{"id":1494276,"date":"2022-02-27T08:39:00","date_gmt":"2022-02-27T11:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.editora3.com.br\/planeta\/2010\/05\/01\/magia-que-bicho-e-esse\/"},"modified":"2022-02-27T08:39:00","modified_gmt":"2022-02-27T11:39:00","slug":"a-magia-existe-de-verdade-mas-afinal-que-bicho-e-esse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1494276","title":{"rendered":"A magia existe de verdade &#8211; mas afinal que bicho \u00e9 esse?"},"content":{"rendered":"<p>Meu primeiro encontro com o que depois soube chamar-se magia ocorreu quando eu tinha 7 ou 8 anos e n\u00e3o era mais que um moleque arteiro a espalhar o terror no quintal da minha casa. Como castigo por tanta traquinagem \u2013 jurava a empregada Terezinha \u2013 nasceram-me nos dedos das m\u00e3os uma por\u00e7\u00e3o de verrugas. Minha m\u00e3e levou-me a uma velha benzedeira que morava na periferia.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\/sete-pecados-capitais-como-surgiu-a-lista-da-essencia-dos-vicios\/\"><strong>+ Sete pecados capitais: como surgiu a lista da ess\u00eancia dos v\u00edcios<\/strong><\/a><br \/>n<a href=\"https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\/as-bruxas-estao-soltas\/\"><strong>+ O que \u00e9, afinal, uma bruxa?<\/strong><\/a><br \/>n<a href=\"https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\/crencas-no-bem-e-no-mal-teriam-reduzido-propagacao-de-doencas-infecciosas\/\"><strong>+ Cren\u00e7as no bem e no mal teriam reduzido propaga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as infecciosas<\/strong><\/a><\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Lembro-me bem da cena: minhas duas m\u00e3os espalmadas sobre a mesa; junto delas um copo d\u2019\u00e1gua coberto por um pires, uma vela acesa, uma rosa branca num pequeno vaso de vidro, um ramo de arruda que exalava cheiro forte. A benzedeira rezava a meia-voz e de vez em quando colocava as suas m\u00e3os sobre as minhas. No final, informou: \u201cO menino estava com quebranto, mas j\u00e1 tirei\u201d. E concluiu com ar de vit\u00f3ria definitiva: \u201cAs verrugas v\u00e3o cair\u201d.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Dois dias depois, como se fosse a coisa mais natural do mundo, minhas verrugas come\u00e7aram a murchar. Foram secando, at\u00e9 se transformarem em pequenos ap\u00eandices escuros e descarnados. E a\u00ed, um a um, todos eles se desprenderam e ca\u00edram.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>O caso fez furor entre vizinhos e parentes. Mas, ao saber da hist\u00f3ria, uma tia solteirona metida a fil\u00f3sofa, e que definia a si pr\u00f3pria \u201cracionalista cartesiana\u201d, n\u00e3o conteve um coment\u00e1rio arrasador: \u201cIsso \u00e9 pura autossugest\u00e3o. Convenceram o menino de que as verrugas iam cair e, com o poder da sua mente inconsciente, ele fez elas ca\u00edrem.\u201d<\/p>\n<p>n<\/p>\n<h4><strong>Curiosidade agu\u00e7ada<\/strong><\/h4>\n<p>n<\/p>\n<p>Bravo, titia! Se voc\u00ea hoje fosse viva, certamente seria professora de sucesso num curso de controle mental. Se o seu remate era certo n\u00e3o sei, mas naquele instante voc\u00ea me fez um duplo favor: agu\u00e7ou minha curiosidade de conhecer o real segredo do desaparecimento das verrugas; despertou em minha cabecinha inquieta a ideia de que a mente, consciente ou inconsciente, esconde mais mist\u00e9rios e poderes do que at\u00e9 ent\u00e3o supunha.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Pouco depois, a vida me apresentou mais uma ocasi\u00e3o para incrementar meus conhecimentos em mat\u00e9ria de elimina\u00e7\u00e3o m\u00e1gica de verrugas. Meu cachorro, um vira-lata preto chamado N\u00e3o! (com ponto de exclama\u00e7\u00e3o), desenvolveu sobre o nariz uma verruga t\u00e3o grande quanto uma azeitona. O nome dele devia-se ao fato de que, desde pequenino, o <em>n\u00e3o<\/em> era a palavra que mais ouvia. Quando praticava seus divertimentos favoritos \u2013 roer p\u00e9s de mesas e cadeiras, puxar roupas do varal, arrancar as penas dos rabos das galinhas \u2013, havia sempre algu\u00e9m ralhando com ele e gritando: \u201cN\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o!