{"id":1495207,"date":"2022-09-22T09:30:00","date_gmt":"2022-09-22T12:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1943611\/em-10-anos-tinder-transformou-paquera-em-jogo-e-deu-mais-poder-as-mulheres?utm_source=rss-tech&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed"},"modified":"2022-09-22T09:30:00","modified_gmt":"2022-09-22T12:30:00","slug":"em-10-anos-tinder-transformou-paquera-em-jogo-e-deu-mais-poder-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1495207","title":{"rendered":"Em 10 anos, Tinder transformou paquera em jogo e deu mais poder \u00e0s mulheres"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0(FOLHAPRESS) &#8211; No meio do tr\u00e2nsito de uma tempestade que caiu em S\u00e3o Paulo em 2014, a consultora Lilian Ribeiro, 37, deu match pelo Tinder com o administrador Rafael Ribeiro, 40, que estava em casa, sem luz e impossibilitado de assistir um jogo de futebol. Em pouco tempo, j\u00e1 estavam morando juntos.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>n<\/p>\n<p>Casados h\u00e1 sete anos, eles hoje t\u00eam dois filhos pequenos. &#8220;As pessoas se espantam que nos conhecemos pelo aplicativo e deu certo&#8221;, diz ela.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>O aplicativo que conecta casais como Lilian e Rafael completa dez anos nesta segunda-feira (12) e revolucionou a paquera online, antes restrita a sites de namoro -que atraia uma popula\u00e7\u00e3o mais velha.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Nesta \u00faltima d\u00e9cada, especialistas concordam que o Tinder colocou mulheres heterossexuais no controle da procura e gamificou o flerte em meio a uma sociedade cada vez mais individualista.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>O primeiro aplicativo de relacionamento a utilizar a l\u00f3gica do GPS, na verdade, foi o Grindr, em 2009, focado no p\u00fablico gay . Mas, foi depois do Tinder que surgiram outros com a mesma l\u00f3gica, como o Bumble e o Happn.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Para a psic\u00f3loga L\u00edgia Baruch, que estudou o tema no doutorado, os aplicativos mudaram a maneira como as pessoas usam as imagens e como elas se vendem para um relacionamento. &#8220;H\u00e1 uma busca constante por algu\u00e9m que se encaixe, mas pouca disposi\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Ronaldo Lemos, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro e colunista da Folha, classifica os aplicativos como &#8220;revolu\u00e7\u00e3o feminista&#8221;. Se nos sites elas recebiam enxurrada de mensagens sem filtros, j\u00e1 nos aplicativos, elas t\u00eam que concordar com o match para dar in\u00edcio ao papo.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Uma pesquisa divulgada em 2016 pela Universidade Queen Mary, de Londres, mostra que homens costumam dar mais likes no Tinder que as mulheres. Por outro lado, apenas em 0,6% dos casos eles s\u00e3o correspondidos. J\u00e1 as mulheres, com um comportamento mais seletivo, t\u00eam um retorno de 10%.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Apesar do controle nas m\u00e3os delas, os aplicativos n\u00e3o limaram ass\u00e9dios. Outra pesquisa divulgada em 2020 pelo Centro de Pesquisas Pew mostra que 30% dos americanos adultos j\u00e1 usaram sites ou aplicativos. Entre eles, 37% afirmam que foram contatados por um usu\u00e1rio mesmo ap\u00f3s manifestarem que n\u00e3o tinham interesse naquela pessoa. E 35% receberam mensagens ou imagens sexualmente expl\u00edcitas indesejadas.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Lemos considera que o Tinder gamificou a paquera. Ou seja, o aplicativo proporciona aos usu\u00e1rios uma experi\u00eancia como a de um jogo que embaralha cartas e vai mostrando pouco a pouco, de acordo com o interesse do usu\u00e1rio.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Ou seja, o Tinder mostra v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o interessantes e, de vez em quando, aparecem alguns com poder de reten\u00e7\u00e3o alto. &#8220;H\u00e1 uma prefer\u00eancia por conhecer outras por meio do aplicativo e o desafio n\u00e3o \u00e9 usar o aplicativo, mas deixar de us\u00e1-lo&#8221;, avalia ele.