{"id":1440015,"date":"2026-06-05T17:00:13","date_gmt":"2026-06-05T17:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1440015"},"modified":"2026-07-03T16:18:48","modified_gmt":"2026-07-03T19:18:48","slug":"microscopio-eletronico-mostra-danos-estruturais-ao-cabelo-apos-descoloracao-alisamento-e-calor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1440015","title":{"rendered":"Microsc\u00f3pio eletr\u00f4nico mostra danos estruturais ao cabelo ap\u00f3s descolora\u00e7\u00e3o, alisamento e calor"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center; margin: 20px 0;\"><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-4475525115208877\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: block; text-align: center;\" data-ad-layout=\"in-article\" data-ad-format=\"fluid\" data-ad-client=\"ca-pub-4475525115208877\" data-ad-slot=\"7970302005\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/div>\n<div class=\"box\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O texto a seguir foi publicado originalmente no Jornal da USP.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Uma pesquisa realizada no Instituto de F\u00edsica (IF) da USP alerta para os riscos do uso frequente e combinado de procedimentos qu\u00edmicos nos cabelos, como descolora\u00e7\u00e3o e alisamentos \u00e1cidos (progressiva), associados ao calor intenso de chapinhas e secadores. Segundo o estudo, os fios podem sofrer danos severos e irrevers\u00edveis em sua estrutura, comprometendo importantes subst\u00e2ncias que comp\u00f5em a camada interna e externa do cabelo, resultando em fios ressecados, fr\u00e1geis, sem brilho, porosos e suscet\u00edveis \u00e0 quebra.<\/p>\n<div class=\"noreadme-audima ads video-ads\">\n<div class=\"abrAD\" data-format=\"intext_video\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Os experimentos foram conduzidos em fios naturais (virgens) e quimicamente tratados, submetidos a temperaturas entre 30\u00b0C e 270\u00b0C, condi\u00e7\u00f5es comuns em sal\u00f5es de beleza. Utilizando t\u00e9cnicas de microscopia eletr\u00f4nica, espectroscopia e espalhamento de raios X, os pesquisadores conseguiram observar em tempo real as altera\u00e7\u00f5es na estrutura interna (c\u00f3rtex) dos fios durante o aquecimento \u2014 um aspecto ainda pouco explorado em estudos anteriores. De acordo com a engenheira qu\u00edmica e pesquisadora Cibele de Castro Lima, que desenvolveu o estudo durante seu doutorado na USP, \u201cos danos mais graves foram identificados nos cabelos submetidos simultaneamente \u00e0 descolora\u00e7\u00e3o, ao alisamento \u00e1cido e \u00e0s altas temperaturas\u201d.<\/p>\n<p>A pesquisa mostrou que a camada interna, o c\u00f3rtex, \u00e9 mais sens\u00edvel ao calor do que a camada externa, a cut\u00edcula. Segundo a pesquisadora, \u201cos resultados contrariam a percep\u00e7\u00e3o comum de que os danos t\u00e9rmicos atingem primeiro apenas a superf\u00edcie do cabelo\u201d. Os dados obtidos por meio de raios X e microscopia eletr\u00f4nica revelaram que transforma\u00e7\u00f5es estruturais profundas come\u00e7am a ocorrer no interior da fibra antes mesmo de danos equivalentes aparecerem na cut\u00edcula. Os testes com espectroscopia de infravermelho tamb\u00e9m identificaram altera\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas na superf\u00edcie capilar, incluindo danos \u00e0s gorduras naturais e \u00e0s prote\u00ednas da fibra.<\/p>\n<p>Os resultados foram publicados no artigo\u00a0<em><a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1002\/bip.70071\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Thermal Induced Changes in Virgin and Chemically Treated Hair<\/a><\/em>, na revista\u00a0<em>Biopolymers<\/em>.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/super.