11/09/2026

Bocudo Caldas

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Mais de 70 cidades têm atos contra cortes de Bolsonaro na educação

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Ao menos 73 cidades registram nesta terça-feira (18) manifestações contra cortes do governo Jair Bolsonaro (PL) no orçamento da educação. Os atos foram chamados por entidades estudantis, com adesão de trabalhadores da educação, segundo os organizadores.

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Sob Bolsonaro, os recursos da educação sofrem reduções sistemáticas. No início do mês, o governo bloqueou recursos com impacto nas contas de institutos e universidades federais, que, por sua vez, se posicionaram contra a situação descrita como insustentável para a manutenção das atividades.

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O ministro da Educação, Victor Godoy Veiga, chegou a negar o bloqueio e acusou as instituições de motivação política nas queixas. Dias depois, no entanto, anunciou o desbloqueio em razão da pressão política nas vésperas do segundo turno em que Bolsonaro concorre com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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As entidades estudantis chamaram os atos antes do recuo do MEC (Ministério da Educação) e mantiveram a mobilização “em defesa da educação e contra o orçamento secreto”. Encabeçam os protestos entidades como a UNE (União Nacional dos Estudantes), UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) e ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos).

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Segundo contabilização do movimento estudantil, foram registradas ao longo do dia manifestações em cidades de 19 estados e no Distrito Federal. Em vários locais havia faixas contra a reeleição de Bolsonaro e de apoio a Lula.

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Na capital federal, estudantes marcharam no final da manhã na esplanada dos ministérios e finalizaram o ato em frente à sede do MEC. Não houve registros de confusão.

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Em São Paulo, um protesto na entrada do portão 1 da USP (Universidade de São Paulo) bloqueou o cruzamento da rua Alvarenga e com a avenida Afrânio Peixoto, no Butantã, zona oeste, pela manhã.

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Uma nova manifestação foi marcada para as 17h, com concentração em frente ao Masp, na avenida Paulista, região central.
Neste governo, o MEC ainda ficou no centro de denúncias de corrupção. O ex-ministro Milton Ribeiro saiu do cargo uma semana após o jornal Folha de S.Paulo revelar áudio em que ele dizia privilegiar pedidos de pastores sob orientação de Bolsonaro.

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As universidades federais estiveram no alvo do governo Bolsonaro desde o primeiro ano de governo. Em 2019, o ex-ministro Abraham Weintraub disse em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo que cortaria verbas de universidades como retaliação ao que ele classificou como balbúrdia.
Na ocasião, o governo havia bloqueado 30% dos recursos das federais, o que gerou uma série de manifestações nas ruas. Weintraub também relacionou as instituições a uso e produção de drogas.

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Mesmo depois da saída dele o MEC manteve uma política de nomear reitores que não tenham sido os mais votados, em busca de alinhamento ideológico.

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As instituições federais de ensino superior passam por reduções de orçamento ao menos desde 2015, ainda no governo Dilma Rousseff (PT). Sob o governo Bolsonaro, enfrentam reduções no orçamento livre, cortes e congelamentos –a UFRJ, federal do Rio de Janeiro, por exemplo, chegou a ameaçar fechar as portas no ano passado.

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O governo Bolsonaro ainda retirou R$ 1,2 bilhão do FNDCT (Fundo Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico), com impacto na produção científica realizada pelas universidades. A ação fez com que seja aberto espaço no orçamento para os ministérios da Economia, do Desenvolvimento Regional e do Trabalho e Previdência.

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O FNDCT é um importante mecanismo para financiar o desenvolvimento científico e tecnológico. Parte desse recurso é destinada para institutos de pesquisas. Outra parcela compõe um crédito voltado para empresas que desejam realizar pesquisas.

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A Folha de S.Paulo mostrou em setembro que os gastos com construção de creches caem fortemente, ano a ano, desde 2019.
O MEC terminou 2021 com R$ 101 milhões pagos para obras de creches em prefeituras. Trata-se de uma redução de 80% com relação a 2018, último ano do governo Michel Temer (MDB), quando a cifra foi de R$ 495 milhões, em valores atualizados a preços de 2021.

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No orçamento de 2023, a previsão é da retirada de R$ 1 bilhão da educação básica. O cenário negativo para a educação infantil se intensifica: os recursos previstos para a etapa caem 96% com relação ao projeto deste ano. Passa de R$ 151 milhões para apenas R$ 5 milhões, como ressalta análise do Movimento Todos Pela Educação.