11/09/2026

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Preço de carro usado começa a ceder, mas crédito trava vendas

EDUARDO SODRÉ
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A cada automóvel novo vendido no Brasil entre janeiro e outubro, cinco modelos usados foram negociados. O dado, que é baseado nos resultados divulgados pela Fenabrave (associação dos revendedores), mostra o peso do segmento de carros de segunda mão.

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Embora as 8,35 milhões de unidades negociadas neste ano impressionem, esse mercado está em queda. Na comparação com o mesmo período de 2021, há retração de 11,8%. Com isso, os valores cobrados começam a diminuir após um ciclo de aumentos.
Essa queda é recente. Segundo a KBB Brasil, empresa especializada em precificação de veículos, a média de valores cobrados por modelos seminovos (até três anos de uso) caiu 0,56% em agosto e 0,19% em setembro. No acumulado do ano, contudo, ainda há alta acumulada de 1,42%, reflexo das remarcações no primeiro semestre.

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“O preço do seminovo valorizou bastante desde o ano passado, já que houve uma redução na oferta de veículos novos. Agora os valores têm se ajustado melhor à demanda do mercado”, diz Roger Laughlin, cofundador e CEO da Kavak.

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O executivo lembra uma das razões do período de altas: a falta de semicondutores levou à escassez e ao consequente encarecimento dos modelos zero-quilômetro, o que se refletiu por todo o mercado.
Ao mesmo tempo, a alta na taxa básica de juros elevou os custos do financiamento.

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“O crédito é hoje a mola propulsora do consumo, e vimos muitas das instituições financeiras restringindo o crédito devido à alta da inadimplência”, afirma Flávio Passos, vice-presidente de autos e comercial da OLX. “Quando pesquisamos os consumidores, vemos que existe muito interesse em comprar um carro, mas há necessidade de financiamento.”

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Segundo boletim divulgado pela B3 na sexta (11), a taxa de inadimplência acima de 90 dias em contratos de financiamento (pessoa física) chegou a 5,18% em setembro. No mesmo mês de 2021, era de 3,42%.

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Esse cenário aumenta as restrições dos bancos, o que dificulta a tomada de crédito. Um estudo divulgado pela OLX em outubro mostra que a maioria dos consumidores que têm interesse em adquirir um carro planeja comprar por meio de entrada e financiamento (38%), seguido de pagamento à vista (37%). Cerca de 10% dos 4.580 entrevistados pretendem financiar 100% do valor do bem, enquanto 8% preferem utilizar o consórcio.

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Muitos desses compradores têm sido obrigados a refazer as contas. Em janeiro de 2020, antes da pandemia de Covid-19, um Toyota Corolla XEI 2015 era avaliado em R$ 66.482 na tabela Fipe. Um ano depois, o preço médio era de R$ 67.293, valor que saltou para R$ 85.447 em maio de de 2022. Agora a cotação para o mesmo carro é de R$ 84.060.
“Quem pensava em comprar um carro 2015 agora talvez tenha que comprar um 2013. Mais do que nunca, é necessário o apoio das instituições reabrindo o crédito, o que não tem acontecido neste fim de ano”, diz Passos. “A expectativa para 2023 é de que as coisas se normalizem, com retomada do emprego e redução do índice de endividamento das famílias.”

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Enilson Sales, presidente da Fenauto (associação que reúne revendedores de carros usados), prevê que o mercado se normalize no próximo ano, com retorno do crescimento de vendas.

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“Vínhamos crescendo mês a mês em 2022, mas tivemos um tranco em setembro e outubro que não foi provocado pela inflação ou por aumento de preços”, diz Sales. “O período eleitoral nos impactou, o consumo foi reduzido e o público ficou de espectador das notícias, mas a expectativa é de retomada.”
O presidente da Fenauto afirma ainda que o cenário econômico não foi tão ruim como o esperado neste segundo semestre, o que pode influenciar nos juros praticados em financiamentos. “Os bancos sempre trabalham antecipando o que vai acontecer, [projetando] um cenário de realista a pessimista para se proteger, mas as próprias áreas de crédito já começam a soltar as amarras.”

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O apetite por oferecer mais crédito é visto nos números do C6 Bank, que lançou sua plataforma de financiamento no fim de 2021.
“Saímos de R$ 10 milhões em financiamentos em dezembro para algo por volta de R$ 400 milhões em outubro”, diz Ricardo Bonzo, head de financiamento da instituição.

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“O revendedor tem facilmente quatro ou cinco opções de crédito para oferecer na loja, se não estiver em grau de competição com os principais players desse mercado, [o banco] estará fora.”

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Segundo a B3, as vendas de veículos por meio de financiamento somaram 4,48 milhões de unidades entre janeiro e outubro. O número inclui motos, veículos leves e pesados, sejam novos ou usados. Em relação ao mesmo período de 2021, houve queda de 9,25% nessa modalidade de compra.