{"id":1495665,"date":"2022-10-17T14:40:00","date_gmt":"2022-10-17T17:40:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1956055\/maioria-dos-jovens-nao-conversa-com-os-pais-sobre-sexo-mostra-datafolha?utm_source=rss-lifestyle&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed"},"modified":"2022-10-17T14:40:00","modified_gmt":"2022-10-17T17:40:00","slug":"maioria-dos-jovens-nao-conversa-com-os-pais-sobre-sexo-mostra-datafolha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1495665","title":{"rendered":"Maioria dos jovens n\u00e3o conversa com os pais sobre sexo, mostra Datafolha"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0(FOLHAPRESS) &#8211; Menos da metade dos jovens brasileiros conversam com os pais sobre assuntos considerados tabus. Aqueles que falam com os pais sobre consumo de drogas s\u00e3o 47%, enquanto os que falam sobre problemas com seus namorados 45%. Se o assunto \u00e9 a vida sexual, o n\u00famero cai para 40%, revela pesquisa do Datafolha.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>n<\/p>\n<p>Temas considerados menos delicados, como o desempenho escolar, \u00e9 tema de di\u00e1logo para 67% deles, e o consumo de bebidas alco\u00f3licas, 57%.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>O levantamento tamb\u00e9m mostrou que as mulheres t\u00eam mais disposi\u00e7\u00e3o do que os homens para falar sobre todos os assuntos questionados.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>A maior discrep\u00e2ncia \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o aos problemas de relacionamento, em que 51% delas declaram conversar com os pais contra 39% deles, seguido por consumo de drogas, com 50% das mulheres e 39% dos homens, e vida sexual, com 43% contra 37%.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Para essa pesquisa, o Datafolha ouviu mil jovens de 15 a 29 anos, de 12 capitais brasileiras, entre os dias 20 e 21 de julho deste ano. A margem de erro \u00e9 de tr\u00eas pontos percentuais para mais ou para menos.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Especialistas consultadas pela Folha de S.Paulo dizem que adolescentes buscam independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos pais e, por isso, \u00e9 normal que evitem falar sobre alguns assuntos. A diferen\u00e7a geracional e a facilidade dos jovens em buscar informa\u00e7\u00f5es por outros meios como a internet podem acentuar a dificuldade em estabelecer di\u00e1logo.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Para Manuela Moura, psic\u00f3loga na UFBA (Universidade Federal da Bahia) e especialista em terapia de casal e fam\u00edlia, a abertura para conversar sobre esses assuntos deve partir dos pais, mesmo que pensem diferente dos filhos. Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio que os tabus sejam deixados de lado -o sexo, as drogas e os relacionamentos fazem parte da vida e, por isso, precisam ser discutidos.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>&#8220;Para ouvir o que seu filho ou sua filha tem a dizer, voc\u00ea n\u00e3o precisa concordar. Eles v\u00e3o dizer coisas que s\u00e3o diferentes, voc\u00ea vai dizer que discorda, mas que isso seja feito de um jeito que n\u00e3o seja pela via da viol\u00eancia, dos xingamentos e da desqualifica\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>\u00c9 o caso da estudante de arquitetura Rafaela Azevedo Neves, 21, moradora de S\u00e3o Bernardo do Campo, na Grande S\u00e3o Paulo. Rafaela diz que ela e a irm\u00e3 sempre tiveram abertura para conversarem sobre tudo com os pais, mesmo assuntos considerados pol\u00eamicos. O acolhimento que sentem desde a inf\u00e2ncia foi determinante para estabelecer esta confian\u00e7a, afirma.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>O projetista Fl\u00e1vio Jos\u00e9 Neves, 53, pai das meninas, afirma que esta era uma preocupa\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia. Ele e a m\u00e3e, a vendedora Luciana Azevedo Neves, 51, temiam que, caso se isentassem de conversar sobre temas dif\u00edceis dentro de casa, elas se informariam sobre eles por meio dos amigos ou pela internet.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>&#8220;Se a gente criar esses tabus aqui dentro, vai vir de fora. Vindo de fora, a gente n\u00e3o sabe como vai chegar&#8221;, diz Luciana.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Para a psic\u00f3loga da UFBA, esse tipo de din\u00e2mica familiar faz com que o jovem entenda que pode contar com a fam\u00edlia, mesmo que pensem diferente. Por outro lado, quando os pais adotam posturas muito cr\u00edticas e combativas, isso pode se transformar em afastamento e falta de confian\u00e7a.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Hostil \u00e9 a palavra que Evelyn Xavier, 22, usa para descrever a rea\u00e7\u00e3o da sua m\u00e3e quando soube que a filha fez sexo pela primeira vez. Moradora de S\u00e3o Paulo, a estudante sempre morou apenas com a m\u00e3e, de quem era muito pr\u00f3xima. Aos 15 anos, quando mudou de escola para cursar o ensino m\u00e9dio, a rela\u00e7\u00e3o entre elas come\u00e7ou a mudar.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>O contato com pessoas diferentes fez com que a ent\u00e3o adolescente se aproximasse de ideias mais progressistas e se envolvesse com pautas sociais, como o feminismo. Sua m\u00e3e, por\u00e9m, n\u00e3o aprovou a mudan\u00e7a. Quando a estudante deixou de acompanh\u00e1-la em cultos evang\u00e9licos, esse afastamento se intensificou.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Embora Evelyn n\u00e3o culpe a m\u00e3e pela forma como reagiu em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as da filha, a jovem afirma que teria tido menos dificuldade se tivesse conversado sobre as novas experi\u00eancias dentro de casa.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>&#8220;Todo mundo sabe que se voc\u00ea vai come\u00e7ar a transar precisa usar camisinha. Eu sabia que precisava usar, mas n\u00e3o sabia como colocar, por exemplo. Muita coisa eu s\u00f3 aprendi depois que comecei a fazer. Isso eu acho que poderia ter sido melhor trabalhado se tivesse acontecido uma conversa anterior&#8221;, diz.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Para a psic\u00f3loga Talita Fabiano de Carvalho, presidente do Conselho Regional de Psicologia de S\u00e3o Paulo, devido a falta de suporte e o despreparo de alguns pais, a escola deve estar capacitada para assumir esse papel, al\u00e9m de criar um ambiente em que assuntos sejam discutidos e ensinados sem tabus.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Para as especialistas ouvidas, a autonomia do jovem \u00e9 importante para o amadurecimento, mas a liberdade para conversar abertamente com os pais sobre qualquer assunto \u00e9 fundamental para a constru\u00e7\u00e3o da maturidade e da confian\u00e7a emocional.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>O principal passo para estabelecer essa confian\u00e7a \u00e9 a alteridade -\u00e9 preciso entender que o jovem pode pensar de maneira diferente e que isso precisa ser respeitado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0(FOLHAPRESS) &#8211; Menos da metade dos jovens brasileiros conversam com os pais sobre assuntos considerados&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20061],"tags":[],"class_list":["post-1495665","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-lifestyle"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1495665","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1495665"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1495665\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1495665"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1495665"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1495665"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}