\u201d Acabou se acostumando e, toda vez que ouvia um \u201cn\u00e3o!\u201d perempt\u00f3rio, passava a atender, de rabo abanando.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Decidi testar minhas capacidades de benzedeiro sobre a verruga do N\u00e3o!. Preparei o mesmo ritual, com vela acesa, flor branca, copo d\u2019\u00e1gua e arruda, coloquei minha m\u00e3o sobre o seu nariz e rezei todas as rezas que sabia de cor: um pai-nosso, uma ave-maria e uma salve-rainha quase completa. Que poder, o da mem\u00f3ria infantil: at\u00e9 hoje, tantas d\u00e9cadas passadas, quando lembro da minha inicia\u00e7\u00e3o precoce como benzedeiro, sinto a grande verruga do N\u00e3o! latejando sob a ponta dos meus dedos. Sim, o benzimento deu certo. Para minha sorte \u2013 ou dana\u00e7\u00e3o \u2013, a verruga logo depois come\u00e7ou a secar. Virou uma esp\u00e9cie de horrenda uva-passa pendurada no nariz do cachorro e depois caiu, para nunca mais voltar. Como nunca mais voltou a minha inoc\u00eancia, definitivamente perdida naquela aventura da descoberta dos meus \u201cpoderes ocultos\u201d.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<h4><strong>Arte especial<\/strong><\/h4>\n<p>n<\/p>\n<p>Ent\u00e3o \u00e9 verdade: existem m\u00e9todos estranhos de resolver problemas. M\u00e9todos que a gente n\u00e3o consegue entender nem aclarar, mas que funcionam. Existem coisas misteriosas que nem sempre podem ser explicadas pela autossugest\u00e3o, como queria minha tia. Pois at\u00e9 ela, \u201cracionalista cartesiana\u201d convicta, teria dificuldade em admitir que a autossugest\u00e3o faz parte dos atributos dos cachorros. Ent\u00e3o, a magia existe, de verdade.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>A um imenso conjunto de fen\u00f4menos e pr\u00e1ticas que o ser humano pode produzir, mas que n\u00e3o podem ser explicados pela autossugest\u00e3o nem por qualquer lei da ci\u00eancia e da psicologia oficiais, d\u00e1-se o nome gen\u00e9rico de magia. Palavra que vem do substantivo <em>magi<\/em>, nome que os antigos gregos davam aos sacerdotes persas do culto de Zoroastro. Cabe a\u00ed uma primeira defini\u00e7\u00e3o, a do historiador franc\u00eas Louis Chochod, para quem \u201cmagia \u00e9 uma arte especial, baseada na exist\u00eancia de for\u00e7as naturais, pouco ou mal conhecidas, e ordinariamente fora do alcance do poder do homem. Conhecer essas for\u00e7as, canaliz\u00e1-las, orient\u00e1-las e, at\u00e9 certo ponto, utiliz\u00e1-las, esse \u00e9 o objetivo da magia\u201d.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>A defini\u00e7\u00e3o de Chochod tem espectro muito amplo. Mas, se existe um assunto que em mat\u00e9ria de defini\u00e7\u00f5es \u00e9 terra de ningu\u00e9m, esse assunto \u00e9 a magia. H\u00e1 defini\u00e7\u00f5es para todos os gostos. Algumas francamente preconceituosas e cheias de supersti\u00e7\u00e3o: \u201cMagia \u00e9 a arte de conjurar dem\u00f4nios e esp\u00edritos para obrig\u00e1-los a servir aos interesses do mago\u201d. Outras s\u00e3o pueris e inocentes, como a do ocultista franc\u00eas Georges Muchery: \u201cMagia \u00e9 a arte de tornar-se feliz\u201d. H\u00e1 defini\u00e7\u00f5es complicadas como a do respeitado alquimista contempor\u00e2neo Eugene Canseliet: \u201cMagia \u00e9, antes de tudo, a arte divina que consiste em travar contato com a alma universal e, atrav\u00e9s dela, dominar as for\u00e7as espirituais invis\u00edveis no espa\u00e7o e na subst\u00e2ncia\u201d. E ainda a do ocultista franc\u00eas Eliphas Levi, pai da magia moderna, para quem \u201cmagia \u00e9 a ci\u00eancia tradicional que nos vem dos magos&#8230; Por meio dessa ci\u00eancia, o adepto se v\u00ea investido de uma esp\u00e9cie de poder superior relativo e pode agir de modo sobre-humano, isto \u00e9, de uma maneira que n\u00e3o est\u00e1 ao alcance do comum dos homens\u201d.