{"id":1509804,"date":"2026-11-03T19:38:24","date_gmt":"2026-11-03T19:38:24","guid":{"rendered":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1509804"},"modified":"2026-11-04T11:49:47","modified_gmt":"2026-11-04T14:49:47","slug":"ras-guardadas-em-museu-podem-explicar-o-sumico-de-anfibios-na-mata-atlantica-ha-decadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1509804","title":{"rendered":"R\u00e3s guardadas em museu podem explicar o sumi\u00e7o de anf\u00edbios na Mata Atl\u00e2ntica h\u00e1 d\u00e9cadas"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center; margin: 20px 0;\"><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-4475525115208877\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: block; text-align: center;\" data-ad-layout=\"in-article\" data-ad-format=\"fluid\" data-ad-client=\"ca-pub-4475525115208877\" data-ad-slot=\"7970302005\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1510011\" src=\"https:\/\/bocudo.com\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/razinha-verrucosa-2-joaovictorlacerda.webp\" alt=\"\" width=\"888\" height=\"592\" srcset=\"https:\/\/bocudo.com\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/razinha-verrucosa-2-joaovictorlacerda.webp 888w, https:\/\/bocudo.com\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/razinha-verrucosa-2-joaovictorlacerda-600x400.webp 600w, https:\/\/bocudo.com\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/razinha-verrucosa-2-joaovictorlacerda-768x512.webp 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 888px) 100vw, 888px\" \/><\/p>\n<p>Entre 1979 e 1982, popula\u00e7\u00f5es de r\u00e3s da Esta\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica de Borac\u00e9ia, na Mata Atl\u00e2ntica paulista, sofreram decl\u00ednios severos. Durante quase meio s\u00e9culo, ningu\u00e9m conseguiu explicar o motivo.<\/p>\n<p>Agora, anf\u00edbios preservados h\u00e1 d\u00e9cadas em um museu dos Estados Unidos apontam o prov\u00e1vel culpado: o fungo causador da quitridiomicose, doen\u00e7a que devastou popula\u00e7\u00f5es de anf\u00edbios no mundo todo. O estudo, publicado na revista Molecular Ecology, foi feito por pesquisadores do Centro de Gen\u00f4mica da Conserva\u00e7\u00e3o do Zool\u00f3gico Nacional e Instituto de Biologia da Conserva\u00e7\u00e3o do Smithsonian (NZCBI) e da Universidade Estadual da Pensilv\u00e2nia. Os autores n\u00e3o descartam que o ambiente tamb\u00e9m tenha influenciado. Os dados, por\u00e9m, indicam que o fungo se espalhava pela regi\u00e3o na mesma \u00e9poca em que as r\u00e3s sumiram.<\/p>\n<p>A Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 uma das regi\u00f5es mais ricas do planeta em diversidade de anf\u00edbios. Isso torna o mist\u00e9rio de Borac\u00e9ia ainda mais relevante.<\/p>\n<p>A quitridiomicose, chamada simplesmente de quitr\u00eddio, \u00e9 provocada por um fungo microsc\u00f3pico, o <em>Batrachochytrium dendrobatidis<\/em>. Os cientistas acreditam que ele surgiu na \u00c1sia e se espalhou pelo mundo nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980. O problema \u00e9 que o fungo s\u00f3 foi identificado e descrito formalmente em 1999. At\u00e9 l\u00e1, centenas de esp\u00e9cies de anf\u00edbios j\u00e1 tinham sido empurradas para a extin\u00e7\u00e3o, e algumas j\u00e1 haviam desaparecido por completo.<\/p>\n<p>Como tantas popula\u00e7\u00f5es colapsaram antes que algu\u00e9m soubesse da exist\u00eancia do fungo, provar que ele foi o respons\u00e1vel sempre foi dif\u00edcil.<\/p>\n<p>\u201cDepois de quase 50 anos, ainda n\u00e3o temos certeza do que causou muitas das mortes em massa de anf\u00edbios no passado, o que faz desses decl\u00ednios alguns dos casos arquivados mais duradouros da epidemiologia da vida selvagem\u201d, <a href=\"https:\/\/nationalzoo.si.edu\/news\/museum-specimens-reveal-pathogen-behind-decades-old-mystery-disappearing-frogs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">afirmou Jack Boyette<\/a>, bolsista de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o do NZCBI e doutorando na Universidade Estadual da Pensilv\u00e2nia, que liderou a pesquisa.<\/p>\n<h2>Exemplares coletados antes e depois do sumi\u00e7o guardavam a pista<\/h2>\n<p>Para Borac\u00e9ia, alguns pesquisadores j\u00e1 tinham sugerido que mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ou eventos extremos de tempo teriam provocado os desaparecimentos. Para testar a hip\u00f3tese do fungo, a equipe recorreu a uma fonte inesperada: os animais guardados nas cole\u00e7\u00f5es do Museu Nacional de Hist\u00f3ria Natural do Smithsonian.<\/p>\n<p>Esses exemplares foram coletados por William Ronald Heyer, ex-curador de anf\u00edbios e r\u00e9pteis do museu. Ele fez cinco expedi\u00e7\u00f5es a Borac\u00e9ia. Duas aconteceram nos anos 1970, antes dos grandes decl\u00ednios, e tr\u00eas nos anos 1980, depois das mortes em massa. Isso deu aos cientistas algo raro: um retrato do antes e do depois.<\/p>\n<p>A equipe analisou amostras de mais de 370 anf\u00edbios preservados, de 17 esp\u00e9cies, em busca de sinais de infec\u00e7\u00e3o pelo quitr\u00eddio. A ideia era descobrir quando o fungo chegou e com que velocidade se espalhou.<\/p>\n<p>O resultado foi claro. Nenhum exemplar coletado antes de 1979 tinha o fungo. Entre os coletados nos anos 1980, mais da metade testou positivo.