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/0506-cabelo-layout_site2.jpg\" alt=\"Quatro imagens de microscopia eletr\u00f4nica de varredura de fibras capilares. A imagem\" \/><figcaption>Danos que ocorrem no c\u00f3rtex do cabelo<span class=\"copyright\">R. R. C.Lima, A. C. C.Bandeira, T. S.Martins, L.Otubo, and C. L. P.Oliveira, \u201cThermal Induced Changes in Cuticle and Cortex to Chemically Treated Hair,\u201d Biopolymers117, no. 1 (2026)\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"ads post-ads noreadme-audima\"><span class=\"title\">Continua ap\u00f3s a publicidade<\/span><\/p>\n<div class=\"abrAD\" data-format=\"intext\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O estudo indicou que at\u00e9 mesmo os cabelos virgens podem sofrer danos quando submetidos a altas temperaturas. As an\u00e1lises mostraram que o calor provoca altera\u00e7\u00f5es tanto na cut\u00edcula quanto no c\u00f3rtex. Os pesquisadores observaram mudan\u00e7as na organiza\u00e7\u00e3o estrutural dos fios durante o aquecimento, identificando regi\u00f5es espec\u00edficas afetadas pelo calor, e a extens\u00e3o desses danos.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises com espalhamento de raios X e microscopia eletr\u00f4nica mostraram como o calor afeta a estrutura de cabelos virgens ao longo do aumento controlado da temperatura. Os testes acompanharam fios submetidos a aquecimento entre 30\u00b0C e 270\u00b0C, e identificaram mudan\u00e7as importantes a partir de 220\u00b0C, faixa em que come\u00e7aram a acontecer processos de degrada\u00e7\u00e3o nas cadeias de queratina (amino\u00e1cidos), principal prote\u00edna do cabelo que confere for\u00e7a e resist\u00eancia aos fios.<\/p>\n<p>Entre 220\u00b0C e 250\u00b0C, observou-se a desnatura\u00e7\u00e3o e a quebra das estruturas internas do c\u00f3rtex capilar. Imagens de microscopia eletr\u00f4nica confirmaram sinais de deteriora\u00e7\u00e3o nessa regi\u00e3o do cabelo quando exposta a temperatura em torno de 250\u00b0C. A pesquisadora explica que o c\u00f3rtex \u00e9 mais sens\u00edvel ao calor e come\u00e7a a se degradar pr\u00f3ximo de 230\u00b0C, enquanto a cut\u00edcula apresenta maior resist\u00eancia, suportando temperaturas um pouco mais altas, acima de 250\u00b0C.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m mostrou que os lip\u00eddios, que ajudam a manter a hidrata\u00e7\u00e3o e a organiza\u00e7\u00e3o das fibras, come\u00e7aram a perder estabilidade com o aquecimento. Acima de 260\u00b0C, essas estruturas praticamente desapareceram, indicando danos severos e irrevers\u00edveis.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads noreadme-audima\"><span class=\"title\">Continua ap\u00f3s a publicidade<\/span><\/p>\n<div class=\"abrAD\" data-format=\"intext\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Em altas temperaturas, a partir de 200\u00b0C, tamb\u00e9m houve a libera\u00e7\u00e3o de gases associados \u00e0 decomposi\u00e7\u00e3o das prote\u00ednas capilares como a queratina, refor\u00e7ando que temperaturas elevadas comprometem profundamente a estrutura dos fios. \u201cO \u2018cheiro podre\u2019 ou odor forte percebido durante o uso da chapinha est\u00e1 relacionado \u00e0 libera\u00e7\u00e3o de gases produzidos pela decomposi\u00e7\u00e3o de amino\u00e1cidos contendo enxofre, como a cistina, respons\u00e1vel pela resist\u00eancia dos cabelos\u201d, diz Cibele. Ela explica que esse cheiro \u00e9 um sinal de que a fibra capilar est\u00e1 sofrendo danos estruturais importantes causados pelo excesso de calor. Isso acontece quando a temperatura da fibra capilar ultrapassa 200\u00b0C, limite identificado em\u00a0estudo\u00a0publicado pela pr\u00f3pria autora no\u00a0<em>Journal of Cosmetic Dermatology<\/em>\u00a0em 2019.<\/p>\n<h3>Cabelos alisados, descoloridos e descoloridos-alisados<\/h3>\n<p>Os experimentos confirmaram que a combina\u00e7\u00e3o de tratamentos qu\u00edmicos \u2013 descolora\u00e7\u00e3o e alisamento \u00e1cido -, al\u00e9m do calor intenso, comprometeram profundamente a arquitetura interna da fibra capilar, tornando os fios mais fr\u00e1geis, porosos e suscet\u00edveis \u00e0 quebra.<\/p>\n<p>Nas an\u00e1lises com raios X, os cabelos submetidos a descolora\u00e7\u00e3o e alisamento \u00e1cido (progressiva) ficaram mais sens\u00edveis ao calor do que fios naturais. Durante o aquecimento entre 30\u00b0C e 270\u00b0C, os cabelos tratados perderam organiza\u00e7\u00e3o estrutural mais rapidamente, indicando menor estabilidade t\u00e9rmica que os cabelos virgens.