{"id":27415,"date":"2025-02-26T08:28:48","date_gmt":"2025-02-26T11:28:48","guid":{"rendered":"https:\/\/super.abril.com.br\/?p=337003"},"modified":"2026-04-30T14:23:10","modified_gmt":"2026-04-30T17:23:10","slug":"fingir-demencia-surtado-e-outras-expressoes-capacitistas-para-banir-do-vocabulario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bocudo.com\/?p=27415","title":{"rendered":"\u201cFingir dem\u00eancia\u201d, \u201csurtado\u201d e outras express\u00f5es capacitistas para banir do vocabul\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-4475525115208877\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<!-- leolib10_main_Blog1_1x1_as --><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: block;\" data-ad-client=\"ca-pub-4475525115208877\" data-ad-slot=\"8862998544\" data-ad-format=\"auto\" data-full-width-responsive=\"true\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1234674\" src=\"https:\/\/bocudo.com\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/expressoes-1.jpg\" alt=\"\" width=\"555\" height=\"280\" \/><\/p>\n<p>Nas entrelinhas do que (e como) falamos, est\u00e1 nossa vis\u00e3o de mundo. Afinal, as l\u00ednguas se desenvolvem de acordo com o ambiente em que est\u00e3o inseridas e com a cultura de seus falantes.<\/p>\n<p>At\u00e9 a\u00ed, tudo bem. O problema \u00e9 que, por conta disso, aspectos nada louv\u00e1veis das sociedades podem acabar aparecendo em uma s\u00e9rie de palavras e express\u00f5es \u2013 que, \u00e0s vezes, usamos sem perceber.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 o capacitismo: a discrimina\u00e7\u00e3o e o preconceito contra pessoas com defici\u00eancia (PCD) f\u00edsica ou mental. A mentalidade capacitista pressup\u00f5e que esses indiv\u00edduos s\u00e3o necessariamente menos aptos a realizar tarefas do cotidiano ou incapazes de vivenciar determinadas experi\u00eancias.<\/p>\n<p>Isso se manifesta no oferecimento de tratamento desigual \u2013 desfavor\u00e1vel ou favor\u00e1vel demais. Sabe quando algu\u00e9m despreza as PCD ou fala como se fossem indiv\u00edduos \u201cespeciais\u201d, dignos de pena ou ajuda? Esses s\u00e3o comportamentos capacitistas a serem evitados \u2013 e n\u00e3o s\u00f3 porque ofendem essas pessoas (embora isso j\u00e1 seja motivo suficiente).<\/p>\n<p>\u201cO preconceito e o estigma colocam diversas barreiras no diagn\u00f3stico e tratamento de transtornos mentais\u201d, diz o psiquiatra Thiago Rodrigo, professor colaborador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Isso porque essa mentalidade constrange e afasta do conv\u00edvio social quem tem esses transtornos \u2013 ou mesmo pessoas pr\u00f3ximas a eles \u2013 e dificulta a ades\u00e3o ao tratamento.<\/p>\n<p><strong>L\u00edngua inclusiva<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de dificultar o diagn\u00f3stico e o tratamento, o preconceito acaba banalizando algumas condi\u00e7\u00f5es, por exemplo \u2013 pense como \u00e9 comum ouvir por a\u00ed que \u201cFulano \u00e9 bipolar\u201d porque teve uma mudan\u00e7a de humor, ou que \u201cCiclano tem TOC\u201d porque \u00e9 perfeccionista.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que podemos rever o uso de palavras e express\u00f5es nada gentis \u2013 afinal, a l\u00edngua est\u00e1 sempre em transforma\u00e7\u00e3o e pode ser mais inclusiva. \u201cA educa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade e a mudan\u00e7a de vocabul\u00e1rio podem trazer uma mudan\u00e7a cultural e fazer com que essas pessoas se sintam mais acolhidas, al\u00e9m de mostrar que essas condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o normais\u201d, explica Thiago, que \u00e9 especialista em esquizofrenia.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia dele e de outros profissionais serviu para criar o \u201cDicion\u00e1rio anticapacitista em sa\u00fade mental\u201d, idealizado pela empresa farmac\u00eautica Janssen em parceria com associa\u00e7\u00f5es de pacientes esquizofr\u00eanicos e familiares. Confira abaixo alguns termos para riscar do seu vocabul\u00e1rio:<\/p>\n<p><b>1. \u201cFingir dem\u00eancia\u201d <\/b><\/p>\n<p>\u00c9 usado para dizer que algu\u00e9m vai se fazer de desentendido em determinada situa\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma express\u00e3o ruim porque a dem\u00eancia, marcada pela disfun\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria e do discernimento, n\u00e3o \u00e9 uma escolha \u2013 e n\u00e3o deve caracterizar o comportamento negativo de algu\u00e9m. Troque por \u201cfingir-se de desentendido\u201d.