{"id":227794,"date":"2019-05-04T20:12:14","date_gmt":"2019-05-04T23:12:14","guid":{"rendered":"https:\/\/g1.globo.com\/mundo\/noticia\/2019\/05\/04\/a-gente-nao-tem-mais-para-onde-correr-diz-brasileira-professora-de-danca-que-mora-em-caracas.ghtml"},"modified":"2026-04-10T15:39:49","modified_gmt":"2026-04-10T18:39:49","slug":"a-gente-nao-tem-mais-para-onde-correr-diz-brasileira-professora-de-danca-que-mora-em-caracas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bocudo.com\/?p=227794","title":{"rendered":"&#8216;A gente n\u00e3o tem mais para onde correr&#8217;, diz brasileira professora de dan\u00e7a que mora em Caracas"},"content":{"rendered":"<p><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-4475525115208877\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: block; text-align: center;\" data-ad-layout=\"in-article\" data-ad-format=\"fluid\" data-ad-client=\"ca-pub-4475525115208877\" data-ad-slot=\"1335715162\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1168975\" src=\"https:\/\/bocudo.com\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/images1.jpg\" alt=\"\" width=\"517\" height=\"431\" \/><\/div>\n<p>Simone Nevado d\u00e1 aulas de samba e mora na Venezuela h\u00e1 40 anos.Ela conta como \u00e9 enfrentar a hiperinfla\u00e7\u00e3o que atinge o pa\u00eds, atravessar para o Brasil por rotas clandestinas e o clima &#8216;de guerra&#8217; em Caracas. Falta de comida, \u00e1gua, alimentos, rem\u00e9dios. Pessoas gritando, carros e ambul\u00e2ncias pelas ruas at\u00e9 tarde da noite que n\u00e3o a deixam dormir, bloqueios de ruas. Esse \u00e9 o cen\u00e1rio que a brasileira Simone Nevado, de 66 anos, descreve no bairro de Los Ruices, em Caracas, na Venezuela, cidade onde mora h\u00e1 40 anos e d\u00e1 aulas de dan\u00e7a &#8212; de samba, mais especificamente.<br \/>\n&#8220;\u00c9 uma guerra, a gente n\u00e3o tem mais para onde correr. N\u00f3s j\u00e1 estamos com \u00e1gua no pesco\u00e7o. Nos \u00faltimos dois, tr\u00eas dias, foi terr\u00edvel. N\u00e3o pude dormir de noite, de madrugada. Era carro, ambul\u00e2ncia passando, pessoas gritando, apitando&#8221;, narra a brasileira.<br \/>\nNa \u00faltima aula particular que Simone deu, na casa dela, sete alunas apareceram. Normalmente, s\u00e3o dez. Cada uma paga 10 d\u00f3lares (cerca de R$ 40) por um pacote de quatro aulas de duas horas, todos os s\u00e1bados. Al\u00e9m das aulas particulares, ela tamb\u00e9m ensina em um instituto de cultura brasileira em Caracas, mas, por causa da crise, n\u00e3o recebe nada por isso.<br \/>\nA situa\u00e7\u00e3o financeira \u00e9 dif\u00edcil. Com a hiperinfla\u00e7\u00e3o que atinge a Venezuela, um d\u00f3lar equivale, agora, a cerca de 5,2 mil bol\u00edvares, segundo o c\u00e2mbio oficial.<br \/>\n&#8220;O que voc\u00ea consegue [de dinheiro] \u00e9 pra comer. \u00c9 tudo muito, muito, MUITO caro. O p\u00e3o daqui, um p\u00e3ozinho redondo, custa 1,5 mil bol\u00edvares. Em Boa Vista, uma cesta b\u00e1sica custa R$ 60, R$ 45 \u2014 d\u00e1 pra comprar frango, carne, ovo, verduras, frutas. Meu marido comprou quase isso aqui [em reais] e n\u00e3o trouxe 1kg de carne, frango, peixe, nem nada enlatado&#8221;, relatou.<br \/>\nA cada dois meses, ela embarca de Caracas rumo a Boa Vista para buscar dinheiro no Brasil e comprar comida. A viagem, que dura mais de um dia, ficou perigosa. No final de mar\u00e7o, conta Simone, ela precisou usar uma &#8220;trocha&#8221; \u2014 como s\u00e3o conhecidas as rotas clandestinas \u2014 para conseguir atravessar a fronteira entre Brasil e Venezuela por Pacaraima (RR), que est\u00e1 fechada desde fevereiro.<br \/>\n&#8220;Caminhei quatro horas na montanha, por cima dos rios, pelos caminhos cheios de precip\u00edcios, naqueles paus que eles colocaram em cima do rio. No meio do rio, o pau balan\u00e7a, se voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 bailarina voc\u00ea n\u00e3o passa&#8221;, diz Simone, que calcula conseguir voltar do Brasil, a cada viagem, com R$ 200 ou R$ 300.<br \/>\nVenezuelanos vasculham lix\u00e3o em busca de comida e coisas para revender na fronteira do Brasil<br \/>\nPor causa da crise no pa\u00eds, ela precisa levar de tudo quando retorna: desde caf\u00e9 e a\u00e7\u00facar a rem\u00e9dios. Simone afirma que \u00e9 frequente que militares, ao longo da rota, tomem parte do que os viajantes carregam, seja dinheiro ou comida. O que consegue trazer de volta a Caracas ela divide com quem conhece.