados possam voltar ao seu país de origem. Também acusou a Grécia de agir com tirania em relação aos refugiados, mostrando em seguida uma fotografia de duas crianças mortas enquanto tentavam fazer a travessia para o país. “A Grécia está tornando o mar Egeu um cemitério”, disse.