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads\">\n<div id=\"abrAD_rectangle2\" class=\"abrAD\" data-ad-sizes=\"300x250\"><b>2. \u201cRetardado\u201d<\/b><\/div>\n<\/div>\n<p>Vem de \u201cretardo mental\u201d, express\u00e3o usada antigamente para se referir \u00e0 defici\u00eancia intelectual, capacidade significativamente reduzida de compreender informa\u00e7\u00f5es novas ou complexas e de aprender novas habilidades. O problema dessa palavra \u00e9\u00a0 sua utiliza\u00e7\u00e3o como insulto ou ofensa \u2013 o \u201cretardado\u201d \u00e9 considerado algu\u00e9m inferior. Troque por \u201csem no\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><b>3. \u201cSurtado\u201d: <\/b><\/p>\n<p>A palavra \u00e9 usada comumente para se referir a mudan\u00e7as de comportamento inesperadas ou desproporcionais \u00e0 situa\u00e7\u00e3o em que ocorrem. Acontece que isso n\u00e3o tem nada a ver com os surtos psic\u00f3ticos que caracterizam, por exemplo, o diagn\u00f3stico de esquizofrenia, que incluem alucina\u00e7\u00f5es, del\u00edrios, pensamento ou comportamento desorganizados e dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o. Troque por \u201cdescontrolado\u201d ou \u201cimpulsivo\u201d.<\/p>\n<p><b>4. \u201cLun\u00e1tico\u201d<\/b><\/p>\n<p>Antigamente, pensava-se que os transtornos neurol\u00f3gicos e psiqui\u00e1tricos eram causados por influ\u00eancia da Lua. Da\u00ed surgiu o termo \u201clun\u00e1tico\u201d \u2013 que se refere a algu\u00e9m perigoso ou imprevis\u00edvel. Como essas condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam nada de m\u00edstico, essa palavra promove uma associa\u00e7\u00e3o errada que pode alimentar a desinforma\u00e7\u00e3o, mesmo que o falante n\u00e3o se d\u00ea conta.<\/p>\n<p><b>5. \u201cEsquizofr\u00eanico\u201d<\/b><\/p>\n<p>Essa palavra tamb\u00e9m pode ser usada com sentido pejorativo. \u00c9 utilizada para caracterizar, por exemplo, um dia conturbado e turbulento: \u201cTive um dia esquizofr\u00eanico no trabalho\u201d. \u00c9 uma m\u00e1 escolha na hora de se comunicar com algu\u00e9m, porque tamb\u00e9m refor\u00e7a o preconceito em rela\u00e7\u00e3o a quadros de crises ou surtos psic\u00f3ticos.<\/p>\n<p><b>6. \u201cVoc\u00ea parece normal\u201d<\/b><\/p>\n<p>Quando voc\u00ea diz que uma pessoa com transtornos mentais <i>parece<\/i> normal, deixa a entender que ela, na verdade, n\u00e3o \u00e9. Isso pode ser dito com uma boa inten\u00e7\u00e3o, mas est\u00e1 longe de ser elogio: refor\u00e7a estere\u00f3tipos e d\u00e1 a entender que essas pessoas n\u00e3o podem ter uma vida saud\u00e1vel ou aut\u00f4noma.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode conferir outras express\u00f5es e conhecer a campanha \u201cOu\u00e7am nossas vozes\u201d, que d\u00e1 voz a pessoas diagnosticadas com esquizofrenia, acessando o Dicion\u00e1rio Anticapacitista <a href=\"https:\/\/www.janssen.com\/brasil\/sites\/www_janssen_com_brazil\/files\/dicionario_a4_digital_campanha_oucam_nossas_vozes_janssen_310522_v2.pdf\">neste link<\/a>.<\/p>\n<div class=\"box-app-phone-share\"><\/div>\n<div class=\"ads post-ads\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"abrAD_rectangle3\" class=\"abrAD\" data-ad-sizes=\"300x250\"><\/div>\n<\/div>\n<p><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-4475525115208877\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<!-- leolib10_main_Blog1_1x1_as --><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: block;\" data-ad-client=\"ca-pub-4475525115208877\" data-ad-slot=\"8862998544\" data-ad-format=\"auto\" data-full-width-responsive=\"true\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas entrelinhas do que (e como) falamos, est\u00e1 nossa vis\u00e3o de mundo. 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