<br \/>\nA comida que chega \u00e0 Venezuela, de pa\u00edses como M\u00e9xico e Col\u00f4mbia, segundo conta Simone, \u00e9 de baixa qualidade. O leite d\u00e1 dor de barriga, afirma. O cen\u00e1rio, diz, \u00e9 de sofrimento.<br \/>\n&#8220;O pai da minha nora t\u00e1 com a press\u00e3o alta, meu marido, minha vizinha, que s\u00f3 vive com dor de cabe\u00e7a. Tem gente que s\u00f3 bebe caf\u00e9 quando vem aqui em casa. Voc\u00ea tem que vir aqui e sentir na pele o que a gente est\u00e1 sentindo aqui. Meu Deus do c\u00e9u, eu n\u00e3o posso acreditar, \u00e9 muito sofrimento&#8221;, narra.<br \/>\n&#8216;Se eu n\u00e3o gostasse daqui, j\u00e1 tinha ido embora&#8217;<br \/>\nApesar da situa\u00e7\u00e3o \u2014 e at\u00e9 da insist\u00eancia de parentes e amigos no Brasil \u2014 Simone diz que n\u00e3o tem planos de voltar, porque, no Brasil, teria que come\u00e7ar uma vida do zero.<br \/>\nAntes de chegar \u00e0 Venezuela, em 1979, entretanto, viveu algumas emo\u00e7\u00f5es em solo brasileiro. Ela conta que trabalhou com Chacrinha na d\u00e9cada de 70, substituindo a \u00cdndia Potira, e saiu em uma turn\u00ea pela Europa, Ilhas Madeira e Can\u00e1rias, e na pr\u00f3pria Venezuela. Tamb\u00e9m relata que passou por Angola no per\u00edodo da guerra civil que atingiu o pa\u00eds.<br \/>\n&#8220;Estive na guerra em Angola, e agora guerra na Venezuela. \u00c9 mole ou quer mais? N\u00f3s sa\u00edmos de Angola, de Luanda, debaixo de tiro, o avi\u00e3o saiu no escuro&#8221;, narra.<br \/>\nSimone Nevado \u00e9, na verdade, o nome art\u00edstico de Creuza Bandeira de Oliveira, nascida em Guajar\u00e1-Mirim, Rond\u00f4nia, na fronteira com a Bol\u00edvia, em 21 de mar\u00e7o de 1953. Ela conta que conheceu o marido, Felipe, venezuelano, no Rio de Janeiro. Como, na \u00e9poca, o cruzeiro brasileiro &#8220;n\u00e3o valia nada&#8221;, resolveu partir para a Venezuela \u2014 e nunca mais saiu de l\u00e1. Teve tr\u00eas filhos, com dupla nacionalidade. Mesmo assim, n\u00e3o tem passaporte do pa\u00eds.<br \/>\n&#8220;Aqui estou lutando. O clima daqui \u00e9 \u00f3timo. Aqui da minha casa, em Caracas, tem uma vista linda, para as montanhas. Gosto da Venezuela. Se n\u00e3o gostasse daqui, j\u00e1 tinha ido embora. Mas sou brasileira, n\u00e3o quero ser venezuelana. Nunca&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1380021\" src=\"https:\/\/bocudo.com\/wp-content\/uploads\/2003\/04\/MINI-noticias-removebg.png\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" \/><br \/>\n<script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-4475525115208877\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<!-- leolib10_main_Blog1_1x1_as --><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: block;\" data-ad-client=\"ca-pub-4475525115208877\" data-ad-slot=\"8862998544\" data-ad-format=\"auto\" data-full-width-responsive=\"true\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Simone Nevado d\u00e1 aulas de samba e mora na Venezuela h\u00e1 40 anos.Ela conta&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1168975,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8214,8199,8195],"tags":[1924,700,1476,1925,789,1926,1927,1928,1929,170,1481,75,1866,1930,239],"class_list":["post-227794","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-america-do-sul","category-mundo","category-noticias","tag-bolivia","tag-brasil","tag-caracas","tag-chacrinha","tag-colombia","tag-creuza-bandeira-de-oliveira","tag-guajara-mirim","tag-hiperinflacao","tag-india-potira","tag-mexico","tag-pacaraima-rr","tag-rondonia","tag-samba","tag-simone-nevado","tag-venezuela"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/227794","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=227794"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/227794\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1388819,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/227794\/revisions\/1388819"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1168975"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=227794"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=227794"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=227794"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}