{"id":1495202,"date":"2022-09-25T02:34:00","date_gmt":"2022-09-25T05:34:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1947956\/pela-1-vez-nasa-lanca-nave-contra-asteroide-para-tentar-mudar-sua-trajetoria?utm_source=rss-tech&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed"},"modified":"2022-09-25T02:34:00","modified_gmt":"2022-09-25T05:34:00","slug":"pela-1a-vez-nasa-lanca-nave-contra-asteroide-para-tentar-mudar-sua-trajetoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1495202","title":{"rendered":"Pela 1\u00aa vez, Nasa lan\u00e7a nave contra asteroide para tentar mudar sua trajet\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>SALVADOR NOGUEIRA<br \/>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Nesta segunda-feira (26), pela primeira vez a humanidade tentar\u00e1 mudar de forma mensur\u00e1vel a trajet\u00f3ria de um asteroide.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>n<\/p>\n<p>A espa\u00e7onave Dart (sigla inglesa para Teste de Redirecionamento de Asteroide Duplo), da Nasa, far\u00e1 uma colis\u00e3o com o asteroide Dimorfo, de apenas 163 metros. Ele, por sua vez, orbita outro asteroide, D\u00eddimo, de 780 metros.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Embora a dupla esteja na lista dos chamados NEAs, asteroides pr\u00f3ximos \u00e0 Terra, e perten\u00e7a \u00e0 categoria dos potencialmente perigosos, ela n\u00e3o oferece qualquer risco imediato (entenda-se, por pelo menos alguns s\u00e9culos) ao nosso planeta. Mas, por ser um astro duplo, \u00e9 o alvo ideal para um teste da t\u00e9cnica de desvio por impacto cin\u00e9tico. Traduz-se do cientifiqu\u00eas como &#8220;pancada com tudo&#8221;. N\u00e3o h\u00e1 detona\u00e7\u00e3o de uma ogiva ou algo que o valha. \u00c9 s\u00f3 mesmo uma trombada c\u00f3smica.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Da mesma forma que acidentes de tr\u00e2nsito normalmente levam os ve\u00edculos envolvidos a mudar velocidade e trajet\u00f3ria, a Nasa espera que a colis\u00e3o tenha um efeito no caminho do asteroide. Como a massa da pedra gigante \u00e9 bem maior que a da espa\u00e7onave, a varia\u00e7\u00e3o de velocidade esperada seria inferior a 1%. Mas levaria a uma mudan\u00e7a da \u00f3rbita do Dimorfo ao redor do D\u00eddimo, acompanhada por uma altera\u00e7\u00e3o no per\u00edodo orbital \u2013o tempo que leva para o asteroide-lua completar uma volta em torno do astro maior.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Essa mudan\u00e7a, por sua vez, ter\u00e1 de ser medida ao longo dos dias e semanas seguintes, conforme astr\u00f4nomos usam telesc\u00f3pios em solo e no espa\u00e7o a fim de verificar qual foi o impacto din\u00e2mico no asteroide. Ser\u00e1 a primeira vez que se testa um m\u00e9todo que pode vir a ser usado se, no futuro, descobrirmos um asteroide em rota de colis\u00e3o com a Terra.<br \/>H\u00e1 modelos que sugerem como ser\u00e1 a mudan\u00e7a ap\u00f3s a colis\u00e3o, mas nada pode substituir o teste real.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>At\u00e9 porque, fora a exist\u00eancia do Dimorfo, seu per\u00edodo orbital (11h55) e uma estimativa grosseira de seu tamanho, nada conhecemos dele. Os astr\u00f4nomos sabem que ele est\u00e1 l\u00e1 porque conseguem medir a mudan\u00e7a de brilho do conjunto quando a lua passa \u00e0 frente ou atr\u00e1s do D\u00eddimo, com seu padr\u00e3o peri\u00f3dico, mas jamais tiveram sequer uma imagem do Dimorfo como um \u00fanico pixel.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>S\u00f3 durante a aproxima\u00e7\u00e3o final da Dart ser\u00e1 poss\u00edvel termos uma vis\u00e3o do dito cujo, revelando seu formato e sua apar\u00eancia. &#8220;O teste tamb\u00e9m vai trazer informa\u00e7\u00f5es da estrutura interna do corpo. Por exemplo: s\u00f3 a quantidade de detritos que forem jogados para fora devido ao impacto j\u00e1 traz informa\u00e7\u00f5es sobre a parte interna&#8221;, diz Othon Winter, f\u00edsico da Unesp (Universidade Estadual Paulista) que n\u00e3o est\u00e1 envolvido na miss\u00e3o, mas estuda asteroides e estrat\u00e9gias de defesa planet\u00e1ria.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Fora a curiosidade cient\u00edfica b\u00e1sica, \u00e9 muito importante saber mais sobre a estrutura interna de asteroides, porque isso afeta diretamente o resultado da tentativa de desvi\u00e1-lo.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>&#8220;Quanto mais denso for o asteroide, mais material ele vai ejetar. Se ele for um corpo muito poroso, vai ejetar muito pouco material \u2013o impacto seria assimilado pelo Dimorfo, ejetaria bem pouco material e, se ejeta pouco material, \u00e9 porque muito foi amortecido ali. Ent\u00e3o a transfer\u00eancia de momento [grosso modo, a intensidade da for\u00e7a aplicada] \u00e9 muito baixa e a\u00ed vai alterar muito pouco a \u00f3rbita&#8221;, explica Winter.