{"id":1494987,"date":"2022-11-05T12:06:00","date_gmt":"2022-11-05T15:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/1963074\/tratamento-da-obesidade-com-remedio-esbarra-em-alto-custo-preconceito-e-desconfianca?utm_source=rss-lifestyle&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed"},"modified":"2022-11-05T12:06:00","modified_gmt":"2022-11-05T15:06:00","slug":"tratamento-da-obesidade-com-remedio-esbarra-em-alto-custo-preconceito-e-desconfianca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1494987","title":{"rendered":"Tratamento da obesidade com rem\u00e9dio esbarra em alto custo, preconceito e desconfian\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>CL\u00c1UDIA COLLUCCI<br \/>SAN DIEGO, EUA (FOLHAPRESS) &#8211; Novos medicamentos para tratar a obesidade prometem mais efetividade e seguran\u00e7a, mas esbarram em entraves como a falta de acesso devido aos altos pre\u00e7os, a desconfian\u00e7a e mitos como o de que perder peso \u00e9 uma s\u00f3 uma quest\u00e3o de for\u00e7a de vontade.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>n<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, h\u00e1 uma unanimidade de que esses tratamentos podem funcionar do ponto de vista individual, mas n\u00e3o resolvem o problema da crescente obesidade populacional, que precisa ser enfrentada com mudan\u00e7as comportamentais e pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>O assunto tem sido discutido em v\u00e1rias mesas na principal confer\u00eancia internacional sobre obesidade, a Obesity Week, que terminou nesta sexta (4) em San Diego (Calif\u00f3rnia).<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Enquanto nos Estados Unidos, diretrizes m\u00e9dicas como as da Sociedade Americana de Gastroenterologia recomendam quatro diferentes medicamentos para tratamento da obesidade (semaglutida, liraglutida, fentermina-topiramato de libera\u00e7\u00e3o prolongada e naltrexona-bupropiona), no Brasil n\u00e3o h\u00e1 nenhuma subst\u00e2ncia dispon\u00edvel na rede p\u00fablica de sa\u00fade.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>O protocolo de tratamento da obesidade no pa\u00eds sai da prescri\u00e7\u00e3o de dietas para a cirurgia bari\u00e1trica, sem passar pelos medicamentos. Atualmente, a Conitec (Comiss\u00e3o Nacional de Incorpora\u00e7\u00e3o de Tecnologias) avalia a incorpora\u00e7\u00e3o da liraglutida no SUS.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>A subst\u00e2ncia est\u00e1 aprovada pela Anvisa (Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria) desde 2016. J\u00e1 semaglutida tem aval para tratamento de diabetes e aguarda sinal verde como terapia para a obesidade.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>&#8220;Quando eu olho os bons resultados dessas novas subst\u00e2ncias, sei que vai ajudar os obesos a perder peso, reduzir comorbidades, melhorar qualidade de vida, eu s\u00f3 fico pensando: e os nossos pacientes? \u00c9 sempre um dilema essa quest\u00e3o do acesso&#8221;, diz a endocrinologista C\u00edntia Cecato, presidente da Abeso (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudo sobre a Obesidade e S\u00edndrome Metab\u00f3lica).<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Servi\u00e7os como os do ambulat\u00f3rio de obesidade do Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo, onde Cecato atua, s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es. &#8220;\u00c9 uma ilha no meio do pa\u00eds. L\u00e1 temos os medicamentos para tratar obesidade, comprados pelo hospital.&#8221;<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o sobre acesso ganhou for\u00e7a ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o da semaglutida (tamb\u00e9m conhecida pela marca Wegovy, da Novo Nordisk), pela ag\u00eancia reguladora americana (FDA) em 2021.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>O medicamento tem um pre\u00e7o de tabela nos Estados Unidos de US$ 1.349,02 (cerca de R$ 6.000) por m\u00eas e pode provocar uma perda de peso de 15% a 17% em pessoas obesas. A subst\u00e2ncia tornou-se popular nas redes sociais no m\u00eas passado, ap\u00f3s o bilion\u00e1rio Elon Musk atribuir o seu emagrecimento a ela.<br \/>H\u00e1 outras drogas promissoras em estudo, como a tirzepatide, da Elli Lilly, que prometem resultados iguais ou at\u00e9 superiores aos da semaglutida, mas, segundo especialistas, quando chegar ao mercado, ter\u00e1 a mesma faixa de pre\u00e7o da concorrente.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Segundo Simone Tcherniakovsky, diretora de assuntos corporativos e de sustentabilidade da Novo Nordisk Brasil, a discuss\u00e3o de acesso \u00e9 global porque as pol\u00edticas de enfrentamento da obesidade n\u00e3o t\u00eam sido frut\u00edferas. &#8220;S\u00f3 alguns poucos pa\u00edses est\u00e3o conseguindo deter o avan\u00e7o&#8221;, diz.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Ela afirma que no Brasil h\u00e1 alguns planos de sa\u00fade que j\u00e1 subsidiam medicamentos contra a obesidade para seus benefici\u00e1rios porque entendem que essas pessoas t\u00eam mais comorbidades, internam mais e v\u00e3o mais ao m\u00e9dico, condi\u00e7\u00f5es que aumentam os custos.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>No caso de uma eventual incorpora\u00e7\u00e3o no SUS, Tcherniakovsky diz que sempre h\u00e1 uma grande negocia\u00e7\u00e3o, o que leva \u00e0 queda dos pre\u00e7os. Al\u00e9m disso, com a oferta de outras medica\u00e7\u00f5es e um ambiente mais competitivo, os pre\u00e7os tamb\u00e9m tendem a cair mais.