{"id":1494876,"date":"2022-09-29T15:45:00","date_gmt":"2022-09-29T18:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1494876"},"modified":"2022-09-29T15:45:00","modified_gmt":"2022-09-29T18:45:00","slug":"taxa-de-homicidio-em-area-de-milicia-no-rj-e-similar-a-do-trafico-foco-da-policia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1494876","title":{"rendered":"Taxa de homic\u00eddio em \u00e1rea de mil\u00edcia no RJ \u00e9 similar \u00e0 do tr\u00e1fico, foco da pol\u00edcia"},"content":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; \u00c1reas dominadas pela mil\u00edcia e por fac\u00e7\u00f5es associadas ao tr\u00e1fico de drogas no Rio de Janeiro t\u00eam uma taxa de homic\u00eddios dolosos semelhante. De 2006 a 2021, foram 218,3 e 210,5 mortos a cada 100 mil habitantes, respectivamente. Os n\u00fameros colocam em xeque a ideia de que as mil\u00edcias seriam um &#8220;mal menor&#8221; para a popula\u00e7\u00e3o das comunidades.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>n<\/p>\n<p>A atividade e o grau de letalidade das for\u00e7as de seguran\u00e7a, no entanto, est\u00e3o concentrados em bairros sob o dom\u00ednio do tr\u00e1fico -predominantemente do Comando Vermelho. Os locais sempre concentraram ao menos 59% das opera\u00e7\u00f5es no per\u00edodo analisado, e as mortes nos locais com predomin\u00e2ncia da fac\u00e7\u00e3o representaram 65% do total.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o de um levantamento do Instituto Fogo Cruzado feito em parceria com o Geni (Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos), da UFF (Universidade Federal Fluminense).<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>O estudo reuniu dados do ISP (Instituto de Seguran\u00e7a P\u00fablica), do governo do Rio, de homic\u00eddios dolosos e de mortes por interven\u00e7\u00e3o de agentes do estado; do Geni, que coleta informa\u00e7\u00f5es sobre opera\u00e7\u00f5es policiais e chacinas em que h\u00e1 presen\u00e7a de agentes do estado; e do Instituto Fogo Cruzado, que registra chacinas dentro e fora de opera\u00e7\u00f5es policiais.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>A classifica\u00e7\u00e3o de chacina, segundo os pesquisadores, \u00e9 dada a eventos em que h\u00e1 tr\u00eas mortos ou mais. Podem acontecer entre grupos rivais ou com a participa\u00e7\u00e3o de for\u00e7as policiais, como a opera\u00e7\u00e3o no Complexo da Mar\u00e9, na segunda-feira (26), que terminou com sete mortos.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o de mais de 13 mil sub-bairros, conjuntos habitacionais e favelas das cidades na regi\u00e3o metropolitana do Rio de Janeiro, que comp\u00f5em um mapa sobre o hist\u00f3rico de ocupa\u00e7\u00e3o por grupos armados. Os diferentes grupos armados considerados no levantamento -CV (Comando Vermelho), TCP (Terceiro Comando Puro) e ADA (Amigos dos Amigos) e mil\u00edcias- usam a viol\u00eancia de forma diferente para o controle dos territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>O controle de \u00e1reas por mil\u00edcias, que j\u00e1 foram consideradas grupos que mant\u00eam a ordem e moralizam os territ\u00f3rios, n\u00e3o reduziu as taxas de homic\u00eddios, segundo a soci\u00f3loga Maria Isabel Couto, do Instituto Fogo Cruzado.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>&#8220;Quando as mil\u00edcias surgiram, pelo menos na sua faceta atual, existia um discurso muito forte de autoridades p\u00fablicas dizendo que eram um mal menor, um rem\u00e9dio para o tr\u00e1fico. \u00c9 um discurso que n\u00e3o se sustenta&#8221;, afirma Couto, uma das coordenadoras do estudo.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Esses grupos, segundo ela, expandem o controle territorial armado no Rio de Janeiro e n\u00e3o s\u00e3o mecanismos para baixar as taxas de homic\u00eddio.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, taxas de homic\u00eddios mais altas em grupos com a categoria de baixo grau de controle podem indicar disputas pelo territ\u00f3rio ou imposi\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia como forma de estabelecer o dom\u00ednio.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>O levantamento mostra como as diferentes din\u00e2micas dos grupos afetam as regi\u00f5es e como o uso da for\u00e7a pelo poder p\u00fablico atua nesse cen\u00e1rio. Para Daniel Hirata, coordenador do Geni\/UFF, as a\u00e7\u00f5es t\u00eam sido direcionadas, mas sem reduzir os crimes de homic\u00eddios.