11/09/2026

Bocudo Caldas

Magazine Digital

Facebook e TikTok aprovam anúncios com desinformação sobre eleições nos EUA

O Facebook e o TikTok falharam em bloquear anúncios com desinformação “flagrante” sobre quando e como votar nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, bem como sobre a integridade do processo de votação, de acordo com um novo relatório da agência de direitos humanos Global Witness e da Cybersecurity for Democracy Team (C4D), da Universidade de Nova York.

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Em um experimento, os pesquisadores enviaram 20 anúncios com declarações imprecisas ao Facebook, TikTok e YouTube. Os anúncios foram direcionados para estados como Arizona e Geórgia.

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Enquanto o YouTube foi capaz de detectar e rejeitar todos os envios de testes e suspender o canal usado para publicá-los, as outras duas plataformas se saíram visivelmente piores, de acordo com o relatório.

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O TikTok aprovou 90% dos anúncios que continham informações flagrantemente falsas ou enganosas, descobriram os pesquisadores. Enquanto isso, o Facebook aprovou um “número significativo”, de acordo com o relatório, embora visivelmente menor que o TikTok.

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Os anúncios, enviados em inglês e espanhol, incluíam informações afirmando falsamente que os dias de votação seriam estendidos e que as contas de mídia social poderiam funcionar como meio de verificação de eleitores.

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Os anúncios também continham alegações destinadas a desencorajar a participação dos eleitores, como alegações de que os resultados das eleições poderiam ser hackeados ou que foi pré-decidido.

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Os pesquisadores retiraram os anúncios após passarem pelo processo de aprovação, para que os anúncios contendo informações erradas não fossem exibidos aos usuários.

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“O desempenho do YouTube em nosso experimento demonstra que detectar desinformação eleitoral prejudicial não é impossível”, disse Laura Edelson, codiretora da equipe C4D da NYU, em uma nota que acompanha o relatório.

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“Mas todas as plataformas que estudamos deveriam ter obtido nota ‘A’ nesta tarefa. Pedimos ao Facebook e ao TikTok que façam melhor: parem as informações ruins sobre eleições antes que cheguem aos eleitores”.

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Em resposta ao relatório, um porta-voz da Meta, controladora do Facebook, disse que os testes “se basearam em uma amostra muito pequena de anúncios e não são representativos, dado o número de anúncios políticos que analisamos diariamente em todo o mundo”.

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O porta-voz acrescentou: “Nosso processo de revisão de anúncios tem várias camadas de análise e detecção, antes e depois de um anúncio ser publicado”.

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Um porta-voz do TikTok disse que a plataforma “é um lugar para conteúdo autêntico e divertido, e é por isso que proibimos e removemos desinformação eleitoral e publicidade política paga de nossa plataforma. Valorizamos o retorno analítico de ONGs, acadêmicos e outros especialistas que nos ajudam a fortalecer continuamente nossos processos e políticas”.

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O Google disse que “desenvolveu extensas medidas para combater a desinformação em nossas plataformas, incluindo falsas alegações sobre eleições e procedimentos de votação”.

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A empresa acrescentou: “Sabemos o quanto é importante proteger nossos usuários desse tipo de abuso – principalmente antes de grandes eleições como as dos Estados Unidos e do Brasil – e continuamos investindo e melhorando nossos sistemas de fiscalização para melhor detectar e remover estes conteúdos”.

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Vitolda Klein/ Unsplash

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Embora limitado em escopo, o experimento pode renovar as preocupações sobre as medidas tomadas por algumas das maiores plataformas sociais para combater não apenas a desinformação sobre candidatos e questões, mas também a desinformação aparentemente clara sobre o processo de votação em si, com apenas algumas semanas antes da votação de meio de mandato.

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O TikTok, cuja influência e julgamento na política dos EUA cresceu nos últimos ciclos eleitorais, lançou um Centro de Eleições em agosto para “conectar pessoas que se envolvem com conteúdo eleitoral a informações oficiais”, incluindo orientações sobre onde e como votar, e adicionou rótulos para identificar conteúdo relacionado às eleições de meio de mandato, de acordo com uma postagem no blog da empresa.

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No mês passado, o TikTok tomou medidas adicionais para proteger a veracidade do conteúdo político antes das eleições de meio de mandato. A plataforma começou a exigir “verificação obrigatória” para contas políticas sediadas nos Estados Unidos e lançou uma proibição geral de toda arrecadação de fundos políticos.

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“Como estabelecemos antes, queremos continuar a desenvolver políticas que sustentem e promovam um ambiente positivo que una as pessoas, não as divida”, disse Blake Chandlee, presidente de soluções de negócios globais do TikTok, em um post no blog.

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“Fazemos isso atualmente trabalhando para manter a desinformação prejudicial fora da plataforma, proibindo a publicidade política e conectando nossa comunidade com informações oficiais sobre eleições”.

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A Meta disse em setembro que seu plano de médio prazo incluiria a remoção de falsas alegações sobre quem pode votar e como, bem como apelos à violência ligada a uma eleição. Mas a Meta não chegou a proibir alegações de eleições fraudadas ou fraudulentas, e a empresa disse ao Washington Post que esses tipos de alegações não serão removidas por nenhum conteúdo envolvendo as eleições de 2020.

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Olhando para o futuro, a Meta proibiu anúncios nos EUA que “questionam a legitimidade de uma eleição futura ou em andamento”, incluindo as eleições intermediárias, de acordo com a política da empresa.

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O Google também tomou medidas em setembro para proteger contra desinformação eleitoral, elevando informações confiáveis e exibindo-as com mais destaque em serviços como pesquisa e YouTube.

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As grandes empresas de mídia social normalmente contam com uma mistura de sistemas de inteligência artificial e moderadores humanos para verificar a grande quantidade de postagens em suas plataformas. Mas mesmo com abordagens e objetivos semelhantes, o estudo é um lembrete de que as plataformas podem diferir muito em suas ações de aplicação de conteúdo.

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De acordo com os pesquisadores, o único anúncio que eles enviaram e que o TikTok rejeitou continha alegações de que os eleitores precisavam ter recebido uma vacina contra a Covid-19 para votar. O Facebook, por outro lado, aceitou essa submissão.

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* Com informações de Clare Duffy, da CNN.

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Este conteúdo foi originalmente publicado em Facebook e TikTok aprovam anúncios com desinformação sobre eleições nos EUA no site CNN Brasil.

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