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<h4><strong>Microcosmo e macrocosmo<\/strong><\/h4>\n<p>n<\/p>\n<p>Para os magos, aqueles que praticam a magia, \u201cviver \u00e9 conhecer\u201d. Desde que o homem existe como tal, ele tenta desvendar os segredos da natureza, levantar o v\u00e9u de mist\u00e9rio que encobre as origens e as finalidades do mundo, da vida e da exist\u00eancia humana. Atrav\u00e9s das eras, para conquistar conhecimento, o homem pensante criou diversos m\u00e9todos de trabalho e desenvolveu diferentes posturas para manipular o desconhecido e dele extrair respostas. Aquilo que os religiosos chamam \u201cDeus\u201d, os cientistas chamam \u201cleis\u201d, os fil\u00f3sofos, \u201cpreceitos\u201d, os s\u00e1bios, \u201ca natureza\u201d, os magos chamam \u201cconhecimento\u201d. Mas, para todos eles, o princ\u00edpio \u00e9 sempre o mesmo: estudar o microcosmo (homem) para desvelar os segredos do macrocosmo (universo).<br \/>n<!--2--><br \/>n<strong>+ <a href=\"https:\/\/istoe.com.br\/homem-conhecido-como-alien-negro-pretende-dividir-o-penis-em-dois\/\">Homem conhecido como &#8216;alien negro&#8217; pretende dividir o p\u00eanis em dois<\/a><\/strong><br \/>n<strong>+ <a href=\"https:\/\/istoe.com.br\/video-apos-13-anos-mulher-retira-implantes-dos-seios-e-se-surpreender-com-estado-das-proteses\/\">V\u00eddeo: Ap\u00f3s 13 anos, mulher retira implantes dos seios e se surpreende com estado das pr\u00f3teses<\/a><\/strong><br \/>n<strong>+ <a href=\"https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\/decifrado-codigo-dos-manuscritos-do-mar-morto\/\">Decifrado c\u00f3digo dos Manuscritos do Mar Morto<br \/>n<\/a><\/strong><br \/>n<!--2\/--><\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica da magia \u00e9, sem d\u00favida, t\u00e3o antiga quanto o pr\u00f3prio homem. Nos tempos das cavernas, quando animais eram pintados nas paredes de pedra, o que se pretendia era estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o m\u00e1gica com o \u201cesp\u00edrito\u201d daqueles animais para que, no momento da ca\u00e7a, ele fosse favor\u00e1vel aos ca\u00e7adores. Desde ent\u00e3o, essencialmente, poucas coisas mudaram no dom\u00ednio da magia. Suas t\u00e9cnicas s\u00e3o muito parecidas nas diferentes culturas que apareceram no mundo, e sofreram relativamente poucas mudan\u00e7as no transcorrer do tempo.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Sugere-se muitas vezes que a magia \u00e9 precursora da religi\u00e3o, mas estudos mais profundos mostram ser mais prov\u00e1vel que ambas tenham sempre existido, uma ao lado da outra. Magia e religi\u00e3o possuem em comum a cren\u00e7a num poder transcendental que existe no homem e no mundo. A grande diferen\u00e7a entre ambas reside nas suas atitudes em rela\u00e7\u00e3o a esse poder. A magia preocupa-se em comandar, controlar e compelir esse poder para a satisfa\u00e7\u00e3o dos seus pr\u00f3prios objetivos; a religi\u00e3o, por seu lado, preocupa-se em adorar esse poder, suplicando a sua ajuda e aceitando resignadamente aquilo que ele d\u00e1. A primeira \u00e9 ativa, \u201cmasculina\u201d. A segunda \u00e9 passiva, \u201cfeminina\u201d.