<\/p>\n<h2>As esp\u00e9cies que mais sumiram n\u00e3o tinham sinal do fungo<\/h2>\n<p>Havia, por\u00e9m, um detalhe que parecia n\u00e3o fechar. As esp\u00e9cies que sofreram os decl\u00ednios mais severos n\u00e3o mostraram nenhum sinal detect\u00e1vel de infec\u00e7\u00e3o nos exemplares do museu. J\u00e1 as esp\u00e9cies cujas popula\u00e7\u00f5es ficaram relativamente est\u00e1veis carregavam o fungo com frequ\u00eancia. Isso derruba a hip\u00f3tese do quitr\u00eddio?<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, n\u00e3o. A explica\u00e7\u00e3o estaria na forma como cada esp\u00e9cie reage \u00e0 doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante lembrar que nem todas as esp\u00e9cies sofreram perdas catastr\u00f3ficas em Borac\u00e9ia\u201d, disse Boyette. \u201cAs esp\u00e9cies que n\u00e3o declinaram podem ter tolerado naturalmente o fungo, o que permitiu que fossem infectadas sem sofrer mortalidade em massa. Em contraste, as esp\u00e9cies que declinaram de forma mais dram\u00e1tica podem ter sido t\u00e3o suscet\u00edveis que as r\u00e3s infectadas morreram antes que Heyer pudesse colet\u00e1-las.\u201d<\/p>\n<p>Em outras palavras, o fungo teria se espalhado rapidamente entre r\u00e3s com pouca exposi\u00e7\u00e3o anterior \u00e0 doen\u00e7a, com consequ\u00eancias potencialmente devastadoras para as esp\u00e9cies incapazes de resistir.<\/p>\n<p>Para Michael Campana, especialista em gen\u00f4mica do NZCBI que participou do trabalho, o caso mostra o valor das cole\u00e7\u00f5es de hist\u00f3ria natural. Exemplares guardados h\u00e1 d\u00e9cadas podem conter evid\u00eancias biol\u00f3gicas que ningu\u00e9m na \u00e9poca tinha como reconhecer. Hoje, t\u00e9cnicas modernas permitem revisitar esse material e investigar surtos ocorridos antes mesmo da descoberta dos pat\u00f3genos.<\/p>\n<p>\u201cOs coletores dos museus n\u00e3o poderiam prever o quanto suas cole\u00e7\u00f5es seriam importantes para os nossos desafios atuais de conserva\u00e7\u00e3o, mas, sem elas, nunca conseguir\u00edamos detectar pat\u00f3genos que passaram despercebidos por d\u00e9cadas e reconstruir surtos de doen\u00e7as que, de outra forma, continuariam um mist\u00e9rio\u201d, afirmou Campana.<\/p>\n<p>Entender esses surtos do passado tamb\u00e9m pode ajudar a antecipar amea\u00e7as futuras. Uma preocupa\u00e7\u00e3o crescente \u00e9 outro fungo, o <em>B. salamandrivorans<\/em>, que amea\u00e7a salamandras na Europa e pode representar um s\u00e9rio perigo para as da Am\u00e9rica do Norte. Saber como doen\u00e7as parecidas surgiram, se espalharam e afetaram esp\u00e9cies diferentes pode permitir reagir antes que o estrago se alastre.<\/p>\n<h2>A maioria das r\u00e3s de Borac\u00e9ia voltou, mas cinco esp\u00e9cies seguem sumidas<\/h2>\n<p>Apesar das perdas de d\u00e9cadas atr\u00e1s, a pesquisa trouxe sinais animadores. Em parceria com pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo, a equipe visitou Borac\u00e9ia seis vezes entre 2022 e 2024 para ver quais anf\u00edbios vivem ali hoje. Das 17 esp\u00e9cies presentes na cole\u00e7\u00e3o de Heyer, 12 foram encontradas.<\/p>\n<p>Os levantamentos indicam que a maior parte das esp\u00e9cies se recuperou desde os decl\u00ednios do in\u00edcio dos anos 1980. O fungo n\u00e3o foi embora: as infec\u00e7\u00f5es continuam presentes entre as r\u00e3s locais. O padr\u00e3o de infec\u00e7\u00e3o, segundo os pesquisadores, sugere que esp\u00e9cies antes muito afetadas pela doen\u00e7a podem ter desenvolvido maior toler\u00e2ncia ao longo de gera\u00e7\u00f5es sucessivas.<\/p>\n<p>As outras cinco esp\u00e9cies n\u00e3o apareceram nas buscas. Seu status atual \u00e9 incerto, e h\u00e1 a preocupa\u00e7\u00e3o de que algumas possam ter desaparecido completamente do local.<\/p>\n<div style=\"text-align: center; margin: 20px 0;\"><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-4475525115208877\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: block; text-align: center;\" data-ad-layout=\"in-article\" data-ad-format=\"fluid\" data-ad-client=\"ca-pub-4475525115208877\" data-ad-slot=\"7970302005\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Entre 1979 e 1982, popula\u00e7\u00f5es de r\u00e3s da Esta\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica de Borac\u00e9ia, na Mata&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1510011,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8406,8197,8217],"tags":[],"class_list":["post-1509804","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-animais-selvagens","category-conhecimento-e-curiosidades","category-natureza"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1509804","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1509804"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1509804\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1510012,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1509804\/revisions\/1510012"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1510011"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1509804"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1509804"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1509804"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}