11/09/2026

Bocudo Caldas

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Exorcismo e sua história dentro da Igreja Católica

No ano de 2021, um incidente envolvendo uma criança de três anos e uma sessão de exorcismo atraíram os olhos do mundo. Como resultado disso, a prática, antes cada vez mais restrita aos filmes de ficção, tornou-se novamente centro de debate ao redor do mundo.

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Após a suposta sessão de exorcismo, três familiares da vítima foram acusados de crime de abuso infantil. Isso se deu pelo fato de, durante a cerimônia, alguém ter asfixiado a criança.

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O ocorrido serviu para reascender as discussões em torno das mortes causadas em rituais de exorcismo no passado. Por exemplo, em 1976, Anneliese Michel, uma alemã, morreu de desidratação e desnutrição após um processo de 10 meses de exorcismos católicos.

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Já em 2005, Maricica Irinia Cornici, uma freira ortodoxa romena, faleceu na ambulância. Mais tarde descobriu-se que, durante uma sessão de exorcismo, ela havia sido acorrentada em uma cruz.

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Dito isso, a prática do exorcismo é um assunto que oscila até mesmo dentro da própria Igreja Católica. Consequentemente, ao longo da história, a instituição procurou rever sua posição em relação ao método sobrenatural.

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Exorcismo: a vida imita a arte?

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Fonte: Warner Bros. Pictures

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Gostando de filmes de terror ou não, certamente você já ouviu falar do filme “O Exorcista”, lançado em 1973. Na trama, um padre é chamado para ajudar uma garota de doze anos que vem apresentando um comportadomento assustador.

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Ao passo que a produção tornou-se um sucesso, muitas pessoas passaram a buscar o auxílio de padres para lidar com os supostos demônios que assombravam suas vidas.

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Contudo, a própria Igreja possuía um posicionamento cético em relação ao exorcismo. Acreditando ou não, era inegável o sucesso do assunto entre o público, o que transformou a prática em uma agenda política de conversão de fiéis.

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Dessa forma, em 1991, autoridades eclesiásticas permitiram que fosse transmitido na televisão uma sessão de exorcismo. Em seguida, o padre Richard P. McBrien falou um pouco sobre a súbita decisão expositiva.

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Foi assim que McBrien declarou que o exorcismo estava sendo apresentado daquela forma não para salvar almas, mas como maneira de impulsionar o avanço de uma agenda política tradicional.

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Fé, ciência e, sobretudo, política

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Exorcismo e sua história dentro da Igreja Católica

Fonte: Los Tiempos

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Diante desse contexto, travou-se outra discussão dentro dos muros da igreja. Sacerdotes são pessoas que estudam durante toda sua vida, independente do posicionamento e da abordagem que utilizem.

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Sendo assim, muitos acabam tornando-se acadêmicos de estudos religiosos, como Joseph P. Laycock, que escreve sobre o exorcismo do ponto de vista histórico e tem sua própria perspectiva sobre o posicionamento da Igreja.

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Segundo Laycock, as mudanças de postura da instituição em relação ao exorcismo tem pouco a ver com a compreensão das doenças mentais pela nossa cultura ou com outros avanços científicos.

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Na verdade, tais mudanças levam mais em conta as visões em disputa na própria igreja. Assim como descrito por McBrien, a instituição conta com sua própria agenda política.

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Se de um lado, alguns sacerdotes tendem a ser mais conservadores, outros são mais liberais. Todavia, no fim das contas, todos os interesses convergem em um único ponto: preservar e atrair fiéis para o catolicismo.

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Exorcistas: O retorno

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Fonte: New Line Cinema

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Em 1990, fundaram a Associação Internacional de Exorcistas, cujo objetivo era convencer o Vaticano a levar a prática mais a sério. Posteriormente, em 2004, houve uma solicitação para que as dioceses de todo o mundo voltassem a nomear exorcistas.

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No entanto, esses novos exorcistas precisavam ser treinados, e o próprio Vaticano ofereceu um curso para especialização no assunto. Aliás, um dos padres que passaram pelo treinamento foi Gary Thomas.

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Embora o nome não seja reconhecível de imediato, ele se tornou famoso após suas experiências originarem o filme “O Ritual”, de 2011. No longa, um padre com pouca fé acaba tendo que lidar com o demônio Baal.

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Dito isso, em 2014, a Associação Internacional de Exorcistas recebeu, finalmente, o reconhecimento formal do Vaticano. Hoje, o papa Francisco, considerado progressista, até mostra-se favorável à prática.

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Fonte: BBC

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