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<h4><strong>Sensibilidade especial<\/strong><\/h4>\n<p>n<\/p>\n<p>O mago, portanto, \u00e9 um aventureiro que mergulha no mist\u00e9rio da vida e do mundo e n\u00e3o se contenta apenas em observar passivamente esse mist\u00e9rio. Quer tamb\u00e9m compreend\u00ea-lo, conhecer suas leis, processos e finalidades, quer interferir voluntariamente nele e, numa certa medida, aprender a manipul\u00e1-lo. O mago \u00e9 entendido como um ser de sensibilidade especial. V\u00ea o universo como uma coisa viva, cuja apar\u00eancia vis\u00edvel mascara a natureza real dos poderes que o controlam. E v\u00ea a si mesmo como participante da natureza da divindade, e por isso gosta de afirmar: \u201cN\u00e3o existe parte de mim que n\u00e3o seja parte dos deuses\u201d. O mago considera que todos n\u00f3s, membros da esp\u00e9cie humana, somos \u201cdeuses em potencial\u201d. A magia \u00e9 a ci\u00eancia-arte que nos ajuda a abrir e desenvolver esse potencial.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Sonhos e vis\u00f5es, s\u00edmbolos e alegorias, imagina\u00e7\u00e3o e fantasia, as viagens vertiginosas dos g\u00eanios da m\u00fasica, da pintura, da poesia dizem mais ao mago sobre as realidades \u00faltimas da exist\u00eancia do que todas as equa\u00e7\u00f5es da matem\u00e1tica, as maquina\u00e7\u00f5es da pol\u00edtica, ou as espertezas do mercado financeiro.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>O mago \u00e9 um ser complexo, uma criatura em geral ousada e at\u00e9 mesmo temer\u00e1ria. Nos tempos em que a Santa Inquisi\u00e7\u00e3o esbanjava poder, muitas centenas deles foram assados vivos nas fogueiras, condenados por suas heresias. O veneziano Giordano Bruno \u00e9 um exemplo. Foi queimado porque teimou em afirmar at\u00e9 o fim que era a Terra a girar ao redor do Sol, e n\u00e3o o contr\u00e1rio. Naqueles tempos isso contrariava as \u201cleis\u201d da ci\u00eancia conhecida, e era, portanto, \u201cheresia de mago\u201d, punida com a morte.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<h4><strong>Tradi\u00e7\u00e3o herm\u00e9tica<\/strong><\/h4>\n<p>n<\/p>\n<p>\u00c9 mais f\u00e1cil, contudo, entender o que \u00e9 um mago do que \u00e9 magia. \u201cMagia\u201d \u00e9 hoje uma palavra problem\u00e1tica, pois mais de um sentido \u00e9-lhe atribu\u00eddo. Existe a magia do prestidigitador que tira coelhos da cartola ou dos truques de alta tecnologia de David Copperfield. Existe a magia como \u00e9 entendida pelos antrop\u00f3logos \u2013 supersti\u00e7\u00f5es ing\u00eanuas, ritos primitivos de fertilidade ou heran\u00e7as curiosas do folclore. E existe, finalmente, a verdadeira magia, aquela que nos interessa: um sofisticado sistema de conhecimento cujas origens n\u00e3o ser\u00e3o encontradas na lenda ou no folclore, mas sim na antiga tradi\u00e7\u00e3o chamada \u201cherm\u00e9tica\u201d, de Hermes, o deus grego da intelig\u00eancia e da sabedoria. As origens arcaicas dessa tradi\u00e7\u00e3o perdem-se na noite dos tempos, mas sabe-se que ela se desenvolveu no antigo Egito, passando depois por Gr\u00e9cia e por Roma, e por toda a Idade M\u00e9dia e o Renascimento europeu. Ap\u00f3s um per\u00edodo de relativa obscuridade \u2013 devido certamente ao implac\u00e1vel combate que lhe foi desfechado pela Inquisi\u00e7\u00e3o \u2013, a magia ressurgiu em sua forma moderna no contexto da grande renascen\u00e7a ocultista que foi uma das caracter\u00edsticas da segunda metade do s\u00e9culo 19.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Ressurgir das pr\u00f3prias cinzas nos momentos mais impens\u00e1veis, como a f\u00eanix mitol\u00f3gica, \u00e9 uma das caracter\u00edsticas da magia. Basta ver o que acontece nos dias de hoje. Nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas \u2013 \u00e9poca das mais extraordin\u00e1rias conquistas da ci\u00eancia tecnol\u00f3gica moderna, quando o homem foi \u00e0 Lua, os bisturis de raio laser invadiram os hospitais e os computadores, os lares e escrit\u00f3rios \u2013 observou-se um desconcertante reflorescimento da magia e de disciplinas correlatas, como a astrologia e o ocultismo. Um reflorescimento, portanto, de modos de conceber o mundo diametralmente opostos aos da ci\u00eancia racionalista.