{"id":1495535,"date":"2022-10-29T04:05:06","date_gmt":"2022-10-29T07:05:06","guid":{"rendered":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1495535"},"modified":"2022-10-29T04:05:06","modified_gmt":"2022-10-29T07:05:06","slug":"20-anos-do-caso-suzane-richthofen-onde-e-como-estao-ela-e-os-irmaos-cravinhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1495535","title":{"rendered":"20 anos do caso Suzane Richthofen: onde e como est\u00e3o ela e os irm\u00e3os Cravinhos"},"content":{"rendered":"<p>Foi para o ex-delegado da Pol\u00edcia Civil de S\u00e3o Paulo Jos\u00e9 Masi que Cristian Cravinhos confessou a participa\u00e7\u00e3o no assassinato do casal Richthofen, abrindo as portas para a elucida\u00e7\u00e3o do caso. Mar\u00edsia e Manfred Von Richthofen foram mortos no quarto onde dormiam em 31 de outubro de 2002. O envolvimento da filha do casal, Suzane, no crime fez o Pa\u00eds acompanhar com aten\u00e7\u00e3o todos os desdobramentos do epis\u00f3dio.<\/p>\n<p><p>&#8220;Desde que eles chegaram ao DHPP (Departamento de Homic\u00eddios e de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Pessoa), o comportamento deles n\u00e3o me convenceu. A Suzane e o Daniel trocavam beijinhos ao se cruzarem no corredor, um chamava o outro de benzinho, um comportamento que n\u00e3o era esperado de quem tinha acabado de perder pai e m\u00e3e&#8221;, relembrou Masi ao <b>Estad\u00e3o<\/b>, 20 anos depois.<\/p>\n<p><p>&#8220;No caso da Suzane, n\u00e3o havia nenhum sinal de desespero, de preocupa\u00e7\u00e3o com o futuro de \u00f3rf\u00e3, nada. Quando sentou no sof\u00e1 ao lado do Daniel, ela jogou sua perna sobre a perna dele, um gesto revelador de cumplicidade&#8221;, acrescentou o delegado.<\/p>\n<p><p>Masi estranhou tamb\u00e9m quando, quatro dias depois do crime, decidiu fazer nova inspe\u00e7\u00e3o no lixo da mans\u00e3o e encontrou as caixas vazias das joias da fam\u00edlia que tinham sido &#8220;roubadas&#8221; pelos supostos assassinos do casal.<\/p>\n<p><p>&#8220;A Suzane se aproximou e pediu para ficar com a caixa de joias como uma recorda\u00e7\u00e3o. Nesse momento, tive a clara percep\u00e7\u00e3o de que ela sabia onde estavam as joias &#8216;roubadas'&#8221;, disse. Depois que eles confessaram os crimes, parte das joias foi recuperada em uma ch\u00e1cara da fam\u00edlia Richthofen, na regi\u00e3o de Sorocaba.<\/p>\n<p><p>A casa arrumada demais para uma situa\u00e7\u00e3o de roubo e os sacos de lixo usados para cobrir o rosto do casal &#8211; &#8220;algo que um assassino que n\u00e3o conhece as v\u00edtimas jamais faria&#8221; &#8211; levaram \u00e0 convic\u00e7\u00e3o de que a cena do crime tinha sido alterada para simular um roubo.<\/p>\n<p><p>O ex-delegado, que tamb\u00e9m trabalhou na investiga\u00e7\u00e3o do assassinato de Celso Daniel &#8211; o ent\u00e3o prefeito de Santo Andr\u00e9, morto em janeiro de 2002 -, disse que o caso Suzane foi marcante para a pol\u00edcia e a Justi\u00e7a paulistas. &#8220;N\u00e3o ficou d\u00favida nenhuma sobre esse caso e eles receberam condena\u00e7\u00e3o exemplar. Lembro que no in\u00edcio o Cristian tentou segurar o B.O. (acusa\u00e7\u00e3o) sozinho, mas logo a participa\u00e7\u00e3o do irm\u00e3o dele e da Suzane ficaram evidentes&#8221;, lembra.<\/p>\n<p><p><b>Investiga\u00e7\u00e3o exigiu cautela<\/b><\/p>\n<p><p>O delegado Ricardo Guanaes, que ainda atua na Pol\u00edcia Civil de S\u00e3o Paulo, era titular da equipe H-Sul do Departamento de Homic\u00eddios e esteve na casa logo ap\u00f3s o crime.<\/p>\n<p><p>&#8220;Era um crime que poderia ter sido rachado (solucionado) no dia, mas a gente encontrou uma certa dificuldade porque era um caso que exigia muita cautela. Quando chegamos \u00e0 casa, vimos o local e conversamos com um tio dela, e ele achou esquisito o irm\u00e3o n\u00e3o ter deixado ligado o alarme.&#8221;<\/p>\n<p><p>Guanaes lembra que o tio contou que as discuss\u00f5es entre pais e filha se davam pelo namoro da menina, &#8220;mas ele disse que isso j\u00e1 havia sido superado&#8221;.