{"id":1439993,"date":"2026-06-07T21:00:36","date_gmt":"2026-06-07T21:00:36","guid":{"rendered":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1439993"},"modified":"2026-07-10T16:10:27","modified_gmt":"2026-07-10T19:10:27","slug":"filosofo-muculmano-antecipou-darwin-nao-e-bem-assim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bocudo.com\/?p=1439993","title":{"rendered":"Fil\u00f3sofo mu\u00e7ulmano \u201cantecipou\u201d Darwin? ser\u00e1\u2026"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center; margin: 20px 0;\"><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-4475525115208877\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: block; text-align: center;\" data-ad-layout=\"in-article\" data-ad-format=\"fluid\" data-ad-client=\"ca-pub-4475525115208877\" data-ad-slot=\"7970302005\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/div>\n<div class=\"box\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1473494\" src=\"https:\/\/bocudo.com\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Al-Jaahith_-_African_Arab_Naturalist_-_Basra_-_al_jahiz.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"922\" srcset=\"https:\/\/bocudo.com\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Al-Jaahith_-_African_Arab_Naturalist_-_Basra_-_al_jahiz.jpg 750w, https:\/\/bocudo.com\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Al-Jaahith_-_African_Arab_Naturalist_-_Basra_-_al_jahiz-488x600.jpg 488w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p>O texto abaixo foi publicado originalmente na Revista Quest\u00e3o de Ci\u00eancia<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00c9 muito comum que julguemos as pessoas do passado pelos nossos crit\u00e9rios modernos de atitudes, sentimentos, moral e \u00e9tica. Se isso deveria ser feito \u00e9 quest\u00e3o de muito debate. Pessoalmente, como bom bi\u00f3logo, digo que \u201cdepende\u201d. Mas n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 julgamentos que lan\u00e7amos sobre o passado. N\u00e3o raro, tamb\u00e9m buscamos na hist\u00f3ria a antecipa\u00e7\u00e3o de ideias modernas, tentando tra\u00e7ar um pedigree. \u00c0s vezes os elos est\u00e3o l\u00e1; \u00e0s vezes, n\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"noreadme-audima ads video-ads\">\n<div class=\"abrAD\" data-format=\"intext_video\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Na\u00a0terceira edi\u00e7\u00e3o\u00a0de sua obra magna (<em>A Origem das Esp\u00e9cies<\/em>, 1861), Charles Darwin, muito por conta do protesto de alguns leitores e cientistas, incluiu um \u201cesbo\u00e7o hist\u00f3rico\u201d, onde tentou apresentar um resumo \u201cpor\u00e9m imperfeito, da evolu\u00e7\u00e3o das opini\u00f5es sobre a<em>\u00a0Origem das Esp\u00e9cies<\/em>\u201d. Darwin cita diversos pensadores, de diferentes \u00e9pocas, mas geralmente europeus ou americanos.<\/p>\n<p>No esbo\u00e7o hist\u00f3rico presente na\u00a0quarta edi\u00e7\u00e3o\u00a0de\u00a0<em>A Origem das Esp\u00e9cies<\/em>\u00a0(1866), Darwin adicionou uma nota de rodap\u00e9 sobre um autor cl\u00e1ssico: Arist\u00f3teles. Darwin pondera que o pensador grego do s\u00e9culo 4 AEC chegou a esbo\u00e7ar uma ideia pr\u00f3xima da sele\u00e7\u00e3o natural ao sugerir que estruturas corporais poderiam surgir sem prop\u00f3sito e que apenas as combina\u00e7\u00f5es funcionais seriam preservadas, enquanto as demais desapareceriam; ainda assim, Darwin ressalta que Arist\u00f3teles n\u00e3o compreendeu plenamente o princ\u00edpio, pois carecia de um mecanismo explicativo adequado, fazendo com que sua proposta permanecesse uma intui\u00e7\u00e3o vaga, e n\u00e3o uma teoria cient\u00edfica desenvolvida.