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<h4><strong>Novas roupagens<\/strong><\/h4>\n<p>n<\/p>\n<p>Cada vez que a magia ressurge na hist\u00f3ria, ela o faz com novas roupagens. O corpo essencial de seus conhecimentos \u00e9 sempre o mesmo, mas a linguagem por ela utilizada para operar e se comunicar pode mudar completamente de acordo com o tempo hist\u00f3rico e o lugar da sua manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>A linguagem da magia antiga era complicad\u00edssima e inacess\u00edvel aos n\u00e3o iniciados. Envolvia c\u00f3digos e s\u00edmbolos da alquimia, da cabala, da astrologia e de outras ci\u00eancias herm\u00e9ticas. A magia contempor\u00e2nea passou por uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o em sua linguagem formal, que \u00e9 agora bem mais simples. Esse novo enfoque come\u00e7ou a ser difundido em meados do s\u00e9culo passado atrav\u00e9s da obra de v\u00e1rios autores. Um dos expoentes m\u00e1ximos dessa gera\u00e7\u00e3o de magos modernos foi o franc\u00eas Eliphas Levi (pseud\u00f4nimo de Alphonse-Louis Constant), um ex-seminarista cat\u00f3lico.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Em seu livro <em>Dogma e Ritual da Alta Magia<\/em>, publicado em 1856 e dispon\u00edvel em portugu\u00eas, Levi apresenta uma teoria sobre o modo pelo qual atua a magia. \u00c9 esta sua concep\u00e7\u00e3o que, um pouco modificada, domina o pensamento dos magos contempor\u00e2neos.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>As ideias de Eliphas Levi constituem uma obra-prima de intui\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica e cient\u00edfica. Elas antecipam muito do arcabou\u00e7o b\u00e1sico de v\u00e1rias psicologias contempor\u00e2neas, pois explicam a a\u00e7\u00e3o m\u00e1gica como um fen\u00f4meno baseado principalmente nas capacidades naturais \u2013 embora ainda pouco conhecidas \u2013 da mente e da psique humanas. \u00c9 a partir da escola de Levi que se passou a afirmar: \u201cO fen\u00f4meno m\u00e1gico come\u00e7a na cabe\u00e7a do mago\u201d.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<h4><strong>Tr\u00eas leis fundamentais<\/strong><\/h4>\n<p>n<\/p>\n<p>Levi afirma que na magia existem tr\u00eas leis fundamentais. A primeira \u00e9 a lei da vontade humana, que, do seu ponto de vista, n\u00e3o era simplesmente uma ideia abstrata, e sim uma for\u00e7a material \u201ct\u00e3o real\u201d, para usar as suas pr\u00f3prias palavras, \u201cquanto o vapor de \u00e1gua ou a corrente galv\u00e2nica\u201d. Essa ideia, na verdade, n\u00e3o era exclusiva de Levi. V\u00e1rios intelectuais da \u00e9poca a desposaram, entre eles Edgar Allan Poe, que no seu conto \u201cO Caso do Senhor Valdemar\u201d faz o personagem Glanvill dizer: \u201c\u00c9 l\u00e1 que repousa a vontade que n\u00e3o morre jamais. Quem conhece os mist\u00e9rios da vontade e todo o seu vigor? O pr\u00f3prio Deus \u00e9 uma imensa Vontade que reina sobre todas as coisas.\u201d<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>A originalidade de Levi estava na aplica\u00e7\u00e3o dessa ideia \u00e0 magia ritual. Para ele, como para a maioria dos magos modernos, toda a parafern\u00e1lia dos acess\u00f3rios do cerimonial m\u00e1gico, tais como incensos, velas, uso de figuras geom\u00e9tricas e de paramentos, \u00e9 apenas suporte auxiliar e ponto de apoio e de refer\u00eancia destinado a ajudar o mago a concentrar a sua vontade.