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m identificou mudan\u00e7as na organiza\u00e7\u00e3o das prote\u00ednas e lip\u00eddios que comp\u00f5em o cabelo. Nos fios descoloridos e alisados houve sinais de desorganiza\u00e7\u00e3o das microestruturas da queratina e perda de alinhamento das fibras internas, efeitos que se intensificaram com o aumento da temperatura.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads noreadme-audima\"><span class=\"title\">Continua ap\u00f3s a publicidade<\/span><\/p>\n<div class=\"abrAD\" data-format=\"intext\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Outro achado importante foi que estruturas lip\u00eddicas associadas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o e hidrata\u00e7\u00e3o dos fios apresentaram instabilidade logo acima de 70\u00b0C (principalmente para cabelos alisados) e desapareceram em temperaturas mais elevadas. J\u00e1 algumas estruturas da cut\u00edcula mostraram maior estabilidade t\u00e9rmica, permanecendo preservadas mesmo em temperaturas pr\u00f3ximas de 270\u00b0C. Contudo, nesse est\u00e1gio, j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 mais a presen\u00e7a do c\u00f3rtex: o fio j\u00e1 est\u00e1 oco por dentro.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/super.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/0506-cabelo-layout_site2.jpg\" alt=\"Quatro imagens de microscopia eletr\u00f4nica de varredura de fibras capilares. A imagem\" \/><figcaption>Imagem dos danos provocados em cabelo virgem (a), descolorido (b), alisado e descolorido (c) e alisado exposto a temperatura de 30\u00b0C (d). Foto retirada do artigo.<span class=\"copyright\">R. R. C.Lima, A. C. C.Bandeira, T. S.Martins, L.Otubo, and C. L. P.Oliveira, \u201cThermal Induced Changes in Cuticle and Cortex to Chemically Treated Hair,\u201d Biopolymers117, no. 1 (2026)\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Segundo o professor Cristiano Oliveira, do Departamento de F\u00edsica Experimental do IF e orientador da pesquisa, o estudo amplia o conhecimento sobre os efeitos do calor e dos tratamentos qu\u00edmicos na fibra capilar. Para ele, \u201co conhecimento gerado pode trazer impactos importantes para a ind\u00fastria cosm\u00e9tica ao identificar temperaturas cr\u00edticas em que come\u00e7am os processos de degrada\u00e7\u00e3o da queratina e dos lip\u00eddios respons\u00e1veis pela prote\u00e7\u00e3o dos fios\u201d.<\/p>\n<p>Os resultados podem contribuir para o desenvolvimento de protetores t\u00e9rmicos mais eficazes, tratamentos reparadores e formula\u00e7\u00f5es menos agressivas para alisamento e descolora\u00e7\u00e3o. A pesquisa tamb\u00e9m oferece par\u00e2metros cient\u00edficos para a cria\u00e7\u00e3o de protocolos mais seguros em procedimentos realizados em sal\u00f5es de beleza.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads noreadme-audima\"><span class=\"title\">Continua ap\u00f3s a publicidade<\/span><\/p>\n<div class=\"abrAD\" data-format=\"intext\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Para consumidores e profissionais da \u00e1rea da beleza, o professor Oliveira refor\u00e7a a import\u00e2ncia de moderar o uso de chapinhas, secadores e processos qu\u00edmicos combinados, especialmente em temperaturas muito elevadas, uma vez que os danos t\u00e9rmicos podem ocorrer at\u00e9 mesmo em cabelos virgens.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<em><a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1002\/bip.70071\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Thermal Induced Changes in Virgin and Chemically Treated Hair<\/a>\u00a0<\/em>foi publicado na\u00a0<i>Biopolymers<\/i>, com acesso aberto e gratuito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<section class=\"noreadme-audima block newsletter single-newsletter\"><\/section>\n<div class=\"ads after-text noreadme-audima\"><\/div>\n<div style=\"text-align: center; margin: 20px 0;\"><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-4475525115208877\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: block; text-align: center;\" data-ad-layout=\"in-article\" data-ad-format=\"fluid\" data-ad-client=\"ca-pub-4475525115208877\" data-ad-slot=\"7970302005\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O texto a seguir foi publicado originalmente no Jornal da USP. 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