<\/p>\n<p>Evidentemente, n\u00e3o se pode esperar que o esbo\u00e7o hist\u00f3rico escrito por Darwin fosse, em si, um tratado abrangente da hist\u00f3ria do tema. O recorte feito por ele \u00e9 deveras ocidental. Provavelmente porque era a literatura dispon\u00edvel da \u00e9poca. O fato \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 qualquer men\u00e7\u00e3o em seus escritos a pensadores, por exemplo, do mundo mu\u00e7ulmano que discorreram sobre assuntos que ele teria chamado de \u201cevolutivos\u201d.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode at\u00e9 perguntar: bem, mas existem pensadores mu\u00e7ulmanos pr\u00e9-Darwin que falaram sobre tais assuntos? Surpreendentemente, sim.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads noreadme-audima\">\n<div class=\"abrAD\" data-format=\"intext\">O assunto \u00e9 discutido desde o s\u00e9culo 19, inclusive. No livro <em>History of the Conflict between Religion and Science<\/em>\u00a0(\u201cHist\u00f3ria do Conflito entre Religi\u00e3o e Ci\u00eancia\u201d), John William Draper, cientista contempor\u00e2neo de Darwin, refletiu, em 1875, sobre a ignor\u00e2ncia ocidental a respeito das realiza\u00e7\u00f5es cient\u00edficas dos mu\u00e7ulmanos: \u201cTenho de lamentar a maneira sistem\u00e1tica pela qual a literatura europeia conseguiu obscurecer nossas obriga\u00e7\u00f5es cient\u00edficas para com os mu\u00e7ulmanos\u2026 A injusti\u00e7a fundada no rancor religioso e na vaidade nacional n\u00e3o pode ser perpetuada para sempre\u201d.<\/div>\n<\/div>\n<p>No que tange aos assuntos \u201cevolutivos\u201d, Draper (1875) comentou:<\/p>\n<p>\u201c\u00c0s vezes, n\u00e3o sem surpresa, deparamo-nos com ideias que nos orgulhamos de considerar como originadas em nossa pr\u00f3pria \u00e9poca. Assim, nossas modernas doutrinas de evolu\u00e7\u00e3o e desenvolvimento j\u00e1 eram ensinadas em suas escolas [mu\u00e7ulmanas]. Na verdade, eles as levaram muito mais longe do que estamos dispostos a fazer, estendendo-as at\u00e9 mesmo a coisas inorg\u00e2nicas e minerais\u201d.<\/p>\n<p>Os historiadores da ci\u00eancia, claro, n\u00e3o se esqueceram desse assunto. Em 2018, por exemplo, Malik e colaboradores publicaram o\u00a0artigo\u00a0\u201c<em>Uma hist\u00f3ria n\u00e3o contada na biologia: a continuidade hist\u00f3rica das ideias evolutivas de estudiosos mu\u00e7ulmanos do s\u00e9culo 8 at\u00e9 a \u00e9poca de Darwin<\/em>\u201d. Eventualmente, esse conhecimento hist\u00f3rico veio a ser difundido para um p\u00fablico mais amplo. E n\u00e3o deu muito certo.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads noreadme-audima\">\n<div class=\"abrAD\" data-format=\"intext\">Recentemente, voltou a viralizar nas redes sociais uma mat\u00e9ria da BBC, publicada originalmente mar\u00e7o de 2019, que tem por t\u00edtulo \u201cO fil\u00f3sofo mu\u00e7ulmano que formulou teoria da evolu\u00e7\u00e3o mil anos antes de Darwin\u201d. Esse fil\u00f3sofo \u00e9 Al-Jahiz (776\u2013868), que nasceu na regi\u00e3o que hoje \u00e9 o sul do Iraque.<\/div>\n<\/div>\n<p>Segundo a BBC, \u201ccerca de mil anos antes de Darwin, um fil\u00f3sofo mu\u00e7ulmano que vivia no Iraque, conhecido como Al-Jahiz, escreveu um livro sobre como os animais mudam atrav\u00e9s de um processo que tamb\u00e9m chamou de sele\u00e7\u00e3o natural\u201d.<\/p>\n<p>At\u00e9 onde pude apurar, n\u00e3o \u00e9 verdade que Al-Jahiz \u201ctamb\u00e9m chamou de sele\u00e7\u00e3o natural\u201d. Por exemplo, no artigo de 2018, uma publica\u00e7\u00e3o formal sobre hist\u00f3ria da ci\u00eancia, n\u00e3o consta uma afirma\u00e7\u00e3o do tipo; nem na literatura mais antiga que consultei. Sim, no artigo de 2018 o time de autores diz que \u201cAl-Jahiz descreveu um processo de \u2018sele\u00e7\u00e3o natural\u2019\u201d, mas as aspas simples indicam que os autores est\u00e3o apenas enfatizando uma similaridade, n\u00e3o afirmando que Al-Jahiz usou o termo. O que Al-Jahiz fez foi tecer alguns coment\u00e1rios que hoje soam bastante interessantes aos nossos ouvidos treinados (por vezes, pobremente) em biologia evolutiva. Aqui v\u00e3o alguns trechos:<\/p>\n<p>\u201cOs animais est\u00e3o envolvidos numa luta pela exist\u00eancia e pelos recursos, para evitar serem comidos, e se reproduzir\u201d.