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>A segunda lei de Levi \u00e9 a lei da luz astral, o \u201c\u00e9ter\u201d dos antigos gregos e da f\u00edsica pr\u00e9-einsteiniana, o \u201cprana\u201d dos hindus: um fluido imponder\u00e1vel que preenche todos os espa\u00e7os do universo e gra\u00e7as ao qual o mago pode agir a dist\u00e2ncia. A luz astral, dizia Levi, \u00e9 invis\u00edvel e destitu\u00edda de forma, por\u00e9m permeia a totalidade da natureza e pode ser moldada pela vontade humana, produzindo formas vis\u00edveis. Isso explicaria, segundo ele, a maior parte dos fen\u00f4menos chamados paranormais ou medi\u00fanicos que a ci\u00eancia oficial constata mas n\u00e3o explica, como aqueles de materializa\u00e7\u00e3o de esp\u00edritos, materializa\u00e7\u00e3o de objetos, produ\u00e7\u00e3o paranormal de sons, odores, etc. Para Levi, os m\u00e9diuns de efeitos f\u00edsicos, indiv\u00edduos capazes de produzir tais fen\u00f4menos, seriam uma esp\u00e9cie de \u201cmagos naturais\u201d, dotados de uma capacidade inata de moldar a luz astral e provocam desse modo fen\u00f4menos capazes de impressionar os sentidos dos espectadores.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<h4><strong>Lei das analogias<\/strong><\/h4>\n<p>n<\/p>\n<p>A terceira lei de Levi \u00e9 a lei das correspond\u00eancias, ou das analogias. Trata-se na verdade de uma vers\u00e3o atualizada da antiga doutrina herm\u00e9tica do macrocosmo e do microcosmo, segundo a qual todo elemento do primeiro \u2013 o universo \u2013 teria o seu correspondente no segundo \u2013 o ser humano considerado individualmente. Por exemplo, as constela\u00e7\u00f5es do zod\u00edaco associadas a certas zonas do corpo humano. Assim, a constela\u00e7\u00e3o de Capric\u00f3rnio corresponde aos joelhos; a de G\u00eameos, aos bra\u00e7os e pulm\u00f5es; a de Escorpi\u00e3o, aos \u00f3rg\u00e3os genitais. Para Levi, tais correspond\u00eancias existiam realmente, mas sob uma forma menos grosseiramente f\u00edsica. Era menos o corpo f\u00edsico e muito mais a alma humana que ele considerava como um \u201cespelho m\u00e1gico do universo\u201d, para empregar uma express\u00e3o que os magos amam. Levi dizia que todo elemento presente no universo tamb\u00e9m poderia ser encontrado na alma humana: assim, a for\u00e7a c\u00f3smica que os romanos personificavam na deusa V\u00eanus correspondia \u00e0 sexualidade f\u00edsica, e aquela representada pelo deus Merc\u00fario, \u00e0 intelig\u00eancia humana. Os modernos magos ritualistas acreditam que o conhecimento dessa lei das correspond\u00eancias lhes permite \u201cfazer descer\u201d (invocar) neles todas as for\u00e7as c\u00f3smicas das quais querem obter alguma coisa, ou, ao contr\u00e1rio, \u201cfazer subir\u201d (evocar) essas mesmas for\u00e7as latentes em sua alma e as projetar no mundo exterior.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Levi, contudo, pouco revelou em seus livros da exist\u00eancia de uma quarta lei fundamental para que qualquer a\u00e7\u00e3o m\u00e1gica tenha bom \u00eaxito: a lei da imagina\u00e7\u00e3o. Falou da import\u00e2ncia desse segredo fundamental apenas a alguns de seus disc\u00edpulos mais queridos, e foram eles que, mais tarde, o ensinaram publicamente. O poder da imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 o verdadeiro \u201cpulo do gato\u201d da magia.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<h4><strong>Imagina\u00e7\u00e3o e vontade<\/strong><\/h4>\n<p>n<\/p>\n<p>A for\u00e7a da vontade \u00e9 praticamente ineficaz se n\u00e3o for dirigida por uma imagina\u00e7\u00e3o poderosa \u2013 e vice-versa. \u201cPara se praticar a magia\u201d, escreveu Edward Berridge, disc\u00edpulo ingl\u00eas de Levi, \u201c\u00e9 necess\u00e1rio colocar em a\u00e7\u00e3o a imagina\u00e7\u00e3o e a vontade: elas agem em partes iguais. Ou, melhor dizendo, a imagina\u00e7\u00e3o deve preceder a vontade para se obter o melhor resultado poss\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Sozinha, a