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 mostramos em algumas oportunidades que opera\u00e7\u00f5es policiais n\u00e3o s\u00e3o efetivas para o enfrentamento de grupos armados. N\u00e3o me parece que um n\u00famero maior de opera\u00e7\u00f5es policiais vai diminuir a extens\u00e3o do controle territorial desses grupos no Rio de Janeiro&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Segundo Hirata, um efeito das a\u00e7\u00f5es nas disputas pode ser, inclusive, o de aumentar a viol\u00eancia. Grupos que enfrentam mais opera\u00e7\u00f5es policiais podem ficar suscet\u00edveis a invas\u00f5es de outras fac\u00e7\u00f5es. &#8220;Qual o papel das opera\u00e7\u00f5es nessas disputas? Essa \u00e9 a quest\u00e3o a ser respondida&#8221;, diz o pesquisador.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>A falta de rela\u00e7\u00e3o entre aumento de opera\u00e7\u00f5es policiais e uma redu\u00e7\u00e3o dos \u00edndices de homic\u00eddios e de outros crimes \u00e9 refor\u00e7ada por Pablo Nunes, coordenador do CESeC (Centro de Estudos de Seguran\u00e7a e Cidadania). Ele lembra que o programa de Unidades de Pol\u00edcia Pacificadora, as UPPs, promoveu uma redu\u00e7\u00e3o de indicadores criminais sem investir em a\u00e7\u00f5es ostensivas.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o dessa ida de policiais para a guerra com redu\u00e7\u00e3o e combate da criminalidade&#8221;, afirma o pesquisador.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o no Grande Rio, para Hirata, est\u00e1 ligada \u00e0 ocorr\u00eancia de confrontos armados. Por\u00e9m, a falta de tiroteios n\u00e3o significa a aus\u00eancia de mortes violentas, como assassinatos direcionados ou desaparecimentos.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Em nota, a Secretaria de Estado de Pol\u00edcia Militar da gest\u00e3o Cl\u00e1udio Castro (PL) afirmou que as a\u00e7\u00f5es planejadas cumprem as determina\u00e7\u00f5es legais e s\u00e3o baseadas em informa\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os oficiais, como ag\u00eancias de intelig\u00eancia e o Instituto de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>A corpora\u00e7\u00e3o diz que houve redu\u00e7\u00e3o nos \u00edndices de crimes de letalidade violenta, indicador que agrega homic\u00eddios dolosos, latroc\u00ednios, les\u00e3o corporal seguida de morte e morte por interven\u00e7\u00e3o de agente do estado.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>&#8220;Divulgados semana passada, os n\u00fameros do ISP referentes a agosto \u00faltimo revelam uma redu\u00e7\u00e3o de 11% no \u00edndice de letalidade violenta no acumulado deste ano em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado. \u00c9 o menor \u00edndice dos \u00faltimos 31 anos&#8221;, diz o texto.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>A Secretaria de Estado de Pol\u00edcia Civil afirmou que desconhece a metodologia utilizada no estudo e que atua com base em intelig\u00eancia e investiga\u00e7\u00e3o em dados do ISP.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>A pasta informou que tem reduzido \u00edndices e que as mortes em opera\u00e7\u00f5es na atual gest\u00e3o da secretaria decorreram de agress\u00f5es contra os policiais.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>&#8220;A Secretaria refor\u00e7a que as opera\u00e7\u00f5es priorizam sempre a preserva\u00e7\u00e3o de vidas, tanto dos agentes quanto dos cidad\u00e3os. As mortes em confronto ocorridas na atual gest\u00e3o da Sepol aconteceram em decorr\u00eancia de agress\u00f5es de criminosos contra policiais. A rea\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Civil durante opera\u00e7\u00f5es depende da conduta dos criminosos&#8221;, diz o texto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; \u00c1reas dominadas pela mil\u00edcia e por fac\u00e7\u00f5es associadas ao tr\u00e1fico de drogas no&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8212],"tags":[],"class_list":["post-1494876","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-justica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1494876","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1494876"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1494876\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1494876"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1494876"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1494876"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}