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads noreadme-audima\">\n<div class=\"abrAD\" data-format=\"intext\">\u201cOs fatores ambientais influenciam os organismos fazendo com que desenvolvam novas caracter\u00edsticas para assegurar a sobreviv\u00eancia, transformando-os assim em novas esp\u00e9cies\u201d.<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cOs animais que sobrevivem para se reproduzir podem transmitir suas caracter\u00edsticas exitosas a seus descendentes\u201d.<\/p>\n<p>Esses elementos mostram que havia, de fato, uma percep\u00e7\u00e3o sofisticada de padr\u00f5es naturais muito antes de Darwin. Contudo, como argumentei em\u00a0outro lugar, isso n\u00e3o justifica as acusa\u00e7\u00f5es de pl\u00e1gio que apareceram nas redes sociais.<\/p>\n<p>Reconhecer essas contribui\u00e7\u00f5es n\u00e3o implica equipar\u00e1-las \u00e0 teoria da evolu\u00e7\u00e3o por sele\u00e7\u00e3o natural tal como formulada por Darwin. A diferen\u00e7a central est\u00e1 no papel causal atribu\u00eddo aos processos naturais. Em Al-Jahiz, o ambiente aparece como um agente direto que molda os organismos, levando-os a desenvolver novas caracter\u00edsticas para garantir sobreviv\u00eancia. Esse tipo de explica\u00e7\u00e3o aproxima-se mais de uma vis\u00e3o em que a adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 induzida externamente. Nesse sentido, se aproxima mais das ideias de\u00a0Lamarck.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads noreadme-audima\">\n<div class=\"abrAD\" data-format=\"intext\">J\u00e1 em Darwin, a l\u00f3gica \u00e9 outra: varia\u00e7\u00f5es surgem (em grande parte independentemente de sua utilidade imediata), e a sele\u00e7\u00e3o natural atua como um filtro cumulativo ao longo de gera\u00e7\u00f5es, preservando as varia\u00e7\u00f5es que conferem vantagem. Assim, no esquema darwiniano h\u00e1 muito espa\u00e7o para a aleatoriedade. Adicionalmente, a sele\u00e7\u00e3o natural n\u00e3o \u00e9 apenas um processo negativo de elimina\u00e7\u00e3o, mas um mecanismo criativo capaz de gerar adapta\u00e7\u00f5es complexas ao longo do tempo. Al\u00e9m disso, Darwin dificilmente concordaria com Al-Jahiz a respeito da import\u00e2ncia geral das condi\u00e7\u00f5es externas na produ\u00e7\u00e3o de adapta\u00e7\u00f5es. Em <em>A Origem das Esp\u00e9cies<\/em>, Darwin escreveu:<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cOs naturalistas referem-se continuamente \u00e0s condi\u00e7\u00f5es externas, como clima, alimenta\u00e7\u00e3o etc., como a \u00fanica causa poss\u00edvel de varia\u00e7\u00e3o. Em um sentido muito limitado, como veremos adiante, isso pode ser verdade;\u00a0<strong><em>mas \u00e9 absurdo atribuir a meras condi\u00e7\u00f5es externas<\/em><\/strong>\u00a0a estrutura, por exemplo, do pica-pau, com seus p\u00e9s, cauda, bico e l\u00edngua, t\u00e3o admiravelmente adaptados para capturar insetos sob a casca das \u00e1rvores\u2026\u201d [\u00eanfase minha]<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m uma diferen\u00e7a importante no enquadramento te\u00f3rico. Em Al-Jahiz, para a surpresa de ningu\u00e9m, as ideias sobre a natureza est\u00e3o inseridas em uma vis\u00e3o teleol\u00f3gica e teol\u00f3gica, na qual Deus desempenha um papel ativo na ordem e no desenvolvimento dos seres vivos. Isso n\u00e3o \u00e9 um detalhe menor: significa que n\u00e3o se trata de uma teoria naturalista da origem e da diversifica\u00e7\u00e3o da vida. Em contraste, a proposta de Darwin \u00e9 explicitamente naturalista, buscando explicar a biodiversidade por meio de causas naturais cont\u00ednuas, sem recorrer a interven\u00e7\u00f5es divinas.