<\/p>\n<p><p>O delegado foi com sua equipe para a casa do namorado e o que chamou sua aten\u00e7\u00e3o foi a alian\u00e7a de noivado no dedo dela. &#8220;Se o problema do namoro estava superado, por que a alian\u00e7a do noivado logo depois da morte dos pais? Naquela ocasi\u00e3o, tomamos uma atitude que n\u00e3o era comum: levamos todos para o departamento, a Suzane, o Daniel, o Andreas e o pai dos irm\u00e3os Cravinhos. A gente n\u00e3o podia errar, pois a filha j\u00e1 estava na dor pela morte dos pais, imagine se a gente faz uma acusa\u00e7\u00e3o que depois n\u00e3o se confirma?&#8221;<\/p>\n<p><p>Guanaes explicou que, no pr\u00e9dio da Homic\u00eddios, o m\u00e9todo foi levar cada um para uma sala e, com cautela, ir fechando o cerco. &#8220;A gente percebia que eles estavam com uma hist\u00f3ria bem ensaiada, uma vers\u00e3o que, no come\u00e7o, parecia muito boa, mas depois foram aparecendo os buracos. Aquela alian\u00e7a no dedo foi algo muito revelador. Ficou claro para mim que a Suzane e o namorado estavam escondendo muita coisa, o que depois se confirmou.&#8221;<\/p>\n<p><p>O delegado j\u00e1 atuou em v\u00e1rios casos dif\u00edceis, como o esclarecimento do assassinato do juiz de Presidente Prudente, Ant\u00f4nio Machado Dias, executado em 2003 a mando do Primeiro Comando da Capital (PCC). O assassinato dos Richthofen, no entanto, foi o que mais marcou sua carreira.<\/p>\n<p><p>&#8220;\u00c9 um caso que at\u00e9 hoje, al\u00e9m de nos chocar muito, tem essa caracter\u00edstica da rela\u00e7\u00e3o pais e filhos. Os pais tinham viajado para a Europa e eles ficaram na mans\u00e3o, aproveitando e curtindo muito, numa vida de sonho. Quando os pais voltaram, as regras da casa foram restabelecidas e eles se viram privados de uma liberdade a que achavam que tinham direito. \u00c9 um dos casos da vida. Tenho filho e um crime assim \u00e9 algo que choca e marca muito.&#8221;<\/p>\n<p><p><b>Participa\u00e7\u00e3o &#8216;valiosa e decisiva&#8217; de Suzane, apontou acusa\u00e7\u00e3o do MP<\/b><\/p>\n<p><p>A den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo apresentada ao 1\u00ba Tribunal do J\u00fari da capital descreveu de forma detalhada os acontecimentos daquele 31 de outubro de 2002.<\/p>\n<p><p>Por volta da meia-noite, no interior da resid\u00eancia situada \u00e0 Rua Zacarias de G\u00f3is, no bairro Campo Belo, em S\u00e3o Paulo, Daniel Cravinhos de Paula e Silva e seu irm\u00e3o, Cristian Cravinhos de Paula e Silva, desferiram diversos golpes de porretes que causaram em Manfred Albert Von Richthofen e em sua esposa, Mar\u00edsia Von Richthofen, &#8220;ferimentos suficientes a lhes causarem a morte&#8221;.<\/p>\n<p><p>Segundo se apurou, para conseguirem \u00eaxito em sua empreitada criminosa, contaram os acusados com a participa\u00e7\u00e3o &#8220;valiosa e decisiva&#8221; da filha do casal, Suzane Louise Von Richthofen. Daniel e Suzane eram, \u00e0 \u00e9poca dos fatos, namorados e seu relacionamento recebia uma franca hostilidade das v\u00edtimas, que n\u00e3o aceitavam o romance deles.<\/p>\n<p><p>&#8220;As tens\u00f5es geradas pelo conflito em torno do namoro da filha culminaram com o uso de for\u00e7a f\u00edsica por Manfred e com promessas de deserda\u00e7\u00e3o dela, caso n\u00e3o desse fim ao namoro. Com isso, o casal passou a nutrir a inten\u00e7\u00e3o de eliminar os pais dela&#8221;, narra a den\u00fancia.<\/p>\n<p><p>O passo seguinte foi o planejamento do crime. Com a habilidade adquirida na confec\u00e7\u00e3o de aeromodelos, Daniel fabricou os porretes que seriam usados para matar o casal e Suzane apanhou as luvas cir\u00fargicas da m\u00e3e que seriam usadas para n\u00e3o deixar marcas da a\u00e7\u00e3o. Cristian foi chamado para ajudar em troca do dinheiro que havia na mans\u00e3o.<\/p>\n<p><p>No dia do crime, os tr\u00eas entraram na casa pr\u00f3ximo da meia-noite, quando Suzane j\u00e1 sabia que os pais estariam dormindo. Ela entrou primeiro, certificou-se desse fato e chamou os dois, que esperavam do lado de fora. Com os rostos cobertos por meias-cal\u00e7as e usando luvas, os irm\u00e3os Cravinhos se acercaram da cama e desferiram os golpes de porrete contra as cabe\u00e7as das v\u00edtimas.