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Seja para relacionamentos duradouros, sexo sem compromisso ou passatempo, os aplicativos trouxeram consequ\u00eancias. Ele cita como exemplo o surgimento do termo ghosting -quando uma pessoa corta todas as comunica\u00e7\u00f5es com a outra sem explica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>&#8220;Temos uma dissolu\u00e7\u00e3o da vida em comunidade e um individualismo exacerbado. O ghosting se torna n\u00e3o s\u00f3 f\u00e1cil de ser praticado, como representa uma deteriora\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas comunit\u00e1rias.&#8221;<br \/>A produtora de conte\u00fado Andrea Diniz, 47, tamb\u00e9m sente essa fragilidade nas rela\u00e7\u00f5es. H\u00e1 quase um ano no Tinder, ela conta que j\u00e1 se apaixonou e j\u00e1 se decepcionou com os homens que conheceu no aplicativo.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Diniz busca um relacionamento s\u00e9rio, mas n\u00e3o tem pressa. &#8220;As chances de encontrar homens nessa idade que n\u00e3o seja o &#8216;tio do pav\u00ea&#8217; s\u00e3o baix\u00edssimas&#8221;, diz. A maioria dos homens da sua idade, afirma, &#8220;procuram por gatinhas&#8221; ou n\u00e3o querem nada s\u00e9rio porque vem de relacionamentos longo que se arrastaram.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Ela nota que, nos aplicativos, muitos deles est\u00e3o em busca de sexting [envio de mensagens digitais de teor er\u00f3tico], mas n\u00e3o t\u00eam vontade para sair e bater papo. &#8220;Tenho me dado melhor no ao vivo&#8221;, resume.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>J\u00e1 a assistente administrativa Mariana Castro, 25, tem um carinho especial pelo aplicativo, pois foi por l\u00e1 que conheceu a atual namorada Liz Figueiredo, 22, no in\u00edcio de 2021. Elas deram match, mas a conversa n\u00e3o engatou.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Um dia, Liz foi \u00e0 farm\u00e1cia e, coincidentemente, a atendente era Mariana. A partir dali, elas come\u00e7aram a conversar e logo elas passaram a namorar.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>&#8220;Se tem aplicativo para pedir comida, fazer compras, porque n\u00e3o usar para conhecer algu\u00e9m?&#8221;, diz a assistente administrativa, que passou a usar mais o aplicativo durante a pandemia.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Dados divulgados pelo Tinder apontam que as conversas ficaram 33% mais longas durante a crise sanit\u00e1ria. Procurado, a empresa n\u00e3o divulgou o perfil mais detalhado dos usu\u00e1rios e n\u00e3o quis comentar o tema. Disse apenas que mais de 50% de quem usa o aplicativo t\u00eam a idade de Mariana e sua namorada, entre 18 e 25 anos.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga Carla Guth tem um olhar mais cr\u00edtico aos aplicativos de paquera. Para ela, os filtros e pr\u00e9-sele\u00e7\u00f5es criadas contribuem para um comportamento cada vez mais controlador da sociedade. &#8220;Antes, as pessoas tinham vontade de se abrirem. Hoje, elas v\u00eam frustradas porque o outro n\u00e3o atende as necessidades. Nos tornamos controladores e o novo \u00e9 assustador.&#8221;<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>J\u00e1 a fisioterapeuta Cybelle Varonos, 53, considera esses filtros positivos. Quem a encontra no Tinder, j\u00e1 l\u00ea: &#8220;cansada de pessoas rasas, solteira, sem filhos e 9 tatuagens.&#8221; Como n\u00e3o costuma frequentar festas e bares, o aplicativo ajuda a fazer uma esp\u00e9cie de pr\u00e9-sele\u00e7\u00e3o. &#8220;Quem n\u00e3o gosta, nem d\u00e1 like&#8221;, diz ela que j\u00e1 se apaixonou, teve rela\u00e7\u00f5es casuais e fez amigos com o Tinder.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Ela avalia que o preconceito de quem se conhece pelo aplicativo diminuiu, mas conhecidos ainda perguntam se ela n\u00e3o tem medo de cair em algum golpe. &#8220;No bar e na academia n\u00e3o tem perigo? Quem n\u00e3o usa \u00e9 porque tem medo de se envolver.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0(FOLHAPRESS) &#8211; No meio do tr\u00e2nsito de uma tempestade que caiu em S\u00e3o Paulo em&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20062],"tags":[],"class_list":["post-1495207","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-tech"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1495207","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1495207"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1495207\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1495207"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1495207"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1495207"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}