<\/p>\n<p>Outro ponto crucial \u00e9 que Al-Jahiz n\u00e3o parece ter constru\u00eddo uma teoria sistem\u00e1tica e coesa para explicar a origem das esp\u00e9cies. Seus escritos cont\u00eam insights valiosos e observa\u00e7\u00f5es pertinentes, incluindo no\u00e7\u00f5es que hoje associar\u00edamos \u00e0 ecologia, como a interconex\u00e3o entre os organismos, mas esses elementos n\u00e3o s\u00e3o integrados em um modelo explicativo abrangente. Mesmo quando h\u00e1 sugest\u00f5es de descend\u00eancia entre formas de vida, elas aparecem de maneira pontual e limitada, sem a generaliza\u00e7\u00e3o para uma ancestralidade comum universal, nem um mecanismo bem definido que sustente essa transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads noreadme-audima\">\n<div class=\"abrAD\" data-format=\"intext\">Portanto, embora seja fundamental reconhecer a import\u00e2ncia hist\u00f3rica de pensadores como Al-Jahiz e o quanto suas ideias antecipam certos aspectos do pensamento evolutivo, isso n\u00e3o equivale a dizer que formularam a teoria da evolu\u00e7\u00e3o por sele\u00e7\u00e3o natural no sentido moderno, nem que Darwin teria simplesmente \u201ccopiado\u201d essas ideias. O que Darwin fez foi algo qualitativamente diferente: reuniu diversos elementos dispersos, organizou-os em um arcabou\u00e7o te\u00f3rico consistente e, sobretudo, identificou um mecanismo plaus\u00edvel, a sele\u00e7\u00e3o natural, capaz de explicar, de forma unificada, a origem das adapta\u00e7\u00f5es e a diversidade da vida. Sem o dedo de Deus.<\/div>\n<\/div>\n<section class=\"noreadme-audima block newsletter single-newsletter\"><\/section>\n<div class=\"ads after-text noreadme-audima\">\n<div class=\"abrAD\" data-format=\"aftertext\" data-mapping=\"intext\"><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: center; margin: 20px 0;\"><script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-4475525115208877\" crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<ins class=\"adsbygoogle\" style=\"display: block; text-align: center;\" data-ad-layout=\"in-article\" data-ad-format=\"fluid\" data-ad-client=\"ca-pub-4475525115208877\" data-ad-slot=\"7970302005\"><\/ins><br \/>\n<script>\n     (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});\n<\/script><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O texto abaixo foi publicado originalmente na Revista Quest\u00e3o de Ci\u00eancia \u00c9 muito comum que&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1473494,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8197,8411,8215],"tags":[],"class_list":["post-1439993","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-conhecimento-e-curiosidades","category-personalidades","category-pessoas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1439993","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1439993"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1439993\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1473496,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1439993\/revisions\/1473496"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1473494"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1439993"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1439993"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bocudo.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1439993"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}