vontade pode, segundo essa teoria, emitir uma corrente de energia que se propaga atrav\u00e9s da luz astral, mas seu efeito ser\u00e1 vago, impreciso e at\u00e9 mesmo inoperante, pois, sem a cria\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria de um objetivo bem definido a ser alcan\u00e7ado a energia da vontade corre o risco de perder-se no vazio. Por seu lado, sozinha, a imagina\u00e7\u00e3o pode at\u00e9 criar uma imagem, e essa imagem ter\u00e1 uma dura\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel; mas ela n\u00e3o poder\u00e1 produzir nada de importante se n\u00e3o for vitalizada e dirigida pela vontade. \u201cQuando as duas se conjugam, isto \u00e9, quando a imagina\u00e7\u00e3o cria uma imagem e quando a vontade dirige e utiliza essa imagem, \u00e9 poss\u00edvel a obten\u00e7\u00e3o de maravilhosos efeitos m\u00e1gicos\u201d, completa Berridge. Ele parece um moderno psic\u00f3logo junguiano falando da t\u00e9cnica da imagina\u00e7\u00e3o ativa!<\/p>\n<p>n<\/p>\n<h4><strong>Reflexo do universo maior<\/strong><\/h4>\n<p>n<\/p>\n<p>Recapitulando: na vis\u00e3o da magia, cada ser humano \u00e9 um microcosmo \u2013 um pequeno universo que reflete, em miniatura, o macrocosmo, o grande universo do qual fazemos parte. Cada fen\u00f4meno do universo tem seu reflexo correspondente nas partes que comp\u00f5em a pessoa humana \u2013 corpo f\u00edsico, psique, mente pensante. Com pr\u00e1ticas m\u00e1gicas, o mago pode transformar o mundo exterior por meio de interven\u00e7\u00f5es no pequeno mundo interior. A liga\u00e7\u00e3o entre as duas esferas \u2013 a interior e a exterior \u2013 \u00e9 feita pela luz astral, um fluido universal invis\u00edvel. A manipula\u00e7\u00e3o da luz astral atrav\u00e9s da vontade e da imagina\u00e7\u00e3o humanas permite ao mago influenciar tanto o universo f\u00edsico (mover objetos a dist\u00e2ncia, promover curas como no caso dos benzedores de verrugas, etc.) como tamb\u00e9m influenciar as sensa\u00e7\u00f5es e os modos de percep\u00e7\u00e3o de outros indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Mas o mago est\u00e1 longe de ser onipotente e seu trabalho \u00e9 cheio de perigos. Pois a via de comunica\u00e7\u00e3o entre o microcosmo e o macrocosmo, o interior e o exterior, \u00e9 obrigatoriamente uma via de m\u00e3o dupla. Da mesma forma que o sangue entra e sai do cora\u00e7\u00e3o, e o ar, dos pulm\u00f5es, a for\u00e7a m\u00e1gica sai de n\u00f3s, passeia pelo mundo desencadeando efeitos e tende a regressar ao lugar de onde saiu. Assim, aquilo que vem de fora circula em n\u00f3s e tende a voltar \u00e0 origem. Portanto, se projetarmos no mundo a\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas boas, positivas, amorosas, certamente poderemos esperar que elas retornem para n\u00f3s amplificadas e fortalecidas. Se, ao contr\u00e1rio, projetarmos a\u00e7\u00f5es nefastas&#8230; s\u00f3 poderemos esperar retornos p\u00e9ssimos.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>A censura do mago deriva de outra lei fundamental da magia: a lei do choque de retorno, que \u00e9 o regresso de uma carga mal\u00e9fica para o mago que a remeteu, em caso de fracasso de sua opera\u00e7\u00e3o, ou caso sua magia seja desfeita por outro mago mais forte. Na magia \u2013 como na f\u00edsica \u2013, toda for\u00e7a tem de ser descarregada, seja sobre o alvo assinalado, seja, por erro cometido, sobre o mago que a desencadeou, n\u00e3o importa qual o valor \u201cmoral\u201d dessa for\u00e7a.