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Para o endocrinologista Dan Bessesen, professor da Universidade do Colorado e presidente da Obesity Week, al\u00e9m do pre\u00e7o, h\u00e1 outros motivos que emperram a prescri\u00e7\u00e3o dessas novas drogas, como a desconfian\u00e7a que muitos m\u00e9dicos ainda t\u00eam em rela\u00e7\u00e3o aos emagrecedores.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Ele afirma que at\u00e9 a d\u00e9cada passada n\u00e3o havia medicamentos efetivos para obesidade, e que os anorex\u00edgenos que estavam no mercado produziam perdas de peso modestas e, alguns casos, graves efeitos colaterais, que levaram alguns serem retirados do mercado.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>&#8220;Isso criou um senso comum de que as medica\u00e7\u00f5es para o emagrecimento n\u00e3o s\u00e3o seguras e acabou afetando a percep\u00e7\u00e3o sobre outras drogas que n\u00e3o tinham os mesmos problemas.&#8221;<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Por\u00e9m, segundo ele, o mundo vive atualmente uma nova era de tratamento da obesidade, com muitos medicamentos novos a caminho que v\u00e3o promover mais perda de peso e redu\u00e7\u00e3o do risco cardiovascular.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Essa nova classe de drogas s\u00e3o chamadas de incretinas, que s\u00e3o horm\u00f4nios naturais que retardam o esvaziamento do est\u00f4mago, regulam a insulina e diminuem o apetite. Os efeitos colaterais incluem n\u00e1useas, v\u00f4mitos e diarreia, que costumam ser bem tolerados.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Para Bessesen, \u00e9 preciso educar a sociedade para o fato de que a obesidade \u00e9 uma doen\u00e7a cr\u00f4nica e que precisa ser tratada de forma adequada, com medicamentos acess\u00edveis, combinados com mudan\u00e7a de estilo de vida.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>&#8220;A gente n\u00e3o trata diabetes ou hipertens\u00e3o s\u00f3 com mudan\u00e7a de estilo de vida. Na obesidade acontece o mesmo. Os medicamentos s\u00e3o necess\u00e1rios e muitas pessoas v\u00e3o ter que tomar para o resto da vida. Eu n\u00e3o tomo meu rem\u00e9dio da press\u00e3o ou da diabetes por uma semana e paro de tomar quando est\u00e3o controladas.&#8221;<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Para C\u00edntia Cecato, h\u00e1 outros desafios, como o reconhecimento da obesidade como uma doen\u00e7a cr\u00f4nica e que pode demandar tratamento cont\u00ednuo. &#8220;As pessoas acham que v\u00e3o fazer o tratamento e podem parar [o medicamento]. A medica\u00e7\u00e3o auxilia na perda de peso e na manuten\u00e7\u00e3o a longo prazo.&#8221;<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Por\u00e9m, h\u00e1 controv\u00e9rsias sobre esse conceito. Na opini\u00e3o do cardiologista Lu\u00eds Correia, diretor do centro de medicina baseada em evid\u00eancia da Escola Bahiana de Medicina e Sa\u00fade P\u00fablica, condi\u00e7\u00f5es como hipertens\u00e3o, dislipidemia e obesidade n\u00e3o s\u00e3o doen\u00e7as, mas sim fatores de risco para doen\u00e7a.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a, segundo ele, \u00e9 que a hipertens\u00e3o e a dislipidemia n\u00e3o s\u00e3o s\u00e3o modific\u00e1veis com mudan\u00e7a de h\u00e1bitos de vida e, por isso, demandam tratamento cr\u00f4nico. &#8220;Mas obesidade tem potencial de mudar com h\u00e1bito.&#8221;<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>C\u00edntia Cecato cita um outro desafio no tratamento da obesidade: o estigma. &#8220;H\u00e1 pacientes que n\u00e3o podem contar aos familiares que est\u00e3o usando um medicamento para obesidade porque s\u00e3o criticados, as pessoas acham que eles n\u00e3o precisam, que \u00e9 s\u00f3 ter for\u00e7a de vontade para emagrecer.&#8221;<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Para Lu\u00eds Correia, embora os medicamentos sejam importantes como estrat\u00e9gias individuais para controle da obesidade, o problema precisa ser combatido com estrat\u00e9gias populacionais, como ocorreu no caso do tabagismo.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>&#8220;Hoje \u00e9 proibida a propaganda de cigarro, mas n\u00e3o a de comida supercal\u00f3rica. O problema da obesidade \u00e9 de sa\u00fade p\u00fablica, mais do que um problema cl\u00ednico de um m\u00e9dico com seu paciente. Assim ser\u00edamos mais efetivos, embora os m\u00e9dicos fossem ganhar menos dinheiro.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CL\u00c1UDIA COLLUCCISAN DIEGO, EUA (FOLHAPRESS) &#8211; Novos medicamentos para tratar a obesidade prometem mais efetividade&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20061],"tags":[],"class_list":["post-1494987","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-lifestyle"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1494987","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1494987"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1494987\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1494987"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1494987"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1494987"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}