<\/p>\n<p><p>Daniel atacou Manfred, Cristian matou Mar\u00edsia. Conforme o laudo da per\u00edcia, as porretadas foram t\u00e3o violentas que peda\u00e7os de ossos e massa encef\u00e1lica se espalharam pelo quarto. Para certificar-se da morte de ambos, Cristian enfiou uma toalha na cabe\u00e7a de Mar\u00edsia e a envolveu com um saco pl\u00e1stico. Daniel usou uma toalha molhada para cobrir a cabe\u00e7a e impedir a respira\u00e7\u00e3o de Manfred. Depois foi em busca de um rev\u00f3lver que sabia existir na casa e deixou ao lado do corpo do homem.<\/p>\n<p><p>Enquanto a dupla matava o casal, Suzane se ocupava de criar um cen\u00e1rio de roubo, espalhando as joias da m\u00e3e pela casa &#8211; algumas foram levadas por Cristian, al\u00e9m de R$ 10 mil achados na casa. Ela sabia onde a m\u00e3e guardava valores em moeda estrangeira, deu uma parte para Cristian e ficou com um pouco para suas despesas.<\/p>\n<p><p>Depois de trocarem de roupa e se desfazerem dos trajes ensanguentados e dos porretes, o trio deixou a casa de carro. Cristian foi deixado pr\u00f3ximo \u00e0 sua casa, Daniel e Suzane foram para um motel. Uma hora depois, Suzane saiu e passou em um cibercaf\u00e9 para pegar o irm\u00e3o mais novo, &#8220;ali propositadamente deixado para que n\u00e3o atrapalhasse eventualmente os planos do trio&#8221;.<\/p>\n<p><p>De volta \u00e0 casa, continuou com a encena\u00e7\u00e3o do assalto, chamando primeiro o namorado, seu c\u00famplice, depois a pol\u00edcia. A den\u00fancia concluiu que Suzane e Daniel agiram embalados por motiva\u00e7\u00e3o torpe, ela para se vingar dos pais ante a proibi\u00e7\u00e3o do namoro, ele com a perspectiva de uma vida confort\u00e1vel com a heran\u00e7a que receberia. Cristian agiu motivado pelo pagamento em dinheiro.<\/p>\n<p><p>&#8220;Dificilmente a Justi\u00e7a e a sociedade ir\u00e3o se deparar com um caso t\u00e3o claro em que a responsabilidade penal dos acusados ficou cabalmente demonstrada. A pol\u00edcia fez um trabalho de investiga\u00e7\u00e3o exemplar, o que levou os r\u00e9us a confessarem na pol\u00edcia e em ju\u00edzo&#8221;, disse o advogado Alberto Zacharias Toron, que atuou como assistente de acusa\u00e7\u00e3o, auxiliando a promotoria a demonstrar a culpa dos r\u00e9us.<\/p>\n<p><p>Ele lembra que os pr\u00f3prios acusados n\u00e3o tiveram argumentos para justificar a atrocidade que cometeram. &#8220;\u00c9 verdade que eles procuraram mitigar os fatos, dizendo que a Suzane teria sofrido viol\u00eancia por parte do pai, mas isso nunca se provou e, na verdade, era uma escusa para tentar justificar a barbaridade. Tanto que o irm\u00e3o mais velho do Daniel comprou uma moto Ninja com o dinheiro que ele furtou da casa. Viu-se mesmo que a ideia deles era matar as v\u00edtimas para usufruir as benesses de uma casa confort\u00e1vel que o pai dela construiu com longos anos de trabalho&#8221;, disse.<\/p>\n<p><p>A reportagem pediu autoriza\u00e7\u00e3o \u00e0 Secretaria de Administra\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria (SAP) para entrevistar Suzane e Cristian nas respectivas unidades prisionais de Trememb\u00e9, mas, segundo a pasta, os dois se recusaram a dar entrevista. Procurada, a atual advogada de Suzane, Jaqueline Beatriz Ferreira Domingues, disse que iria refletir sobre a conveni\u00eancia de dar entrevista, mas n\u00e3o deu retorno. A defesa de Cristian informou que n\u00e3o se manifesta.<\/p>\n<p><p>Daniel tamb\u00e9m foi procurado, mas n\u00e3o deu retorno. A reportagem tamb\u00e9m procurou o tio de Suzane e Andreas e ex-tutor do jovem, m\u00e9dico Miguel Abdalla, mas n\u00e3o houve retorno aos contatos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi para o ex-delegado da Pol\u00edcia Civil de S\u00e3o Paulo Jos\u00e9 Masi que Cristian Cravinhos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8212],"tags":[],"class_list":["post-1495535","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-justica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1495535","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1495535"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1495535\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1495535"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1495535"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1495535"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}