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<h3><strong>Magia em diferentes vers\u00f5es<\/strong><\/h3>\n<p>n<\/p>\n<figure id=\"attachment_84635\" aria-describedby=\"caption-attachment-84635\" style=\"width: 920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-84635\" src=\"https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2020\/02\/harry.jpeg\" alt=\"\" width=\"920\" height=\"518\" srcset=\"https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2020\/02\/harry.jpeg 920w, https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2020\/02\/harry-150x84.jpeg 150w, https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2020\/02\/harry-768x432.jpeg 768w, https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2020\/02\/harry-696x392.jpeg 696w, https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2020\/02\/harry-746x420.jpeg 746w\" sizes=\"auto, (max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-84635\" class=\"wp-caption-text\">Harry Potter: encantamento de milh\u00f5es de espectadores em todo o mundo. Cr\u00e9dito: Warner Bros.\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>n<\/p>\n<p><strong>MAGIA DO CINEMA<\/strong><\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Ao criar uma realidade virtual, na qual tudo pode acontecer, o cinema tornou-se uma arte m\u00e1gica por excel\u00eancia. A s\u00e9rie Harry Potter tem a magia como tema central e j\u00e1 seduziu milh\u00f5es de espectadores em todo o mundo.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p><strong>MAGIA DO TEATRO<\/strong><\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Antes do cinema, as v\u00e1rias formas de teatro exploraram as mil e uma possibilidades criativas do universo m\u00e1gico.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p><strong>MAGIA DA NATUREZA<\/strong><\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Nada mais m\u00e1gico do que o mundo natural. Maior e mais poderosa de todas as for\u00e7as criadoras, a natureza n\u00e3o conhece limites ao soltar a sua imagina\u00e7\u00e3o. A tal ponto que costuma-se dizer: a cria\u00e7\u00e3o natural supera qualquer imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p><strong>MAGIA DA ROUPA<\/strong><\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Dentre as v\u00e1rias atividades humanas, uma das mais m\u00e1gicas \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o das roupas. Um estilista de talento pode ser capaz de criar um universo inteiro a partir das indument\u00e1rias que inventa.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p><strong>MAGIA DA PLATEIA<\/strong><\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Quando as grandes aglomera\u00e7\u00f5es populares concentram sua aten\u00e7\u00e3o num mesmo objeto, geram um poderoso fen\u00f4meno m\u00e1gico: a cria\u00e7\u00e3o coletiva de uma nova realidade.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p><strong>MAGIA DA ARTE<\/strong><\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>Cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica e cria\u00e7\u00e3o m\u00e1gica s\u00e3o quase sin\u00f4nimos. Trabalhado pelas m\u00e3os de um verdadeiro artista, at\u00e9 o grotesco pode se transformar em algo sublime.<\/p>\n<p>n<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\/magia-que-bicho-e-esse\/\">A magia existe de verdade &#8211; mas afinal que bicho \u00e9 esse?<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/www.revistaplaneta.com.br\">Planeta<\/a>.<\/p>\n<p>n<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu primeiro encontro com o que depois soube chamar-se magia ocorreu quando eu tinha 7&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1494276","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1494276","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1494276"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1494276\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1494276"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1494276"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1494276"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}