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>&#8220;Se, por outro lado, ele ejetar bastante material, significa que \u00e9 mais denso, pouco poroso, e, consequentemente, vai produzir uma troca de momento maior, fazendo com que haja uma altera\u00e7\u00e3o maior na \u00f3rbita do Dimorfo.&#8221;<br \/>O que esperar? Os cientistas j\u00e1 se surpreenderam recentemente ao descobrirem que tanto o asteroide Ryugu, visitado pela sonda japonesa Hayabusa2, como o Bennu, explorado pela americana Osiris-REx, eram bem mais porosos do que o imaginado, quase como se fossem imensas pilhas de pedrinhas fracamente mantidas reunidas pela fraca gravidade do corpo.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Contudo, eles eram asteroides do tipo C (carbon\u00e1ceo), e o D\u00eddimo (bem como, presumivelmente, o Dimorfo) \u00e9 de outra categoria (Xk), que \u00e9 meio que um guarda-chuva para tipos mais ex\u00f3ticos. A &#8220;assinatura de luz&#8221; (o espectro, no jarg\u00e3o) sugere uma composi\u00e7\u00e3o de silicatos (rochas) e a r\u00e1pida rota\u00e7\u00e3o indica densidade superior \u00e0s do Ryugu e do Bennu.<br \/>O que realmente ser\u00e1, s\u00f3 saberemos depois do impacto.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>QUASE AO VIVO<br \/>Um aspecto interessante da miss\u00e3o, que custou US$ 324 milh\u00f5es (R$ 1,6 bilh\u00e3o) para uma espa\u00e7onave com massa de 570 kg, \u00e9 que ela transmitir\u00e1 t\u00e3o &#8220;ao vivo&#8221; quanto poss\u00edvel a fase de aproxima\u00e7\u00e3o final, at\u00e9 a colis\u00e3o.<br \/>O \u00fanico instrumento a bordo \u00e9 a c\u00e2mera Draco, que registrar\u00e1 aproximadamente uma imagem por segundo, enviando \u00e0 Terra t\u00e3o r\u00e1pido quanto poss\u00edvel. Entre o tempo de captura, processamento, transmiss\u00e3o, viagem pelo espa\u00e7o (via r\u00e1dio, \u00e0 velocidade da luz, percorrendo os pouco mais de 11 milh\u00f5es de km que separam a Terra do asteroide) e recebimento pelo controle da miss\u00e3o, ter\u00e3o transcorridos cerca de 50 segundos. Ou seja, \u00e9 um minifilme transmitido com menos de um minuto de atraso em rela\u00e7\u00e3o aos eventos ocorridos no espa\u00e7o profundo.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental que assim seja, pois n\u00e3o h\u00e1 segunda chance \u2013ao impactar contra a superf\u00edcie a cerca de 6 km\/s (ou 21.600 km\/h), ela ser\u00e1 instantaneamente vaporizada. Um nanossat\u00e9lite italiano, LICIACube, viaja logo atr\u00e1s e pretende registrar o momento do impacto, assim como a pluma de material ejetado da superf\u00edcie do Dimorfo. Mas sua capacidade de transmiss\u00e3o \u00e9 bem mais modesta, e espera-se que se possa baixar duas imagens por dia atrav\u00e9s dele.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma miss\u00e3o f\u00e1cil ou livre de riscos de falha. A essa altura, a espa\u00e7onave j\u00e1 visualiza D\u00eddimo, o maior dos asteroides, nas imagens da Draco. &#8220;Mas ainda n\u00e3o vemos Dimorfo, e n\u00e3o o veremos at\u00e9 uma hora antes do impacto&#8221;, diz Elena Adams, engenheira de sistemas da miss\u00e3o. &#8220;E quatro horas antes do impacto a espa\u00e7onave se torna completamente aut\u00f4noma.&#8221;<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Isso quer dizer que, desse ponto, at\u00e9 a colis\u00e3o, a n\u00e3o ser que algo saia errado, n\u00e3o haver\u00e1 interfer\u00eancia do controle da miss\u00e3o sobre a Dart, que usar\u00e1 seu software de guiagem autom\u00e1tica para &#8220;encontrar&#8221; Dimorfo nas imagens e ent\u00e3o ajustar o curso para impactar com ele.<br \/>A colis\u00e3o \u00e9 esperada para as 20h14 (de Bras\u00edlia), e o Mensageiro Sideral transmite tudo ao vivo a partir das 19h.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SALVADOR NOGUEIRAS\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Nesta segunda-feira (26), pela primeira vez a humanidade tentar\u00e1&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20062],"tags":[],"class_list":["post-1495202","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-tech"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1495202","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1495202"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1495202\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1495202"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1495202"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1495202"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}